Breathe, inhale, exhale…

Rápidas… Paris

03/11/2009 · 1 Comentário

Para os amantes da cidade luz, ou para os que estejam de passagem por essas bandas nos próximos tempos, alguns programas imperdíveis são:

Exposições:

elles@centrepompidou : ainda a melhor exposição em cartaz, como já comentei exaustivamente aqui.

Deadline, no Musée d’Art Moderne de la ville de Paris. Uma exposição interessante, que tem por tema a morte e como uma série de artistas produziu face à iminência da morte. Doença, idade, decrepitude, impossibilidades abrem lugar para uma produção vertiginosa, para mudanças, ou para obras desesperadas. Quando estiver no Museu, aproveite para dar uma olhada na exposição de Albert Oehlen, que continua a fazer em trabalho interessantíssimo mistura de sua action painting de outrora com intervenções feitas por computador, impressões digitais e colagens. Fora que o artista tem sido exposto em todos os cantos do mundo, o que torna ainda mais premente conhecer seu trabalho. E, por fim, uma vez no Musée d’Art Moderne de la ville de Paris, não deixe de passear pelo acervo permanente e, especialmente, pelas 4 instalações de Christian Boltanski, que são de tirar o fôlego. Sentar nas mesas do café do museu ao ar livre, observar as pessoas andando de skate perto do espelho d’água e aguardar o final do dia até o momento em que acendem as luzes a Torre Eiffel que fica ali do lado tornam o programa inesquecível.

boltanski

Joseph Kosuth no Musée du Louvre: não, você não entendeu mal. O papa da arte conceitual, um dos mais contemporâneos entre os contemporâneos mostra seus neons em pleno Museu do Louvre, em um projeto dessa instituição de trazer arte contemporânea para conversar com seu acervo. Suas obras estão nos fossos medievais do Louvre, uma aproximação imperdível para quem se interessa por arte. E sem jamais deixar de dar uma voltinha pelo museu, especialmente nas salas de pintura holandesa com seus Vermeers e naquelas da pintura do século XIX francês, com seus Géricault, Delacroix e Ingres, meu percurso favorito.

Comidinhas

Au Rocher de Cancale: um restaurante charmoso e acolhedor na Rue Montorgueil cuja especialidade são os frutos do mar e que serve um delicioso tartar de salmão. O lugar está sempre cheio, a comida é deliciosa e os preços são ótimos. Fora que passear pela Rue Montorgueil é sempre um programa divertido, devido à mistura de restaurantes mil com suas mesas nas calçadas, gente andando a pé nessa região em que carros não entram, e deliciosas e convidativas lojas de queijos, temperos, padarias, docerias, numa oferta de gostos e cheiros que deixa qualquer gourmand maluco.

Au Pied de Cochon: nos Halles, é outro restaurante tradicional, lotado de gente o tempo inteiro e que – maravilha! – fica aberto 24 horas por dia, uma raridade. Os pratos de carne de porco são saborosos, os pratos de frutos do mar são frescos e o pé de porco que dá nome ao lugar é uma experiência gelatinosa e interessante. De dia, é possível ainda passear pelos jardins de Les Halles, sempre cheios de mães com seus bebês, ou então descer as escadas rolantes até o centro comercial que fica sob os jardins e se jogar nas comprinhas.

Au chien qui fume: outro restaurante especializado em frutos do mar, próximo de Les Halles, tipicamente francês com suas mesinhas na calçada onde as pessoas se deixam ficar horas a fio em torno de um café e um livro, especialmente nos dias de sol. As ostras são deliciosas.

La Coupole: uma tradição parisiense, essa brasserie estilosa de Montparnasse onde muita gente famosa do naipe de Hemingway, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre já esteve, serve pratos saborosos em meio a uma decoração repleta de dourados e cores. O steak tartar é fantástico e a carne de cordeiro faz parte de seus pratos mais conhecidos.

