Breathe, inhale, exhale…

E… et… and?

09/02/2010 · Deixe um comentário

E agora que o tempo acaba?

Et maintenant que le temps finisse…

……………

And now that time is gone?

E quando não há mais tempo? Et quand il n’y a plus de temps? And when there’s no more time?

E quando há tanto tempo que é possível desperdiçar tempo? Et quand il a autant de temps qu’il est possible de le gaspiller? And when there’s so much time that it’s possible to waste it?

…………..

E agora que há todo o tempo do mundo?

Et maintenant qu’il y a tout le temps?

And now that there’s all the time? And now that we have all the time? All the time ahead of us?

E quando se deseja devorar o tempo? Et quand on désire dévorer le temps? Et quando on désire dévorer? Et quand on a envie de tout dévorer? Et quand on désire dévorer la vie en toute urgence? And when you wish to eat time…

E o tempo te devora? …And time eats you?

Et c’est le temps qui te dévore?

O que fazer para parar o tempo? Comment arrêter le temps? How to stop time?

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Rápidas… Paris

27/01/2010 · Deixe um comentário

Paris continua linda, invernal e repleta de coisas a descobrir. As boas do momento:

Para estômagos gourmands…

- Um passeio pela Rue Montorgueil, uma rua de pedestres em que as pessoas vão para comprar comida. Isso significa lojas de tempeiros incríveis, frutarias, o peixeiro vendendo frutos do mar maravilhosos e frescos, ao menos umas 3 boulangeries excelentes, uma das quais faz uma baguette com azeitonas deliciosa e um moelleux – um bolo de chocolate mole por dentro – que é de chorar e agradecer aos céus pelo chocolate inventado… As padarias, aliás, por vezes vendem uns sanduíches prontos em baguettes crocantes e umas quichês maravilhosas, ou seja, são capazes de prover uma refeição completa para quem pode passar com algumas calorias a mais. Enfim, continuando pela Rue Montorgueil, há ali também um ótimo chocolatier, Charles Chocolatier, ao menos uma doceria excelente, a Stohrer, que além dos doces incríveis e impossíveis de escolher, serve salgados bem preparados e apetitosos, um açougue / charcuterie onde é possível encontrar presuntos e linguiças deliciosos, uma boa loja de vinhos, sempre com boas ofertas e, minha paixão pessoal, os fromagers… Ah, os fromagers fazem a alegrie de qualquer pessoa de bom senso que goste de se arriscar no mundo dos queijos. E de queijos a França está absurdamente bem servida… Meus destaques pessoais em termos de queijo são o Mont d’Or, que descobri graças à Lina, a quem devo de joelhos a melhor experiência queijeira da minha vida, o Beaufort, que lembra um parmesão mais molinho, o Tomme de Savoie e seus furinhos deliciosos, o Epoisses super forte e cremoso e o Comté, um Beaufort versão mais suave, que os hóteis servem no café da manhã, veja que maravilha… Depois desses queijos, fica bem difícil se conformar com um emmental ou um gouda, que passam a parecer massas sem gosto algum… Ah, viva os franceses e seus queijos!

E para quem tiver preguiça (!?!?!!!) de se aventurar por essas delícias gastronômicas, na Rue Montorgueil há uma série de restaurantes e bistrots simpáticos, sempre movimentados, de onde é possível acompanhar os fluxos dessa rua deliciosa e, ainda, comer bastante bem. O Au Rocher de Cancale, por exemplo, fica logo ali.

- Hélène Darroze é uma chef criativa, que trouxe sua culinária do sul para Paris e, de uma maneira leve e saborosa, propõe uma experência gastronômica caprichada do começo ao fim de cada refeição. Primeira chef mulher duas estrelas no Guia Michelin, suas trufas, texturas e frutos do mar deliciosos valem cada euro empenhado. E é bom correr, antes que a terceira estrela faça os preços subirem tão às alturas quanto você ao provar dessa cozinha…

- Ladurée: sim, os macarons. Todos eles. De todas as cores. De todos os sabores. Cremosos por dentro. Inigualáveis.

