Breathe, inhale, exhale…

Terceiro sobre a Bienal de Veneza…

13/11/2009 · 1 Comentário

… e último. Agora com os highlights das representações nacionais:

* Japão, com a artista Miwa Yanagi, que cobriu o pavilhão com uma espécie de tenda negra dentro da qual encontramos fotografias gigantescas de mulheres-deusas deformadas, imponentes e assustadoras, tal qual um mundo de sonhos e mostruosidades daqueles que nos fazem pesadelos à noite.

Veneza 667- Bienal - Japão - Miwa Yanagi

* Rússia, especialmente os artistas Anatoly Shuravlev com suas esferas de cristal pontilhadas de fotos minúsculas de pessoas, assim como a parede negra que as cerca, criando uma constelação de memórias; Alexei Kallima, com sua inusitada sala completamente coberta por um afresco de pessoas fluorescentes que parecem estar em um estádio de futebol, quando o som dessa torcida se faz ouvir e a luz de um estalo se acende, sumindo então todas as imagens; e, ainda, Andrei Molodkin, com seus miniaturas da Vitória de Samotrácia, nas quais é bombeado sangue humano de tempos em tempos o que, ampliado em uma tela, faz com que a escultura se escureça e adquira sangue que lhe corre pelas veias… os russos surpreendem por sua inventividade, pelo uso da tecnologia e pelo lirismo de suas obras.

Veneza 647- Bienal - Russia - Anatoly ShuravlevVeneza 650- Bienal - Russia - Alexei KallimaVeneza 653- Bienal - Russia - Andrei Molodkin

* Itália, com um pavilhão excelente e consistente, repleto de artistas que criam o interesse de acompanhar mais de perto aquilo que é produzido em seu país, onde se fez uma Homenagem a Marinetti. Destaque para as pinturas irônicas de Gian Marco Montesano e as hilariantes pops de Nicola Verlato, as esculturas perturbadoras de Aron Demetz e a inusitada instalação de Bertozzi e Casoni, fora o vídeo de extremo apelo retiniano do coletivo Masbedo.

Veneza 259- Bienal - Italia - Gian Marco MontesanoVeneza 286- Bienal - Italia - Nicola VerlatoVeneza 304- Bienal - Italia - Aron Demetz

* Polônia, com o artista Krzysztof Wodiczko, com a incrível instalação “Guests”, em que projeções de vídeo criam janelas de vidros opacos das quais se vê um cenário no qual pessoas passam, trabalham, conversam, como se fôssemos voyeurs da vida cotidiana dessa gente opaca que, por vezes, nos espiona pelas janelas…

Veneza 786- Bienal - Polônia - Krzysztof Wodiczko

* Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, que em seus dois pavilhões criaram a excelente, irônica e impecável instalação “The Collectors”, na qual os lugares se transformam em duas casas repletas dos mobiliários dos designers nórdicos às pinturas de Hernan Bas, passando pela construção de ambientes sempre um tanto perturbadores, mesas rasgadas por um terremoto, poltronas derretidas, uma escada desmoronada, uma cesta de piquenique perto de uma cadeira de sol com roupas abandonadas, até o sujeito afogado na piscina… cenas cotidianas, cenas de um filme, os pavilhões prescindem da mostração para criar de fato um ambiente, tão mais surreal quanto mais comum.

Veneza 698- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e SuéciaVeneza 710- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e SuéciaVeneza 701- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e SuéciaVeneza 705- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia

* Chile, com o artista Ivan Navarro e seus jogos de luzes e suas referências à história da arte.

Veneza 214- Bienal - Chile - Ivan Navarro

* América Latina com, entre outros, a interessante Raquel Paiewonsky e suas meias de seda tornadas arte, também conhecida de exposições que ocorreram há algum tempo no Museu do Brooklyn.

Veneza 186- Bienal - América Latina - Raquel Paiewonsky

* França, com a oprimente instalação de Claude Lévêque, em que bandeiras negras são vistas por entre grades que nos aprisionam nessa referência perdida de Delacroix e Géricault, com suas bandeiras agitadas agora perdidas de esperança.

Veneza 685- Bienal - França - Claude Lévêque

* EUA, com Bruce Nauman, que dispensa apresentações e é sempre de uma inteligência mordaz em suas produções.

