Breathe, inhale, exhale…

Meu desejo…

07/07/2009 · Deixe um comentário

… me ignora.

O desejo ignora…

… meu desejo.

O desejo não me ignora.

Meu desejo ignora eu.

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My desire… ignores me.

Desire ignores…

… my desire.

Desire doesn’t ignore me.

My desire ignores I.

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Mon désir… m’ignore.

Le désir ignore…

… mon désir.

Le désir ne m’ignore pas.

Mon désir ignore je.

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Rio…

05/07/2009 · Deixe um comentário

… primeira nota mental: nunca vir ao Rio sem um caderno. Nunca. Em nenhuma circunstância. É quase uma violência. Alguns necessitam de uma máquina fotográfica, outros de papel e lápis, outros de filmadora. Para mim é imprescindível um caderno diante do Rio.

As pessoas andam no saguão do aeroporto como autômatos em câmera lenta ao som de Coldplay. Um videoclipe. Uma coreografia. Adoro observar as pessoas nesses não-lugares, um cenário, uma cena que se desenrola para ninguém. Adoro a pesada e melancólica fragilidade humana estampada em todos os rostos e todos os corpos. Os gestos, cada movimento, cada expressão uma máscara sem nada por detrás. Nada a ser desvendado, apenas a cena.

Todos teclando seus celulares, imersos em suas bolhas como eu na minha magnífica bolha de iPod, que vontade de gritar para ver se todas as bolhas estouram e as pessoas levantam seus rostos e seus olhares por um momento.

Meu caderno é minha dor. Uma dor funda, mas não excruciante.

Queria ver a vista de volta da viagem…

As nuvens sobre o azul de céu e mar desenhando no ar uma paisagem sempre inédita não me olham de volta. São indiferentes à minha existência. Não tenho existência para nuvens, céu e mar. Sou um nada absoluto para esses desenhos rasgados no ar. Não me desespera. Não me dói que ilhas ali embaixo assentadas na água nunca venham a ter notícias da dor e do júbilo que me causam por sua mera existência. A paisagem da janela do avião é uma das preciosidades conquistadas ao longo da vida, um dos maiores segredos, todo o tumulto traduzido nessa imensidão quase ofensiva. Impossível haver tanta beleza quanto nas nuvens espessas amarrando um topo de montanha até o mar, soltando-o lentamente até se tornarem fofas, um mergulho das nuvens na montanha. Aposto que nuvens mergulham nas montanhas e se entranham no seu verde como se encarnassem.

As nuvens querem encarnar, é isso.

Nuvens são feitas de nada e se espessam até se encarnar em montanhas. Um desejo absurdo de ser carne, de sentir carne, de ser viva.

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Amanhã…

25/06/2009 · Deixe um comentário

… parece que será uma excelente mesa, essa…

convite junho 2009

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11/06/2009 · Deixe um comentário

Le temps, le temps… passez vite. Et, après, arrêtez-vous. Tout de suite. Devenez éternel… Devenez l’éternité. Faîtes-vous geler le moment. Faîtes-moi geler à ce moment. Là où tout se brûle. Le temps… est-ce que j’aurai du temps? Est-ce que tu me donneras du temps? Passez vite sans me laisser passer. Passez vite sans que je vous laisse passer. Arrêtez-vous. Arrêtez-moi.

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Silêncio…

02/06/2009 · Deixe um comentário

… para quando palavras não traduzem aquilo que se vive.

Nem dor nem tristeza. Apenas quietude.

Silêncio…

Pesar.

Desconfiança generalizada como medo de machucar-se.

Evitação. Fuga.

Silêncio…

Dor e quietude.

Não há paz na calmaria. A vida não arrefece. Sempre aquela força que atravessa e empurra por mais e mais.

O desejo.

Silêncio…

Sem descanso, sem sono, sem fome. Vivendo de ar. Ar escorre entre os dedos.

Silêncio…

O corpo, a pele, o gosto, o cheiro. Tudo o que arrebata. Perigo de abismo.

Abismo-me.

Não há medo, há medo.

O risco inevitável de se estar vivo.

Perigo.

Que a mente ininterrupta trabalha e já o corpo se atira e a vida chega como vendaval que assola quem se atira. O ar que invade todos os poros.

Violência da vida. Com ela não se negocia nem se evita. O jogo de xadrez do Sétimo Selo às avessas. Jogando xadrez com a vida para negociar o viver por medo. Quem faz isso? Quem não faz isso?

Quem não tenta fugir?

Quem se lança?

Silêncio…

… para quando palavras não traduzem aquilo que se vive.

… para quando a vida é tanta que cala.

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Silence…

… when words won’t translate what is being lived.

No pain no sadness. Just quietness.

Silence…

Sorrow.

Generalized untrust as fear to get hurt.

Avoidance. Escape.

Silence…

Pain and quietness.

There’s no peace in calm moments. Life won’t quit. Always that strenght that pushes further and further.

Desire.

Silence…

Restless, not tired, not hungry. Living from the air. Air flows between one’s fingers.