- Chez Bébert, restaurante marroquino que, dizem, faz os melhores couscous da cidade. Em Montparnasse, o que já é em si um grande programa, já que os arredores da torre mostram uma cidade completamente diferente da Paris haussmanniana, com uma mistura de antigo e vidros, luzes, luminosos, barulho, agito, propaganda e gente, muita gente, o restaurante vive abarrotado e suas enormes porções tornam lento o processo de degustar e difícil o de levantar e caminhar até a porta para sair. Uma orgia gastronômica. Delicioso.

Artsy spirits:

- Christian Boltanski no Grand Palais. Ele, que estará na próxima Bienal de Veneza como representante da França, apresenta um novo trabalho que ocupa, até final de fevereiro, o hall maravilhoso do Grand Palais. Alguns de seus trabalhos estão no Muséé d’art moderne de la ville de Paris e valem a visita daqueles que se intressam pelas obras desse artista uma vez que, em se tratando de Boltanski, registro, memória e uma certa desolação de perda e vazio sempre se misturam de modo a tornar cada instalação grandiosa uma experiência de silêncio, melancolia e pesar. O tempo que passa… Boltanski vale a pena. Not to be missed.

- Derrick Carter, o papa da house de Chicago vem aí. Para variar, no Rex club.

- O filme / conto sobre Serge Gainsbourg, que acaba de sair por aqui e que é excelente. Gainsbourg, vie héroïque mistura uma estética de quadrinhos de seu diretor com uma iluminação dramática, belas cenas, interpretações excelentes e uma trilha sonora que dispensa apresentações. Gainsbourg é totalmente hype de novo, se é que algum dia deixou de ser. L’homme à la tête de chou virou espetáculo de dança há uns meses atrás e agora o filme. Fora a filha Charlotte, que está arrasando com disco novo. Bem, os franceses têm lá o seu charme musical, não?

- La merditude des choses, filme belga inquietante sobre uma família de loosers pela perspectiva do menino, filho de um dos irmãos ogros para os quais o nome e o álcool são das coisas mais importantes nessa vida. Como se salvar disso? Mas será mesmo necessário se salvar da própria história para ultrapassó-la e poder ser algo além? A ver. A ver o filme.

- A remontagem de Parades & changes, replays, espetáculo de dança polêmico dos anos 60 feito por Anna Halprin. Performance que passa por momentos da arte, de Mondrian aos surrealistas, espetáculo de dança perturbador, com direito à música eletroacústica, improvisações, modos de tratar o nu e os gestos cotidianos inesperados, cenas de rara beleza, jogo de cores, de luzes, de corpos, de movimentos, ironia… O papel kraft e os corpos pálidos ali no meio criam um som de chuva, uma cena de naufrágio como uma balsa de Gericault de corpos e papéis… Magnífico! No Centre Pompidou.

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01.01.10

06/01/2010 · Deixe um comentário

Bem vindo, novo ano…

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Rápidas… Paris

11/12/2009 · 1 Comentário

Continuam as imperdíveis para quem está por essas bandas em tempos de final de ano.

Comidinhas:

Autour de midi… et minuit: um restaurante simples na região de Montmartre, estilo cuisine du marché, o que quer dizer que eles fazem a cada dia um menu diferente dependendo do que está bom naquela estação, do que encontraram no mercado e afins, o que torna tudo bem interessante, fresco e saboroso. No subsolo, ainda, há uma cave com shows de jazz de ótima qualidade para emendar a noite. E sair do restaurante a pé, ver tanta gente na rua em todos os outros bares e restaurantes da região e, mais, a fauna interessante que fica nos arredores do Moulin Rouge, mistura de turistas, prostitutas, jovens que vão num clube de rock ali perto… essa diversidade encantadora é impagável.

Le moulin de la galette: sabe aquele quadro famoso do Renoir em que há uma festa cheia de pessoas felizes se divertindo? Então… no Moulin de la Galette, que ele não foi o único a eternizar em pintura. A fachada com o moinho é de gosto duvidoso, mas a comida é correta, o lugar é interessante e subir as ruas de Montmartre até o restaurante e, após a refeição, continuar subindo para dar uma voltinha ali no buchicho que cerca a igreja de Sacré Coeur é um programa bem gostoso. Montmartre é um bairro noturno, boêmio, cheio de bares, teatros, cabarets, gente nas ruas, divertido para visitar a qualquer tempo. Fora a vista que se tem da cidade.