Café de la Paix: outra instituição lendária, em frente à Opéra-Garnier, é um lugar suntuoso pelo qual também boa parte dos nomes importantes do último século e meio passou. Sente-se no terraço envidraçado, peça um vinho e uma soupe d’oignon (sopa de cebola, uma das maravilhas de inverno por aqui) e fique vendo o movimento das pessoas que passam freneticamente ali em frente, fora a beleza arquitetônica da própria Opéra.

Angelina: o salão de chá mais famoso da cidade, em frente ao Jardim das Tulherias, é um lugar charmosíssimo de decoração dourada e luxuosa, em que se pode comer doces inacreditáveis como o Mont-Blanc ou tomar um chocolate quente espesso que faz a alegria eterna de chocólatras do mundo inteiro como eu. A dica veio daqui.

Teatro

Sextett, de Rémi de Vos, no Théâtre du Rond-Point: teatro contemporâneo, de um humor mordaz e angustiante, para sabermos do melhor dessa nova safra de escritores e diretores franceses… Perturbador, como toda boa arte contemporânea tem sido.

Baladas

O lugar, ao menos para quem ama a música eletrônica, é o mundialmente conhecido Rex Club, com sua programação excelente e os djs famosos trazidos de todos os cantos do mundo para ali se apresentarem para um público animado, dançante e entendedor do que está ouvindo. Basta olhar na agenda e escolher sua noite: techno, electro, minimal… Nessa quinta, por exemplo, tem Sven Vaeth. Noutro dia teve Dopplereffekt. Dá para perder?

→ 1 ComentárioCategorias: Artsy · Infos · Paris · blogging on art · em português
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Nesta sexta-feira…

28/10/2009 · Deixe um comentário

… mesa-redonda sobre arte, crítica e psicanálise do EBEP-SP, em parceria com o EDEN e o b_arco.

Teremos Cristiano Mascaro, Henrique Siqueira e João Augusto Frayze-Pereira.

convite outubro 2009-dia 30

→ Deixe um ComentárioCategorias: Artsy · Infos · Sampa · blogging on art
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , ,

Sem palavras…

17/10/2009 · 4 Comentários

(english version below – version en français à la fin de ce commentaire).

helio_

90% da obra de Hélio Oiticica é perdida em incêndio, no Rio de Janeiro.

Leia a respeito aqui e aqui.

Qualquer um que se interesse minimamente por artes plásticas, em qualquer lugar do mundo, não apenas já deve ter ouvido falar como certamente respeita a obra que Hélio Oiticica produziu desde os anos 50, como um dos fundadores do neoconcretismo por essas bandas. Um dos primeiros artisas a por em cheque o distanciamento, as posições cristalizadas e os lugares do artista e do espectador, com uma obra rica, inovadora e ousada, além de estreitamente conectada com a cultura brasileira e o momento histórico-político em que foi feita. Lamentável e irreparável que um incêndio tenha levado embora boa parte dessa produção que nem chegou a ter todo o reconhecimento que mereceria, dado seu calibre. Faz chorar e lastimar que não haja uma política em relação a esse tipo de produção que garanta seu cuidado e preservação para além dos meandros das famílias, com suas heranças, perversidades e complicações. Obras desse escopo, ou são herdadas por todos e o Estado ou fundações cuidam de mantê-las, ou acabam não sendo de ninguém.

Pena.

tropicalia372

Brazilian artist Hélio Oitica works burnt by fire today at Rio de Janeiro, Brazil.

A fire burnt today more than 90% of renowed brazilian artist Hélio Oiticica. His works, known worldwide, since he has been one of the founders of the neoconcrete movement in Brazil since the 50’s, where placed at his family’s house and were completely burnt by a fire who consumed more than 1000 pieces. All these works should have been at Hélio Oiticica’s Center, which is run by the government and was responsible for taking care of the artist’s legacy. But, since the begining of the year, they have been removed to the family’s house due to the lack of an effective policy concerning works of this importance not only to our country, but to the artworld in general and, also, due to perverse aspects of the heritage laws concerning artistical and cultural relevant things, that should not be left into the control of one’s family and for their selfish profit, but either to be taken care by the government, or by a foundation in order to be profited by everyone.