Veneza 722- Bienal - EUA - Bruce Nauman

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Mais sobre a Bienal de Veneza aqui e aqui.

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Bienal de Veneza… (continuação)

12/11/2009 · 3 Comentários

Ainda os highlights da Bienal propriamente dita, agora no Giardini:

* John Baldessari, com seu senso de humor ácido, que transformou a fachada da Bienal em um paraíso tropical cliché.

Veneza 444- Bienal - John Baldessari

* Philippe Parreno, com uma exibição genial de um vídeo sobre telas de Rauschenberg e música de John Cage, ele sabe se colocar em boa companhia, no mínimo.

Veneza 472- Bienal - Philippe Parreno

* Gutai: a sala dedicada ao movimento nipônico dos anos 50 e 60 é, na minha opinião, a mais interessante, consistente e densa da exposição. Rever as ações e performances de seus artistas ou as recriações dos objetos por eles utilizados nessas ocasiões traz a exata dimensão do quanto a arte pode ser extremamente simples e certeira.

Veneza 492- Bienal - Gutai

* Toba Khedoori e seus desenhos belíssimos de objetos retirados de seus contextos e suspensos no vazio.

Veneza 514- Bienal - Toba Khedoori

* Hans-Peter Feldmann, com suas traquitanas, objetos e brinquedos dispostos de mil maneiras, de forma a criar um belíssimo jogo de sombras a partir de uma combinação bizarra de elementos.

Veneza 536- Bienal - Hans-Peter Feldmann

* Pietro Roccasalva, meu conhecido desde a exposição Senso Unico dos artistas italianos atuais no P.S.1 em 2008, com suas pinturas que lembram as deformidades e intensidades de Francis Bacon.

Veneza 540- Bienal - Pietro Roccassalva

* Simon Starling com a exibição da construção dessa máquina incrível de projeção de imagens:

Veneza 546- Bienal - Simon Starling

* Tomas Saraceno com sua instalação monumental em um grande hall que, o mesmo tempo invade todos os lugares e se faz presente sem, contudo, perder em leveza e discrição. Brincadeira arquitetônica de extremo bom gosto.

Veneza 562- Bienal - Tomas Saraceno

(yet to be continued…)

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Mais sobre a Bienal de Veneza 2009: aqui e aqui.

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Bienal de Veneza…

11/11/2009 · 2 Comentários

Além do fato de que Veneza continua sendo uma cidade lindíssima, mesmo debaixo de chuva e frio, o mais interessante de ir a uma Bienal de Arte é vê-la tomada por exposições por todos os lados. Além do pavilhão da Bienal propriamente dito e do Arsenale, as representações de cada país e outras mostras paralelas ocupam pavilhões do Giardini, prédios do Arsenale, palácios e igrejas por toda Veneza e circunvizinhanças, além das ruas, canais… enfim, tudo se torna um grande cenário para uma exposição gigantesca.

No geral, a proposta da Bienal, “Fazer Mundos”, oscilou entre abordagens mais rasas e chatas que enfatizam o mundo próprio a cada artista, beirando uma discussão sobre a subjetividade, a individualidade, o mundo que cada artista constrói com sua obra, ou idéias politicamente corretas pregando um mundo melhor, ecológicas, políticas, panfletárias e algo mais sutilmente ligado ao tema, marcando a criação de mundos e espaços a partir do fazer artístico, construção de realidades no sentido de materialidades, até uma certa recuperação histórica de artistas que trabalharam com essa questão. Uma mistura interessante, talvez podendo agradar a vários gostos, dando lugar a uma diversidade de abordagens, de proveniências, de suportes…

Enfim, meus highlights seguem ilustrados abaixo. Quem puder, há ainda mais duas semanas antes de terminada a exposição e, acreditem, vale a viagem.

Highlights da Bienal propriamente dita (no Arsenale):

* Lygia Pape no Arsenale, com uma instalação de tirar o fôlego de tanta beleza, inventando espaço e luz a partir das linhas.

Veneza 007 - Bienal - Lygia Pape

* Michelangelo Pistoletto, também no Arsernale. O italiano está em todas, dos museus às feiras de arte, e mostra que a Itália definitivamente não parou no Renascimento, produzindo trabalhos provocadores por meio de seus espelhos.