Café de Flore: o famoso café em que a intelectualidade francesa se reunia e ainda se reúne. Sartre, Camus, Simone… a lista é infindável, o lugar é charmoso, a comida é bem saborosa, o preço leva em conta a fama e os turistas, mas é acessível e, ainda, fica em Saint Germain des Près, um bairro encantador, cheio de gente bonita, lojas sofisticadas e agito.

Café les deux Magots: o rival do Café de Flore, igualmente histórico, igualmente famoso, igualmente interessante… com direito a estar onde estiveraram Picasso, Gide, Hemingway, Léger… chocolate quente feito de barras derretidas, comida saborosa… Bem, já que vamos em um, vamos no outro também para tirar a dúvida, não?

Brasserie Lipp: sim, um terceiro, ainda em Saint Germain des Près, ainda nooo Boulevard Saint Germain, ainda tradicional, famoso, frequentado por toda a intelectualidade francesa, especialmente pelos políticos, ótima comida…

Fauchon: sim, o traiteur, a cave, a boulangerie, a pâtisserie, o salon de thé… Doces, salgados, chás… não importa, tudo é delicioso, lindo, bem cuidado naquele ambiente rosado de decoração impecável, bem ao lado da igreja da Madeleine, não há como não se regalar com tantas delícias. O mais difícil é escolher.

Patrick Roger: O chocolatier com O maiúsculo, para os chocólatras do mundo todo, é uma perdição em pequenas porções e, também, um problema. Depois que você prova os chocolates do Patrick Roger, fica complicado comer seus Chokito diário… Se quiser uma descoberta ainda mais encantadora, vá para a pequena e charmosa cidade de Sceaux, próxima a Paris, passe o dia perambulando pelos incríveis jardins simétricos do Parc de Sceaux e termine a tarde caminhando pela saborosa Rue Houdan, uma rua gastronômica com direito a girolles, pães, frutas, frutos do mar… e o famoso chocolatier. Um prazer do começo ao fim.

Teatro:

Le premier amour, de Samuel Beckett, interpretado pelo excelente Sami Frey, um dos mais aclamados atores franceses, em um pequeno e simpático teatro de Montmartre, o Théâtre de l’Atelier, um espetáculo maravilhoso, forte e incômodo, que fala do amor com cinismo, por meio das suas impossibilidades. Imperdível.

Slava’s Snowshow no Silvia Monfort Théâtre é um espetáculo onírico, feito por clowns, com direito a bolhas de sabão, bolas gigantes, personagens engraçados, músicas e referências conhecidas. Uma alegria para crianças e adultos, em um espaço bastante simpático e afastado do centro da cidade, o que torna o passeio ainda mais curioso, para se conheer outras faces de Paris.

Baladas:

La PanPan de CuCul: uma festa todas as quintas-feiras, cheia de glamour, com direito a Sebastien Tellier e outros charmosos da discotecagem francesa, cada vez com um dress code divertido, de máscaras a gloss, o tipo de festa para rir e dançar até não poder mais.

E, de novo, o imbatível Rex Club que, nesse domingo, traz Laurent Garnier alll night long. Quem conhece o dj e o que ele faz quando passa uma noite inteira no controle das pickups que se cuide. De techno a drum&bass, o melhor dj do mundo, com um dos melhores repertórios do mundo e com uma ousadia de menino… é para acabar com a semana inteira que virá a seguir…

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Outras dicas parisienses: aqui e aqui.

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Rápidas… Paris…

28/11/2009 · 1 Comentário

As imperdíveis do momento, aqui em Paris:

Dançantes:

Para quem estiver por aqui no começo de dezembro, Robert Hood toca no lendário Rex Club na sexta-feira, dia 04/12 e Carl Craig toca no dia seguinte, 05/12, junto com Agoria. Ou seja, é o caso de se mudar para o clube no final de semana e só sair de lá no domingo ao final da manhã, pois não há como a música eletrônica ficar melhor do que isso. Esses garotos de Detoit…