What a shame and what a sad day.

Read more about it: here.

artwork_images_652_214872_helio-oiticica

Plus de 90% des oeuvres de l’artiste brésilien Hélio Oiticica détruites par un incendie

Aujourd’hui, à Rio de Janeiro, Brésil, un incendie chez la famille de Hélio Oiticica, l’artiste visuel mondialement connue par tous ces que s’intéressent pour l’art contemporaine, a brulé plus de 90% de son oeuvre. L’artiste, l’un des fondateurs du mouvement neo-concrète au Brésil, a été l’un des premiers à mettre en question la distance, les positions cristallisées, aussi que les lieux de l’artiste et du spectateur, notamment par la création de ses parangolés. Une oeuvre créative, riche et d’une osée impressionnantes, toujours tenant compte de la culture brésilienne aussi que du contexte historique et politique dans lesquels elle a été faite. Les oeuvres devraient être chez le Centre Hélio Oiticica, qui est géré par le gouvernement mais, dès le début de l’année, elles étaient placées chez la famille de l’artiste, grâce à l’absence d’une politique effective en ce qui concernent des productions artistiques et culturelles d’autant d’importance, encore laissées à l’égard de la perversité des lois d’héritage et aux soucis y compris, tel quelle la volonté des familles que, fréquemment, traitent de façon égoïste une production qui devrait être à disposition de tout le monde pour en profiter.

C’est dommage. Une perte incontournable.

Plus d’infos: LePoint et newspeg.

51T6G3SFSWL._SL500_AA240_

→ 4 ComentáriosCategorias: Artsy · blogging on art · em português · en français · in english
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

elles@centrepompidou…

08/10/2009 · 1 Comentário

Uma exposição de artistas mulheres da coleção do Museu Nacional de Arte Moderna? A princípio, faz torcer o nariz, prevendo uma mostra panfletária de uma arte feminista que nem sei se algum dia realmente existiu. Não é nada disso.

elles@centrepompidou é uma exposição em que estão apenas os trabalhos de artistas mulheres presentes na coleção do museu sim e o que se constata, para grande surpresa de quem, como eu, espera encontrar uma mostra limitada à reiteração de um discurso político mais do que conhecido e com ares de passado, é que artistas mulheres são artistas por meio das quais é possível contar a história da arte dos tempos mais recentes. Com produções de grande qualidade em todos o meios possíveis, da pintura à performance, das instalações aos trabalhos que fazem uso da tecnologia de ponta, do design à escrita, do vídeo à música, essas mulheres artistas se consagram a discutir todas as questões da arte que olha para si mesma, bem como as questões do humano. Artistas mulheres não fazem uma arte feminista (talvez feminina, mas isso precisaria de um bom tanto de reflexão antes de ser dito dessa maneira), mas uma arte universal, provocadora de pensamento e de impressões, como toda boa arte deve ser. Se o objetivo do Centre Georges Pompidou com essa exposição é o de colocar a diferença para mostrar como ela se dissolve numa universalidade que impede que sejamos agrupados em categorias, guetos ou gêneros, me parece que o trabalho é bem sucedido.

Então, quem passar por Paris nos próximos meses não deixe de ver a exposição do Centre Pompidou. Imperdíveis os registros de performances dos anos 60 e 70 de Valie Export e de Carolee Schneemann, bem como os vídeos perturbadoramente delicados de Ana Mendieta. Bom também reencontrar a tela que Niki de Saint Phalle matou com seus “Tirs” na década de 60. As Guerrilla Girls com seu discurso provocativo e panfletário ao lado de Jenny Holzer e suas frases de uma contundência e de uma violência poucas vezes vistas, até mesmo em seus próprios trabalhos. Confrontação parece ser um dos temas-chave dessa exposição. Confrontação no sentido de desconstruir o pretensamente sabido, diga-se.