Veneza 010 - Bienal - Michelangelo Pistoletto

* Simone Berti, ainda no Arsenale, com seus delicados desenhos de grafite, carvão e sanguínea, falando sobre a fragilidade do mundo, uma fragilidade que vem do encontro inusitado entre natureza e maquinaria.

Veneza 044 - Bienal - Simone Berti

* Paul Chan, com uma espécie de teatro de sombras perturbador à la Marquês de Sade. Tudo recortado em papel, um trabalho primoroso. No Arsenale

Veneza 080- Bienal - Paul Chan

* Cildo Meireles, sim, estamos muito bem representados em Veneza e Cildo consegue permanecer inventivo sem se tornar formuláico como outros artistas da sua geração, com trabalhos muito impactantes, densos e conceituais como esse que ele mostra no Arsenale.

Veneza 105- Bienal - Cildo Meireles

* Sheela Gowda, artista indiana que fez uma bela instalação com cabelos humanos. Fragilidade suportando o peso.

Veneza 119- Bienal - Sheela Gowda

* Chu Yun, que fez um céu estrelado a partir da iluminação de uma infinidade de aparelhos eletrônicos em stand by. Pura poesia.

chu yun

* Mike Bouchet e sua típica casa de dois andares norte-americana brotando do meio das águas de um dos canais que cerca o Arsenale. Recentemente, na FIAC parisiense, ele invadiu o Jardim das Tulherias com suas esculturas bizarras e meio infantis, mostrando que está nesse deslocamento de objetos de seus contextos originais para outros inusitados o seu potencial de causar estranheza e questionamento, o que é bom à arte.

Veneza 244- Bienal - Mike Bouchet

* Tamara Grcic, outra que brinca com o estranhamento e com o insólito ao ancorar bóias cobertas de lonas num trecho inundado do Arsenale, todas encimadas por microfones que emitem sons de pratos e talheres sendo usados em refeições, de conexões discadas de internet, telefones que tocam e afins, como se de cada uma daquelas bóias brotasse algo impossível.

Veneza 249- Bienal - Tamara Grcic e Mike Bouchet

(To be continued…)

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Ainda sobre a Bienal de Veneza: aqui e aqui.

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Rápidas… Paris

03/11/2009 · 1 Comentário

Para os amantes da cidade luz, ou para os que estejam de passagem por essas bandas nos próximos tempos, alguns programas imperdíveis são:

Exposições:

elles@centrepompidou : ainda a melhor exposição em cartaz, como já comentei exaustivamente aqui.

Deadline, no Musée d’Art Moderne de la ville de Paris. Uma exposição interessante, que tem por tema a morte e como uma série de artistas produziu face à iminência da morte. Doença, idade, decrepitude, impossibilidades abrem lugar para uma produção vertiginosa, para mudanças, ou para obras desesperadas. Quando estiver no Museu, aproveite para dar uma olhada na exposição de Albert Oehlen, que continua a fazer em trabalho interessantíssimo mistura de sua action painting de outrora com intervenções feitas por computador, impressões digitais e colagens. Fora que o artista tem sido exposto em todos os cantos do mundo, o que torna ainda mais premente conhecer seu trabalho. E, por fim, uma vez no Musée d’Art Moderne de la ville de Paris, não deixe de passear pelo acervo permanente e, especialmente, pelas 4 instalações de Christian Boltanski, que são de tirar o fôlego. Sentar nas mesas do café do museu ao ar livre, observar as pessoas andando de skate perto do espelho d’água e aguardar o final do dia até o momento em que acendem as luzes a Torre Eiffel que fica ali do lado tornam o programa inesquecível.

boltanski

Joseph Kosuth no Musée du Louvre: não, você não entendeu mal. O papa da arte conceitual, um dos mais contemporâneos entre os contemporâneos mostra seus neons em pleno Museu do Louvre, em um projeto dessa instituição de trazer arte contemporânea para conversar com seu acervo. Suas obras estão nos fossos medievais do Louvre, uma aproximação imperdível para quem se interessa por arte. E sem jamais deixar de dar uma voltinha pelo museu, especialmente nas salas de pintura holandesa com seus Vermeers e naquelas da pintura do século XIX francês, com seus Géricault, Delacroix e Ingres, meu percurso favorito.