Em um estilo completamente diferente, o Favela Chic, misto de restaurante brasileiro e soirée dançante começa suas noites com comidinhas que são nossas familiares em terras brasilis e, com um som de fundo que aumenta com o passar da noite, transforma-se em uma balada hilária regada a caipirinha feita realmente com cachaça (aqui, muitas vezes, costuma-se usar rum no lugar de pinga, o que cria um arremedo de caipirinha que nem merece comentários, de tão ofensivo), e uma mistura de samba, funk carioca, funk americano, salsa e sabe-se-lá-mais-o-quê que gente de todos os cantos do mundo dança como se tivessem aprendido em aulas de dança de salão… Não há como não se divertir o tempo todo…

Expos:

Chasing Napoleon no Palais de Tokyo:arte contemporânea daquelas bem cabeçudas, exposição montada a partir de adventos tais quais Unabomber e sua cabana em meio à floresta, Saddam Hussein encontrado escondido em um buraco na terra e afins, as obras mostram o contrário da espetacularização criada em cima de pessoas, fatos e eventos, criando um desconforto e uma falta de referências. Aproveite o passeio para apreciar o belo prédio que abriga, além do Palais de Tokyo, também o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, que possui um excelente acervo e exposições temporárias muito interessantes (como comentado aqui), fora – insisto novamente – sentar-se nas mesas do café entre os dois museus, contemplar o espelho d’água um pouco abaixo, as pessoas andando de skate, o Sena e, ao cair da noite, as luzes da Torre Eiffel sendo acesas e dando espetáculo. Não, não se pode perder isso…

Pierre Soulages no Centre Pompidou: a retrospectiva do pintor francês está excelente e instigante, partindo de primeiras pinturas de preto sobre papel, passando por preto aquecido por cores até chegar em enormes telas negras inacreditáveis, em que a cor vira textura, vira efeitos de luz, vira cortes… Enfim… Soulages mostra de um modo poderoso que uma tela preta pode ser mais enriquecedora e cativante do que se poderia imaginar… Pura luz.

L’Âge d’Or Hollandais na Pinacothèque de Paris: pintura holandesa… Johannes Vermeer… acervo do Rijksmuseum de Amsterdam… Precisa dizer algo mais?

Teatro, concertos, dança e afins:

No final do ano, parece que tudo acontece nessa cidade, uma infinidade de espetáculos, concertos, shows, peças de teatro… a arte parece tomar conta e tudo e, por aqui, as pessoas realmente aproveitam absolutamente tudo o que lhes é oferecido em termos culturais. Uma perdição, é até difícil escolher. Mas aqui vão alguns palpites:

Os espetáculos de teatro e de dança do Théâtre National de Chaillot: com uma programação impecável, especialmente no que tange à dança contemporânea, é um excelente lugar para assistir ao que de melhor se produz aqui ou ao redor do mundo. Entre festivais e exposições, e com um hall envidraçado de pé diteito altíssimo exibindo uma magnífica vista da Torre Eiffel em close, é possível ver de Trisha Brown a Saburo Teshigawara se apresentando por ali. Neste mês tem Robert Lepage com o espetáculo Le Dragon Bleu e, ainda, Blanche Neige com coreografia aclamada de Angelin Preljocaj e figurino de Jean Paul Gaultier…

L’Homme à tête de chou, no théâtre de Rond-Point: recriação do disco homônimo de Serge Gainsbourg dos anos 70 e que se tornou um cult feito por Alain Bashung e coreografado por Jean-Claude Gallotta, um dos maiores coreógrafos da atualidade francesa. Excelente, incômodo e irônico. Sair do teatro e caminhar até a Avenue des Champs-Elysées ali do lado, seguindo as luzes de Natal e passando por uma interminável sequência de casinhas brancas que constituem um dos vários mercados de Natal, com de tudo um pouco para vender e comer, até chegar na imensa roda-gigante montada na Place de la Concorde e, dali admirar os vários momumentos da cidade, todos ao alcance dos olhos, em uma noite fria de outuno/inverno, com as ruas apinhadas de gente… ah… é sonho.