Marina Abramovic com o registro de algumas de suas performances dos anos 70 que confrontam a idéia de beleza como fundamental para a arte e Cindy Sherman com suas fotografias sempre perturbadoras, colocando em cheque não apenas o belo, como também o humano. Pipilotti Rist, que está de passagem pelo Brasil, comparece com um vídeo projetado no chão, para ser pisado enquanto é visto e Sophie Calle e Orlan – que também estiveram por aí nesses tempos de ano da França no Brasil – também estão muitíssimo bem representadas, para quem ainda tem interesse no que elas fazem (o meu, confesso, se esgotou há algum tempo para esse tipo de arte tão espetacular e midiática. Se bem que, no caso de Orlan, a exibição de trabalhos e performances da década de 70 mostra a artista em toda a sua potencialidade mais disruptiva e interessante, coisa que não se pode dizer dos trabalhos escolhidos de Sophie Calle). O magnífico “Corps étranger” de Mona Hatoum pode ser visto em elles e guarda toda sua capacidade de desconcerto e de vertigem, mesmo mais de uma década depois e o mordaz “Semiotics of the kitchen” de Martha Rosler, que joga com o lugar da mulher na sociedade americana, ainda se mostra atual e pertinente. As fotografias andróginas de Claude Cahun e as já polêmicas fotos de Diane Arbus na década de 20 mostram como algumas pioneiras das artes visuais colocavam em questão estereótipos de de beleza, lugares sociais e definições do feminino. Sigalit Landau coloca um corpo de mulher para brincar com um bambolê de arame farpado, enquanto Tara Donovan faz um cubo de palitos de dente tão frágil que mal se pode chegar perto. A fragilidade andando de par em par com a ferida, com a dor, provocando a associação do feminino com o masoquismo, mais do que necessária de ser repensada no campo da psicanálise. Nós, brasileiras, podemos ter o gosto de encontrar trabalhos de Lygia Clark, Sônia Andrade e Anna Bella Geiger, mais respeitadas por aqui do que devidamente reconhecidos em nossas queridas terras brasilis.

Para cada uma dessas artistas que mencionei como imperdíveis é possível citar alguma outra que deixei fora de minhas marcas pessoais acerca de exposição, o que apenas vem confirmar o quanto elles@centrepompidou é boa e abrangente o suficiente para permitir que cada qual invente seu roteiro dentro dela.

O discurso feminista parece antigo e em desuso. Será mesmo que se tornou obsoleto? Vendo a exposição e as novas artistas de lugares como os países árabes que ali se encontram juntamente com todos esses grandes nomes que mencionei anteriormente, chego a crer que não. Se os movimentos se fazem em ondas, é possível que aquilo que nos grandes centros soe hoje datado ainda seja, em alguns cantos desse mundo, uma grande e insuspeita novidade. As artistas desses lugares nos trazem notícias disso. E, mais ainda, acreditar que em “centros do mundo” como a França a discussão proposta pelo feminismo já se esgotou é se dar por satisfeita com mudanças bastante superficiais. Pois não me parece que se trate apenas de uma reivindicação por direitos iguais – necessária – mas também de uma discussão que nem começamos a fazer a respeito da possibilidade de se conceber um modo de existência outro que não tenha o referencial fálico como máximo valor. Discute-se isso em psicanálise hoje em dia. As artes plásticas o trazem já há um bom tempo, e não apenas por meio de obras de artistas mulheres.