Comidinhas

Au Rocher de Cancale: um restaurante charmoso e acolhedor na Rue Montorgueil cuja especialidade são os frutos do mar e que serve um delicioso tartar de salmão. O lugar está sempre cheio, a comida é deliciosa e os preços são ótimos. Fora que passear pela Rue Montorgueil é sempre um programa divertido, devido à mistura de restaurantes mil com suas mesas nas calçadas, gente andando a pé nessa região em que carros não entram, e deliciosas e convidativas lojas de queijos, temperos, padarias, docerias, numa oferta de gostos e cheiros que deixa qualquer gourmand maluco.

Au Pied de Cochon: nos Halles, é outro restaurante tradicional, lotado de gente o tempo inteiro e que – maravilha! – fica aberto 24 horas por dia, uma raridade. Os pratos de carne de porco são saborosos, os pratos de frutos do mar são frescos e o pé de porco que dá nome ao lugar é uma experiência gelatinosa e interessante. De dia, é possível ainda passear pelos jardins de Les Halles, sempre cheios de mães com seus bebês, ou então descer as escadas rolantes até o centro comercial que fica sob os jardins e se jogar nas comprinhas.

Au chien qui fume: outro restaurante especializado em frutos do mar, próximo de Les Halles, tipicamente francês com suas mesinhas na calçada onde as pessoas se deixam ficar horas a fio em torno de um café e um livro, especialmente nos dias de sol. As ostras são deliciosas.

La Coupole: uma tradição parisiense, essa brasserie estilosa de Montparnasse onde muita gente famosa do naipe de Hemingway, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre já esteve, serve pratos saborosos em meio a uma decoração repleta de dourados e cores. O steak tartar é fantástico e a carne de cordeiro faz parte de seus pratos mais conhecidos.

Café de la Paix: outra instituição lendária, em frente à Opéra-Garnier, é um lugar suntuoso pelo qual também boa parte dos nomes importantes do último século e meio passou. Sente-se no terraço envidraçado, peça um vinho e uma soupe d’oignon (sopa de cebola, uma das maravilhas de inverno por aqui) e fique vendo o movimento das pessoas que passam freneticamente ali em frente, fora a beleza arquitetônica da própria Opéra.

Angelina: o salão de chá mais famoso da cidade, em frente ao Jardim das Tulherias, é um lugar charmosíssimo de decoração dourada e luxuosa, em que se pode comer doces inacreditáveis como o Mont-Blanc ou tomar um chocolate quente espesso que faz a alegria eterna de chocólatras do mundo inteiro como eu. A dica veio daqui.

Teatro

Sextett, de Rémi de Vos, no Théâtre du Rond-Point: teatro contemporâneo, de um humor mordaz e angustiante, para sabermos do melhor dessa nova safra de escritores e diretores franceses… Perturbador, como toda boa arte contemporânea tem sido.

Baladas

O lugar, ao menos para quem ama a música eletrônica, é o mundialmente conhecido Rex Club, com sua programação excelente e os djs famosos trazidos de todos os cantos do mundo para ali se apresentarem para um público animado, dançante e entendedor do que está ouvindo. Basta olhar na agenda e escolher sua noite: techno, electro, minimal… Nessa quinta, por exemplo, tem Sven Vaeth. Noutro dia teve Dopplereffekt. Dá para perder?

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Nesta sexta-feira…

28/10/2009 · Deixe um comentário

… mesa-redonda sobre arte, crítica e psicanálise do EBEP-SP, em parceria com o EDEN e o b_arco.

Teremos Cristiano Mascaro, Henrique Siqueira e João Augusto Frayze-Pereira.

convite outubro 2009-dia 30

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Sem palavras…

17/10/2009 · 4 Comentários

(english version below – version en français à la fin de ce commentaire).

helio_

90% da obra de Hélio Oiticica é perdida em incêndio, no Rio de Janeiro.

Leia a respeito aqui e aqui.