As audições de órgão da catedral de Notre Dame de Paris, que vão de setembro à dezembro, todos os domingos, às 16:30 horas e são gratuitas. A Catedral é belíssima, isso está posto. Não se pode não visitá-la. Mas com essa luz pouca de inverno, o órgão tocando ao fundo um repertório apurado, nas mãos de músicos de extrema qualidade, os vitrais e velas bruzuleando sombras e nesgas de luz, toda aquela grandiosidade gótica torna qualquer um quase religioso…

Para as noites de Natal e Ano Novo, nada como um espetaculo no Opéra de Paris, seja no antigo e deslumbrante Garnier, seja no moderno e sofisticado Bastille. Parece que se trata de um programa tipicamente francês e, neste ano, a programação traz balletts como O Quebra-Nozes e óperas como Platée.

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Outras dicas parisienses: aqui e aqui.

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Terceiro sobre a Bienal de Veneza…

13/11/2009 · 1 Comentário

… e último. Agora com os highlights das representações nacionais:

* Japão, com a artista Miwa Yanagi, que cobriu o pavilhão com uma espécie de tenda negra dentro da qual encontramos fotografias gigantescas de mulheres-deusas deformadas, imponentes e assustadoras, tal qual um mundo de sonhos e mostruosidades daqueles que nos fazem pesadelos à noite.

Veneza 667- Bienal - Japão - Miwa Yanagi

* Rússia, especialmente os artistas Anatoly Shuravlev com suas esferas de cristal pontilhadas de fotos minúsculas de pessoas, assim como a parede negra que as cerca, criando uma constelação de memórias; Alexei Kallima, com sua inusitada sala completamente coberta por um afresco de pessoas fluorescentes que parecem estar em um estádio de futebol, quando o som dessa torcida se faz ouvir e a luz de um estalo se acende, sumindo então todas as imagens; e, ainda, Andrei Molodkin, com seus miniaturas da Vitória de Samotrácia, nas quais é bombeado sangue humano de tempos em tempos o que, ampliado em uma tela, faz com que a escultura se escureça e adquira sangue que lhe corre pelas veias… os russos surpreendem por sua inventividade, pelo uso da tecnologia e pelo lirismo de suas obras.

Veneza 647- Bienal - Russia - Anatoly ShuravlevVeneza 650- Bienal - Russia - Alexei KallimaVeneza 653- Bienal - Russia - Andrei Molodkin

* Itália, com um pavilhão excelente e consistente, repleto de artistas que criam o interesse de acompanhar mais de perto aquilo que é produzido em seu país, onde se fez uma Homenagem a Marinetti. Destaque para as pinturas irônicas de Gian Marco Montesano e as hilariantes pops de Nicola Verlato, as esculturas perturbadoras de Aron Demetz e a inusitada instalação de Bertozzi e Casoni, fora o vídeo de extremo apelo retiniano do coletivo Masbedo.

Veneza 259- Bienal - Italia - Gian Marco MontesanoVeneza 286- Bienal - Italia - Nicola VerlatoVeneza 304- Bienal - Italia - Aron Demetz

* Polônia, com o artista Krzysztof Wodiczko, com a incrível instalação “Guests”, em que projeções de vídeo criam janelas de vidros opacos das quais se vê um cenário no qual pessoas passam, trabalham, conversam, como se fôssemos voyeurs da vida cotidiana dessa gente opaca que, por vezes, nos espiona pelas janelas…

Veneza 786- Bienal - Polônia - Krzysztof Wodiczko

* Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, que em seus dois pavilhões criaram a excelente, irônica e impecável instalação “The Collectors”, na qual os lugares se transformam em duas casas repletas dos mobiliários dos designers nórdicos às pinturas de Hernan Bas, passando pela construção de ambientes sempre um tanto perturbadores, mesas rasgadas por um terremoto, poltronas derretidas, uma escada desmoronada, uma cesta de piquenique perto de uma cadeira de sol com roupas abandonadas, até o sujeito afogado na piscina… cenas cotidianas, cenas de um filme, os pavilhões prescindem da mostração para criar de fato um ambiente, tão mais surreal quanto mais comum.

Veneza 698- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e SuéciaVeneza 710- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e SuéciaVeneza 701- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e SuéciaVeneza 705- Bienal - Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia

* Chile, com o artista Ivan Navarro e seus jogos de luzes e suas referências à história da arte.

Veneza 214- Bienal - Chile - Ivan Navarro

* América Latina com, entre outros, a interessante Raquel Paiewonsky e suas meias de seda tornadas arte, também conhecida de exposições que ocorreram há algum tempo no Museu do Brooklyn.