Por fim, para quem acha que arte feita por mulheres é feminista e, com isso, barulho inútil, sugiro uma derradeira olhada no trabalho que mais me tocou nessa exposição do Pompidou: o maravilhoso “Heartbeat” de Nan Goldin. Nan Goldin, consagrada por suas séries de fotos tão reveladoras de uma intimidade nua, crua e cruel da violência contra a mulher, da decadência das drogas ou das mazelas da AIDS na década de 80 em “Heartbeat” faz um surpreendente apanhado de fotografias sobre nada menos que o amor. Não o amor romântico dos contos de fada que prestaram um desserviço eterno para os psiquismos de muitas e muitas gerações de mulheres, mas o amor banal e cotidiano revelado nos gestos simples e profundos de casais de amigos. Olhares, gestos, toques, beijos, carícias, sexo, orgasmos… nada espetacular, mesmo com a prresença da câmera, nada performático. Apenas aquela fragilidade funda que nos afeta a todos quando amamos.

Se alguém puder falar melhor de amor do que isso, ou se tal experiência couber apenas nas categorias de uma arte feminina, que atirem a primeira pedra. No mais, quem souber do que estou falando, corra para o museu.

Bravo, elles!

(Conheço um blog excelente com dicas para quem vem a Paris, o Conexão Paris. Portanto, não me darei nem ao trabalho de fazer toscamente o que a Maria Lina faz tão bem. Fica aqui apenas um relato de impressões, mais do que dicas de viagem, ok?)

→ 1 ComentárioCategorias: Artsy · Paris · blogging on art · em português
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Nessa sexta, não percam…

23/09/2009 · Deixe um comentário

… mesa sobre arte, crítica e psicanálise.

Entrada gratuita.

convite setembro 2009

→ Deixe um ComentárioCategorias: Artsy · Infos · blogging on art
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , ,

Takes…

22/09/2009 · Deixe um comentário

A desce as escadas com uma sacola em cada mão. Caminha até a lavanderia da esquina. Roupas na máquina, sabão, amaciante, 40 minutos. Um homem de idade com um cachorro e um cobertor, sua sacola de roupas amarela, estilo carrinho de feira. A caminha até o prédio, sobe as escadas, entra. Sabão e amaciante guardados, sacolas vazias no chão. Senta-se, toma um vinho. De volta à internet.

40 minutos. A desde as escadas, caminha até a lavanderia da esquina, retira tudo da máquina e coloca na secadora. Peça por peça. O homem de idade, o cachorro e uma mulher mais jovem e negra, tous en train de s’en parler. Uma garota bem nova oriental e um garoto fumam na porta. 10 minutos, anda até o prédio, sobe as escadas, entra, mais um gole no vinho, outro gole na internet, desce as escadas, sai porta afora. Guarda cada peça de roupa, não sem antes dobrás-la cuidadosamente. Uma jovem diz bon soir e sorri ao sair. A garota oriental e o garoto discutem sobre roupas de cama. Um jovem negro e bonito aguarda sentado. Sobraram toalhas úmidas, A recoloca-as na secadora, pega as duas sacolas das roupas já secas, dobra a esquina, sobe as escadas, entra, larga tudo sobre a cama, mais uma olhada no vinho, outra na internet, 10 minutos, desce, bufa até a lavanderia, entra, dobra roupas quentes na sacola enquanto o jovem negro bonito ainda sentado espera, sai, anda até o prédio, entra, sobe as escadas, entra em casa, larga tudo mais ainda sobre a cama, larga-se sobre o sofá, último gole de vinho, última olhada na internet…

Glamour parisiense.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Azedume · Paris · em português
Etiquetado: , , , , , ,