Qualquer um que se interesse minimamente por artes plásticas, em qualquer lugar do mundo, não apenas já deve ter ouvido falar como certamente respeita a obra que Hélio Oiticica produziu desde os anos 50, como um dos fundadores do neoconcretismo por essas bandas. Um dos primeiros artisas a por em cheque o distanciamento, as posições cristalizadas e os lugares do artista e do espectador, com uma obra rica, inovadora e ousada, além de estreitamente conectada com a cultura brasileira e o momento histórico-político em que foi feita. Lamentável e irreparável que um incêndio tenha levado embora boa parte dessa produção que nem chegou a ter todo o reconhecimento que mereceria, dado seu calibre. Faz chorar e lastimar que não haja uma política em relação a esse tipo de produção que garanta seu cuidado e preservação para além dos meandros das famílias, com suas heranças, perversidades e complicações. Obras desse escopo, ou são herdadas por todos e o Estado ou fundações cuidam de mantê-las, ou acabam não sendo de ninguém.

Pena.

tropicalia372

Brazilian artist Hélio Oitica works burnt by fire today at Rio de Janeiro, Brazil.

A fire burnt today more than 90% of renowed brazilian artist Hélio Oiticica. His works, known worldwide, since he has been one of the founders of the neoconcrete movement in Brazil since the 50’s, where placed at his family’s house and were completely burnt by a fire who consumed more than 1000 pieces. All these works should have been at Hélio Oiticica’s Center, which is run by the government and was responsible for taking care of the artist’s legacy. But, since the begining of the year, they have been removed to the family’s house due to the lack of an effective policy concerning works of this importance not only to our country, but to the artworld in general and, also, due to perverse aspects of the heritage laws concerning artistical and cultural relevant things, that should not be left into the control of one’s family and for their selfish profit, but either to be taken care by the government, or by a foundation in order to be profited by everyone.

What a shame and what a sad day.

Read more about it: here.

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Plus de 90% des oeuvres de l’artiste brésilien Hélio Oiticica détruites par un incendie

Aujourd’hui, à Rio de Janeiro, Brésil, un incendie chez la famille de Hélio Oiticica, l’artiste visuel mondialement connue par tous ces que s’intéressent pour l’art contemporaine, a brulé plus de 90% de son oeuvre. L’artiste, l’un des fondateurs du mouvement neo-concrète au Brésil, a été l’un des premiers à mettre en question la distance, les positions cristallisées, aussi que les lieux de l’artiste et du spectateur, notamment par la création de ses parangolés. Une oeuvre créative, riche et d’une osée impressionnantes, toujours tenant compte de la culture brésilienne aussi que du contexte historique et politique dans lesquels elle a été faite. Les oeuvres devraient être chez le Centre Hélio Oiticica, qui est géré par le gouvernement mais, dès le début de l’année, elles étaient placées chez la famille de l’artiste, grâce à l’absence d’une politique effective en ce qui concernent des productions artistiques et culturelles d’autant d’importance, encore laissées à l’égard de la perversité des lois d’héritage et aux soucis y compris, tel quelle la volonté des familles que, fréquemment, traitent de façon égoïste une production qui devrait être à disposition de tout le monde pour en profiter.

C’est dommage. Une perte incontournable.

Plus d’infos: LePoint et newspeg.

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elles@centrepompidou…

08/10/2009 · 1 Comentário

Uma exposição de artistas mulheres da coleção do Museu Nacional de Arte Moderna? A princípio, faz torcer o nariz, prevendo uma mostra panfletária de uma arte feminista que nem sei se algum dia realmente existiu. Não é nada disso.

elles@centrepompidou é uma exposição em que estão apenas os trabalhos de artistas mulheres presentes na coleção do museu sim e o que se constata, para grande surpresa de quem, como eu, espera encontrar uma mostra limitada à reiteração de um discurso político mais do que conhecido e com ares de passado, é que artistas mulheres são artistas por meio das quais é possível contar a história da arte dos tempos mais recentes. Com produções de grande qualidade em todos o meios possíveis, da pintura à performance, das instalações aos trabalhos que fazem uso da tecnologia de ponta, do design à escrita, do vídeo à música, essas mulheres artistas se consagram a discutir todas as questões da arte que olha para si mesma, bem como as questões do humano. Artistas mulheres não fazem uma arte feminista (talvez feminina, mas isso precisaria de um bom tanto de reflexão antes de ser dito dessa maneira), mas uma arte universal, provocadora de pensamento e de impressões, como toda boa arte deve ser. Se o objetivo do Centre Georges Pompidou com essa exposição é o de colocar a diferença para mostrar como ela se dissolve numa universalidade que impede que sejamos agrupados em categorias, guetos ou gêneros, me parece que o trabalho é bem sucedido.