Veneza 186- Bienal - América Latina - Raquel Paiewonsky

* França, com a oprimente instalação de Claude Lévêque, em que bandeiras negras são vistas por entre grades que nos aprisionam nessa referência perdida de Delacroix e Géricault, com suas bandeiras agitadas agora perdidas de esperança.

Veneza 685- Bienal - França - Claude Lévêque

* EUA, com Bruce Nauman, que dispensa apresentações e é sempre de uma inteligência mordaz em suas produções.

Veneza 722- Bienal - EUA - Bruce Nauman

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Mais sobre a Bienal de Veneza aqui e aqui.

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Bienal de Veneza… (continuação)

12/11/2009 · 4 Comentários

Ainda os highlights da Bienal propriamente dita, agora no Giardini:

* John Baldessari, com seu senso de humor ácido, que transformou a fachada da Bienal em um paraíso tropical cliché.

Veneza 444- Bienal - John Baldessari

* Philippe Parreno, com uma exibição genial de um vídeo sobre telas de Rauschenberg e música de John Cage, ele sabe se colocar em boa companhia, no mínimo.

Veneza 472- Bienal - Philippe Parreno

* Gutai: a sala dedicada ao movimento nipônico dos anos 50 e 60 é, na minha opinião, a mais interessante, consistente e densa da exposição. Rever as ações e performances de seus artistas ou as recriações dos objetos por eles utilizados nessas ocasiões traz a exata dimensão do quanto a arte pode ser extremamente simples e certeira.

Veneza 492- Bienal - Gutai

* Toba Khedoori e seus desenhos belíssimos de objetos retirados de seus contextos e suspensos no vazio.

Veneza 514- Bienal - Toba Khedoori

* Hans-Peter Feldmann, com suas traquitanas, objetos e brinquedos dispostos de mil maneiras, de forma a criar um belíssimo jogo de sombras a partir de uma combinação bizarra de elementos.

Veneza 536- Bienal - Hans-Peter Feldmann

* Pietro Roccasalva, meu conhecido desde a exposição Senso Unico dos artistas italianos atuais no P.S.1 em 2008, com suas pinturas que lembram as deformidades e intensidades de Francis Bacon.

Veneza 540- Bienal - Pietro Roccassalva

* Simon Starling com a exibição da construção dessa máquina incrível de projeção de imagens:

Veneza 546- Bienal - Simon Starling

* Tomas Saraceno com sua instalação monumental em um grande hall que, o mesmo tempo invade todos os lugares e se faz presente sem, contudo, perder em leveza e discrição. Brincadeira arquitetônica de extremo bom gosto.

Veneza 562- Bienal - Tomas Saraceno

(yet to be continued…)

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Mais sobre a Bienal de Veneza 2009: aqui e aqui.

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Bienal de Veneza…

11/11/2009 · 2 Comentários

Além do fato de que Veneza continua sendo uma cidade lindíssima, mesmo debaixo de chuva e frio, o mais interessante de ir a uma Bienal de Arte é vê-la tomada por exposições por todos os lados. Além do pavilhão da Bienal propriamente dito e do Arsenale, as representações de cada país e outras mostras paralelas ocupam pavilhões do Giardini, prédios do Arsenale, palácios e igrejas por toda Veneza e circunvizinhanças, além das ruas, canais… enfim, tudo se torna um grande cenário para uma exposição gigantesca.

No geral, a proposta da Bienal, “Fazer Mundos”, oscilou entre abordagens mais rasas e chatas que enfatizam o mundo próprio a cada artista, beirando uma discussão sobre a subjetividade, a individualidade, o mundo que cada artista constrói com sua obra, ou idéias politicamente corretas pregando um mundo melhor, ecológicas, políticas, panfletárias e algo mais sutilmente ligado ao tema, marcando a criação de mundos e espaços a partir do fazer artístico, construção de realidades no sentido de materialidades, até uma certa recuperação histórica de artistas que trabalharam com essa questão. Uma mistura interessante, talvez podendo agradar a vários gostos, dando lugar a uma diversidade de abordagens, de proveniências, de suportes…

Enfim, meus highlights seguem ilustrados abaixo. Quem puder, há ainda mais duas semanas antes de terminada a exposição e, acreditem, vale a viagem.