The onion…

17/09/2009 · Deixe um comentário

“I am tired from changing planes so often. Waiting in the waiting rooms, bus stations, train stations, airports.
I am tired of waiting for endless passport controls.
Fast shopping malls in shopping malls.
I am tired of more career decisions:museum and galllery openings, endless receptions, standing around with a glass of plain water, pretending that I am interested in conversation.
“I am tired of my migrane attacks.
Lonely hotel rooms, room service, long distance telephone calls, bad TV movies.
I am tired of always falling in love with the wrong man.
I am tired of being ashamed of my nose being too big, of my ass being too large, ashamed about the war in Yugoslavia.
I want to go away, somethere so far that I am unreachable by fax or telephone.
I want to get old, really old so that nothing matters any more.
I want to understand and see clearly what is behind all of this.
I want not to want anymore”

… the amazing beauty of Marina Abramovic being slowly deformed while she eats an onion. Her voice in off.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Artsy · blogging on art
Etiquetado: , , , , , ,

Je pars…

02/09/2009 · Deixe um comentário

Eu vou. Embora.
Daquilo que não me faz partir.
De onde e de quem amo.
Embora do que deu certo.
Daquilo que conquistei.

Je ne pars pas de ce qui ne fait pas du sens mais, au contraire, de tout ce qui a mis du sens dans ma vie.

I’m going. Away.
From what doesn’t make me go.
From where and from whom I love.
Away from what went right.
From what I conquered.

Embora de tudo o que é bom. Embora para tudo de bom.

A verdadeira escolha é essa que se dá entre tudo o que é bom: não precisar ir, mas escolher ir. Não precisar mudar, mas escolher a mudança. Outra vez.

Novamente.

I choose to change again. No need to. But I choose. Choose to go and choose to change. Choisir de partir, choisir de changer… de nouveau… C’est un mouvement éternel…

Je ne pars pas de ce qui ne fait pas du sens mais, au contraire, de tout ce qui a mis du sens dans ma vie.

Je pars comme celui qui reviens. Je pars pour revenir.

Eu parto como quem volta, parto para poder voltar, parto porque apenas na partida se conquista a volta e aquilo que se tem no regresso.

I leave to gain the entire world. I leave to gain what belongs to me, what I belong to. I leave to gain myself. I leave in order to have achieved myself.

Eu vou porque, na ida, se conquista aquilo que sempre se teve. Aquilo que sempre esteve ali.

Eu vou. Je pars. Eu parto.
I’m leaving. I’m going away.

Goodbye.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Blah blah blah
Etiquetado: , , , , , ,

Amanhã… mesa-redonda de arte, crítica e psicanálise…

27/08/2009 · Deixe um comentário

… retomando as discussões dos semestres anteriores.

Não percam, será uma conversa interessante a partir do trabalho do Nuno Ramos.

convite agosto 2009

→ Deixe um ComentárioCategorias: Artsy · Infos · blogging on art
Etiquetado: , , , , , , , , , , , ,

Baladas cariocas…

18/08/2009 · 3 Comentários

Está aí um assunto delicado, tão delicado quanto dar dicas gastronômicas no Rio, especialmente para quem vive ou conhece São Paulo, onde se tem uma infinidade de opções para cada estilo de balada que se possa sonhar em fazer, bem como para cada tipo de comida que se queira saborear. O Rio não tem seu forte em baladas ou comidas – o que nem chega a importar muito, dado tudo o mais que a cidade oferece – mas, ainda assim, existem baladas bem divertidas por lá. Aqui vão algumas:

Sambas:

Para ficar no tradicional, que funciona e em que há opções múltiplas, o melhor é cair logo no samba, porque nisso os cariocas são especialistas. Assim:

- Vá ao menos a um ensaio das Escolas de Samba. Ao menos um na vida. É necessário. É ali que as coisas acontecem, que o samba é de verdade, que as pessoas são de carne e osso e que a bateria soando alto atordoa os pensamentos e traz à tona os sentimentos mais inesperados. A Mangueira, minha escola de coração desde que me entendo por gente e que comecei a gostar de sambar, mesmo não sendo uma carioca e nem vivendo no Rio de Janeiro, ensaia todos os sábados na sua quadra, no morro da Mangueira, onde as pessoas recebem a todos com muita generosidade, carinho e orgulho e ainda se pode encontrar com personagens históricas do samba, aquelas que só se viu pela TV nos desfiles e que, acreditem, estão lá cantando, dançando e se divertindo.