Então, quem passar por Paris nos próximos meses não deixe de ver a exposição do Centre Pompidou. Imperdíveis os registros de performances dos anos 60 e 70 de Valie Export e de Carolee Schneemann, bem como os vídeos perturbadoramente delicados de Ana Mendieta. Bom também reencontrar a tela que Niki de Saint Phalle matou com seus “Tirs” na década de 60. As Guerrilla Girls com seu discurso provocativo e panfletário ao lado de Jenny Holzer e suas frases de uma contundência e de uma violência poucas vezes vistas, até mesmo em seus próprios trabalhos. Confrontação parece ser um dos temas-chave dessa exposição. Confrontação no sentido de desconstruir o pretensamente sabido, diga-se.

Marina Abramovic com o registro de algumas de suas performances dos anos 70 que confrontam a idéia de beleza como fundamental para a arte e Cindy Sherman com suas fotografias sempre perturbadoras, colocando em cheque não apenas o belo, como também o humano. Pipilotti Rist, que está de passagem pelo Brasil, comparece com um vídeo projetado no chão, para ser pisado enquanto é visto e Sophie Calle e Orlan – que também estiveram por aí nesses tempos de ano da França no Brasil – também estão muitíssimo bem representadas, para quem ainda tem interesse no que elas fazem (o meu, confesso, se esgotou há algum tempo para esse tipo de arte tão espetacular e midiática. Se bem que, no caso de Orlan, a exibição de trabalhos e performances da década de 70 mostra a artista em toda a sua potencialidade mais disruptiva e interessante, coisa que não se pode dizer dos trabalhos escolhidos de Sophie Calle). O magnífico “Corps étranger” de Mona Hatoum pode ser visto em elles e guarda toda sua capacidade de desconcerto e de vertigem, mesmo mais de uma década depois e o mordaz “Semiotics of the kitchen” de Martha Rosler, que joga com o lugar da mulher na sociedade americana, ainda se mostra atual e pertinente. As fotografias andróginas de Claude Cahun e as já polêmicas fotos de Diane Arbus na década de 20 mostram como algumas pioneiras das artes visuais colocavam em questão estereótipos de de beleza, lugares sociais e definições do feminino. Sigalit Landau coloca um corpo de mulher para brincar com um bambolê de arame farpado, enquanto Tara Donovan faz um cubo de palitos de dente tão frágil que mal se pode chegar perto. A fragilidade andando de par em par com a ferida, com a dor, provocando a associação do feminino com o masoquismo, mais do que necessária de ser repensada no campo da psicanálise. Nós, brasileiras, podemos ter o gosto de encontrar trabalhos de Lygia Clark, Sônia Andrade e Anna Bella Geiger, mais respeitadas por aqui do que devidamente reconhecidos em nossas queridas terras brasilis.

Para cada uma dessas artistas que mencionei como imperdíveis é possível citar alguma outra que deixei fora de minhas marcas pessoais acerca de exposição, o que apenas vem confirmar o quanto elles@centrepompidou é boa e abrangente o suficiente para permitir que cada qual invente seu roteiro dentro dela.

O discurso feminista parece antigo e em desuso. Será mesmo que se tornou obsoleto? Vendo a exposição e as novas artistas de lugares como os países árabes que ali se encontram juntamente com todos esses grandes nomes que mencionei anteriormente, chego a crer que não. Se os movimentos se fazem em ondas, é possível que aquilo que nos grandes centros soe hoje datado ainda seja, em alguns cantos desse mundo, uma grande e insuspeita novidade. As artistas desses lugares nos trazem notícias disso. E, mais ainda, acreditar que em “centros do mundo” como a França a discussão proposta pelo feminismo já se esgotou é se dar por satisfeita com mudanças bastante superficiais. Pois não me parece que se trate apenas de uma reivindicação por direitos iguais – necessária – mas também de uma discussão que nem começamos a fazer a respeito da possibilidade de se conceber um modo de existência outro que não tenha o referencial fálico como máximo valor. Discute-se isso em psicanálise hoje em dia. As artes plásticas o trazem já há um bom tempo, e não apenas por meio de obras de artistas mulheres.