Highlights da Bienal propriamente dita (no Arsenale):

* Lygia Pape no Arsenale, com uma instalação de tirar o fôlego de tanta beleza, inventando espaço e luz a partir das linhas.

Veneza 007 - Bienal - Lygia Pape

* Michelangelo Pistoletto, também no Arsernale. O italiano está em todas, dos museus às feiras de arte, e mostra que a Itália definitivamente não parou no Renascimento, produzindo trabalhos provocadores por meio de seus espelhos.

Veneza 010 - Bienal - Michelangelo Pistoletto

* Simone Berti, ainda no Arsenale, com seus delicados desenhos de grafite, carvão e sanguínea, falando sobre a fragilidade do mundo, uma fragilidade que vem do encontro inusitado entre natureza e maquinaria.

Veneza 044 - Bienal - Simone Berti

* Paul Chan, com uma espécie de teatro de sombras perturbador à la Marquês de Sade. Tudo recortado em papel, um trabalho primoroso. No Arsenale

Veneza 080- Bienal - Paul Chan

* Cildo Meireles, sim, estamos muito bem representados em Veneza e Cildo consegue permanecer inventivo sem se tornar formuláico como outros artistas da sua geração, com trabalhos muito impactantes, densos e conceituais como esse que ele mostra no Arsenale.

Veneza 105- Bienal - Cildo Meireles

* Sheela Gowda, artista indiana que fez uma bela instalação com cabelos humanos. Fragilidade suportando o peso.

Veneza 119- Bienal - Sheela Gowda

* Chu Yun, que fez um céu estrelado a partir da iluminação de uma infinidade de aparelhos eletrônicos em stand by. Pura poesia.

chu yun

* Mike Bouchet e sua típica casa de dois andares norte-americana brotando do meio das águas de um dos canais que cerca o Arsenale. Recentemente, na FIAC parisiense, ele invadiu o Jardim das Tulherias com suas esculturas bizarras e meio infantis, mostrando que está nesse deslocamento de objetos de seus contextos originais para outros inusitados o seu potencial de causar estranheza e questionamento, o que é bom à arte.

Veneza 244- Bienal - Mike Bouchet

* Tamara Grcic, outra que brinca com o estranhamento e com o insólito ao ancorar bóias cobertas de lonas num trecho inundado do Arsenale, todas encimadas por microfones que emitem sons de pratos e talheres sendo usados em refeições, de conexões discadas de internet, telefones que tocam e afins, como se de cada uma daquelas bóias brotasse algo impossível.

Veneza 249- Bienal - Tamara Grcic e Mike Bouchet

(To be continued…)

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Ainda sobre a Bienal de Veneza: aqui e aqui.

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Rápidas… Paris

03/11/2009 · 3 Comentários

Para os amantes da cidade luz, ou para os que estejam de passagem por essas bandas nos próximos tempos, alguns programas imperdíveis são:

Exposições:

elles@centrepompidou : ainda a melhor exposição em cartaz, como já comentei exaustivamente aqui.

Deadline, no Musée d’Art Moderne de la ville de Paris. Uma exposição interessante, que tem por tema a morte e como uma série de artistas produziu face à iminência da morte. Doença, idade, decrepitude, impossibilidades abrem lugar para uma produção vertiginosa, para mudanças, ou para obras desesperadas. Quando estiver no Museu, aproveite para dar uma olhada na exposição de Albert Oehlen, que continua a fazer em trabalho interessantíssimo mistura de sua action painting de outrora com intervenções feitas por computador, impressões digitais e colagens. Fora que o artista tem sido exposto em todos os cantos do mundo, o que torna ainda mais premente conhecer seu trabalho. E, por fim, uma vez no Musée d’Art Moderne de la ville de Paris, não deixe de passear pelo acervo permanente e, especialmente, pelas 4 instalações de Christian Boltanski, que são de tirar o fôlego. Sentar nas mesas do café do museu ao ar livre, observar as pessoas andando de skate perto do espelho d’água e aguardar o final do dia até o momento em que acendem as luzes a Torre Eiffel que fica ali do lado tornam o programa inesquecível.

boltanski

Joseph Kosuth no Musée du Louvre: não, você não entendeu mal. O papa da arte conceitual, um dos mais contemporâneos entre os contemporâneos mostra seus neons em pleno Museu do Louvre, em um projeto dessa instituição de trazer arte contemporânea para conversar com seu acervo. Suas obras estão nos fossos medievais do Louvre, uma aproximação imperdível para quem se interessa por arte. E sem jamais deixar de dar uma voltinha pelo museu, especialmente nas salas de pintura holandesa com seus Vermeers e naquelas da pintura do século XIX francês, com seus Géricault, Delacroix e Ingres, meu percurso favorito.