- Na Lapa, o atual bairro boêmio do Rio, é onde tudo acontece. Bares e casas de samba aos montes, gente andando pelas ruas durante toda a noite e madrugada, o que torna os arredores bastante seguros para se flanar sem rumo, de bar em bar, observando as pessoas, bebendo, dançando, se divertindo… Os arcos emolduram a vista e a multidão vageuia em busca da balada perfeita para aquela noite, quer seja fazer uma degustação das deliciosas cachaças do Mangue Seco, ou então dançar ao som de samba, chorinho e gafieira no Rio Scenarium, ou ainda escutar e dançar samba cantado por novos e antigos nomes do samba carioca no delicioso Carioca da Gema. Há muitos lugares a se descobrir nessas vizinhanças e a diversão vai noite adentro.

- Em Laranjeiras, há o Chorinho que acontece todos os sábados na feira de rua da General Glicério. Músicos se encontram por ali e tocam o delicioso ritmo acompanhado pelos pastéis e caldo de cana da barraca ao lado. Sem falar que Laranjeiras é um bairro agradabilíssimo, cheio de recantos como esse em que a feira acontece, com seus prédios baixos, as ruas arborizadas e silenciosas (exceto em dia de chor, claro).

Eletrônicos:

Para os aficcionados em música eletrônica, como eu, a coisa se complica um pouco. A melhor solução é comprar o jornal e ver se algum desses excelentes djs cariocas está tocando na cidade: Maurício Lopes (com seu repertório inacreditável, gigantesco e sets intermináveis, coloca até defunto na pista de dança), Schild (totalmente underground, possui um repertório classudo e fora do comum, é O cara do techno carioca), Ivan LP (sempre fino, com excelentes faixas do melhor que há em termos de techno). Se qualquer um deles estiver por aí, pode ir onde quer que seja que a música é garantida.

Outra possibilidade interessante é ver se está acontecendo uma festa MOO, uma das poucas festas de música eletrônica decentes, preocupadas com bom repertório, repleta de djs de qualidade de que ainda se tem notícia em nossas malfadadas terras brasilis quase sem opções eletrôncias nos tempos atuais.

Por fim, vale tentar algum desses clubes, que tem ou tiveram história em oferecer boa música eletrônica: Fosfobox (um clássico), Dama de Ferro (o site está sempre desatualizado, mas costumava ser diversão garantida para gays, héteros e afins de boa música) e 00 (misto de restaurante e pista de dança, mais novinho e hypado).

Inclassificáveis:

- No quesito achado, o prêmio vai, sem dúvida, para o Buraco da Lacraia. Localizado na parte decadente do centro do Rio de Janeiro, esse casarão antigo e mal cuidado abriga um misto de bar, karaokê, pista de dança, snooker, fumódromo a céu aberto e tudo o mais. Funciona de sextas e sábados, é um clube gay que recebe muitíssimo bem a todos, de todos os gêneros e lugares, de todas as classes sociais, dos modernos aos caipiras, dos famosos aos anônimos, formando a multidão dançante mais divertida da qual já tive a oportunidade de participar. As músicas são mais comerciais mas, depois de pagar a entrada que te dá direito a beber de graça durante a noite toda e, ainda por cima, depois de ser servida por garçons que vestem nada mais do que um aventalzinho diminuto cobrindo algumas partes… toda e qualquer música vira uma festa para se dançar até dizer chega. Imperdível.

_____________________________________________________________________________________________________________

Mais sobre o Rio: programas a céu aberto – aqui
a boemia carioca – aqui
gastronomia – aqui

→ 3 ComentáriosCategorias: Infos · Rio de Janeiro · blogging on Rio
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,