Por fim, para quem acha que arte feita por mulheres é feminista e, com isso, barulho inútil, sugiro uma derradeira olhada no trabalho que mais me tocou nessa exposição do Pompidou: o maravilhoso “Heartbeat” de Nan Goldin. Nan Goldin, consagrada por suas séries de fotos tão reveladoras de uma intimidade nua, crua e cruel da violência contra a mulher, da decadência das drogas ou das mazelas da AIDS na década de 80 em “Heartbeat” faz um surpreendente apanhado de fotografias sobre nada menos que o amor. Não o amor romântico dos contos de fada que prestaram um desserviço eterno para os psiquismos de muitas e muitas gerações de mulheres, mas o amor banal e cotidiano revelado nos gestos simples e profundos de casais de amigos. Olhares, gestos, toques, beijos, carícias, sexo, orgasmos… nada espetacular, mesmo com a prresença da câmera, nada performático. Apenas aquela fragilidade funda que nos afeta a todos quando amamos.

Se alguém puder falar melhor de amor do que isso, ou se tal experiência couber apenas nas categorias de uma arte feminina, que atirem a primeira pedra. No mais, quem souber do que estou falando, corra para o museu.

Bravo, elles!

(Conheço um blog excelente com dicas para quem vem a Paris, o Conexão Paris. Portanto, não me darei nem ao trabalho de fazer toscamente o que a Maria Lina faz tão bem. Fica aqui apenas um relato de impressões, mais do que dicas de viagem, ok?)

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Nessa sexta, não percam…

23/09/2009 · Deixe um comentário

… mesa sobre arte, crítica e psicanálise.

Entrada gratuita.

convite setembro 2009

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Takes…

22/09/2009 · Deixe um comentário

A desce as escadas com uma sacola em cada mão. Caminha até a lavanderia da esquina. Roupas na máquina, sabão, amaciante, 40 minutos. Um homem de idade com um cachorro e um cobertor, sua sacola de roupas amarela, estilo carrinho de feira. A caminha até o prédio, sobe as escadas, entra. Sabão e amaciante guardados, sacolas vazias no chão. Senta-se, toma um vinho. De volta à internet.

40 minutos. A desde as escadas, caminha até a lavanderia da esquina, retira tudo da máquina e coloca na secadora. Peça por peça. O homem de idade, o cachorro e uma mulher mais jovem e negra, tous en train de s’en parler. Uma garota bem nova oriental e um garoto fumam na porta. 10 minutos, anda até o prédio, sobe as escadas, entra, mais um gole no vinho, outro gole na internet, desce as escadas, sai porta afora. Guarda cada peça de roupa, não sem antes dobrás-la cuidadosamente. Uma jovem diz bon soir e sorri ao sair. A garota oriental e o garoto discutem sobre roupas de cama. Um jovem negro e bonito aguarda sentado. Sobraram toalhas úmidas, A recoloca-as na secadora, pega as duas sacolas das roupas já secas, dobra a esquina, sobe as escadas, entra, larga tudo sobre a cama, mais uma olhada no vinho, outra na internet, 10 minutos, desce, bufa até a lavanderia, entra, dobra roupas quentes na sacola enquanto o jovem negro bonito ainda sentado espera, sai, anda até o prédio, entra, sobe as escadas, entra em casa, larga tudo mais ainda sobre a cama, larga-se sobre o sofá, último gole de vinho, última olhada na internet…

Glamour parisiense.

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The onion…

17/09/2009 · Deixe um comentário

“I am tired from changing planes so often. Waiting in the waiting rooms, bus stations, train stations, airports.
I am tired of waiting for endless passport controls.
Fast shopping malls in shopping malls.
I am tired of more career decisions:museum and galllery openings, endless receptions, standing around with a glass of plain water, pretending that I am interested in conversation.
“I am tired of my migrane attacks.
Lonely hotel rooms, room service, long distance telephone calls, bad TV movies.
I am tired of always falling in love with the wrong man.
I am tired of being ashamed of my nose being too big, of my ass being too large, ashamed about the war in Yugoslavia.
I want to go away, somethere so far that I am unreachable by fax or telephone.
I want to get old, really old so that nothing matters any more.
I want to understand and see clearly what is behind all of this.
I want not to want anymore”

… the amazing beauty of Marina Abramovic being slowly deformed while she eats an onion. Her voice in off.

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