Comidinhas

Au Rocher de Cancale: um restaurante charmoso e acolhedor na Rue Montorgueil cuja especialidade são os frutos do mar e que serve um delicioso tartar de salmão. O lugar está sempre cheio, a comida é deliciosa e os preços são ótimos. Fora que passear pela Rue Montorgueil é sempre um programa divertido, devido à mistura de restaurantes mil com suas mesas nas calçadas, gente andando a pé nessa região em que carros não entram, e deliciosas e convidativas lojas de queijos, temperos, padarias, docerias, numa oferta de gostos e cheiros que deixa qualquer gourmand maluco.

Au Pied de Cochon: nos Halles, é outro restaurante tradicional, lotado de gente o tempo inteiro e que – maravilha! – fica aberto 24 horas por dia, uma raridade. Os pratos de carne de porco são saborosos, os pratos de frutos do mar são frescos e o pé de porco que dá nome ao lugar é uma experiência gelatinosa e interessante. De dia, é possível ainda passear pelos jardins de Les Halles, sempre cheios de mães com seus bebês, ou então descer as escadas rolantes até o centro comercial que fica sob os jardins e se jogar nas comprinhas.

Au chien qui fume: outro restaurante especializado em frutos do mar, próximo de Les Halles, tipicamente francês com suas mesinhas na calçada onde as pessoas se deixam ficar horas a fio em torno de um café e um livro, especialmente nos dias de sol. As ostras são deliciosas.

La Coupole: uma tradição parisiense, essa brasserie estilosa de Montparnasse onde muita gente famosa do naipe de Hemingway, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre já esteve, serve pratos saborosos em meio a uma decoração repleta de dourados e cores. O steak tartar é fantástico e a carne de cordeiro faz parte de seus pratos mais conhecidos.

Café de la Paix: outra instituição lendária, em frente à Opéra-Garnier, é um lugar suntuoso pelo qual também boa parte dos nomes importantes do último século e meio passou. Sente-se no terraço envidraçado, peça um vinho e uma soupe d’oignon (sopa de cebola, uma das maravilhas de inverno por aqui) e fique vendo o movimento das pessoas que passam freneticamente ali em frente, fora a beleza arquitetônica da própria Opéra.

Angelina: o salão de chá mais famoso da cidade, em frente ao Jardim das Tulherias, é um lugar charmosíssimo de decoração dourada e luxuosa, em que se pode comer doces inacreditáveis como o Mont-Blanc ou tomar um chocolate quente espesso que faz a alegria eterna de chocólatras do mundo inteiro como eu. A dica veio daqui.

Teatro

Sextett, de Rémi de Vos, no Théâtre du Rond-Point: teatro contemporâneo, de um humor mordaz e angustiante, para sabermos do melhor dessa nova safra de escritores e diretores franceses… Perturbador, como toda boa arte contemporânea tem sido.

Baladas

O lugar, ao menos para quem ama a música eletrônica, é o mundialmente conhecido Rex Club, com sua programação excelente e os djs famosos trazidos de todos os cantos do mundo para ali se apresentarem para um público animado, dançante e entendedor do que está ouvindo. Basta olhar na agenda e escolher sua noite: techno, electro, minimal… Nessa quinta, por exemplo, tem Sven Vaeth. Noutro dia teve Dopplereffekt. Dá para perder?

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Outras dicas parisienses: aqui e aqui.

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Nesta sexta-feira…

28/10/2009 · Deixe um comentário

… mesa-redonda sobre arte, crítica e psicanálise do EBEP-SP, em parceria com o EDEN e o b_arco.

Teremos Cristiano Mascaro, Henrique Siqueira e João Augusto Frayze-Pereira.

convite outubro 2009-dia 30

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