Silence…

Body, skin, taste, smell. Everything that overwhelms. Danger of the abyss.

Astonish myself.

There’s no fear, there’s fear.

The inevitable risk of being alive.

Danger.

That the neverstopping mind works and the body throws itself and life arrives as windstorm that devastates who flings. Air invades all pores.

Violence of life. One can’t negociate with it nor avoid it. The Seventh Seal’s chess game in reverse. Playing chess with life to negociate living by fear of it. Who does this? Who doesn’t do this?

Who doesn’t try to run away?

Who flings?

Silence…

… when words won’t translate what is being lived.

… when life is so much that it quietens you.

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Les gens qui s’approchent…

28/05/2009 · Deixe um comentário

… toujours souriantes, toujours amicales, toujours en voulant tout savoir.

Qu’est-ce que tu fais?

Vois-tu mon travail. Faîtes-le pour moi.

Ah bon? Dites-moi ce qu’elle pense…

Donnes-lui mon message.

Dites-moi ce qui c’est passé.

Trust me.

Raccontes-moi ton voyage.

Raccontes-moi tout.

Des ordres. Plus que demander, c’est sont à propos des ordres qu’ils s’agissent… Chacun trouve qu’il ait le droit sacré d’ordonner quelque chose relative à son propre besoin, à son propre désir.

Je, je, je, je, je… Je veux, tu dois me satisfaire n’importe quoi. Pour quoi? La loi de ton désir n’est pas la mienne.

Back off. It’s useless to keep on trying.

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I’m not here… this isn’t happening…

21/05/2009 · 1 Comentário

One melancholic peace of mind, one exhilaration, one smile, one ‘joie de vivre’, one melancholy, one pain, one agony, one angst, one absence of breath, one sadness, one despair, one urgency, one sadness, one helplessness, one hate, one longing, one sadness, one pain, one nostalgia, one lullaby, one reassurance, one warmth, one consolation, one will, one hope, one curiosity, one risk, one thrill, one frenzy, one euphoria, one reassurance, one pain, one peace of mind, one melancholy, one joy, one happiness, one desire, so many desires, one pressure, one urgency, one life, one life, one single life.

Uma paz de espírito melancólica, um júbilo, um sorriso, uma alegria de viver, uma melancolia, uma dor, uma agonia, uma angústia, uma falta de ar, uma tristeza, um desespero, uma urgência, uma tristeza, uma impotência, um ódio, uma saudade, uma tristeza, uma dor, uma nostalgia, um acalanto, um conforto, um calor, um consolo, uma vontade, uma esperança, uma curiosidade, um risco, uma excitação, um frenesi, uma euforia, um reconforto, uma dor, uma paz de espírito, uma melancolia, uma alegria, uma felicidade, um desejo, tantos desejos, uma premência, uma urgência, uma vida, uma vida, uma única vida.

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É nessa sexta…

18/05/2009 · Deixe um comentário

… e promete:

convite maio 2009

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Please don’t tell…

11/05/2009 · 6 Comentários

PDT, o bar, fica dentro da cabine de telefone da lanchonete xexelenta que vende hot-dogs excelentes no East Village. O Luca Lounge fica ali ao lado, é menos pitoresco e você fica em uma mesa de frente para a rua, como em uma vitrine. Esconder-se, ver ou ser visto, cada um escolhe o que preferir na agitada Saint Marks Place, uma rua do East Village repleta de bares e restaurantes descolados, um burburinho de gente para todos os lados, música e ruído. Andar de noite por essa região, nos finais de semana, é se deparar com todo tipo de lugar e todo tipo de gente. Música, dança, comida, bebida… Nova Iorque pode ser efervescente. E terminar a noite dançando no underground Lit Lounge com a discotecagem de Leo Fitzpatrick, astro do filme Kids de Larry Clark, ao som de rock para uma pista repleta de gente de todos os tipos, inclusive uma turma de japoneses literalmente fantasiados para a balada é, sem sombra de dúvida, um jeito divertidíssimo de experimentar as idiossincrasias dessa cidade.

Em tempo: como não poderia deixar de ser, no fundo do Lit Lounge tem uma galeria de arte, que pode ser vista por uma vitrine. Ver e ser visto em NYC…

E, para não deixar de falar sobre arte, o Dia:Beacon, uma fundação de arte que possui um espaço expositivo em uma antiga fábrica da Nabisco na cidade de Beacon, a uma hora e meia de Nova Iorque de trem, repleta de instalações e obras de artistas do quilate de Robert Smithson, Joseph Beuys, Louise Bourgeois, Dan Flavin, Donald Judd, Sol LeWitt, Bruce Nauman, Robert Ryman, Richard Serra, Fred Sandback e Andy Warhol é de uma grandiosidade emocionante. A arte pode provocar nós nas entranhas em um lugar como esse.

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Mais dicas de Nova Iorque 2009:

Bares, baladas e arte: aqui.
Galerias de arte e notas gastronômicas no final: aqui.
O tour de galerias em Chelsea e um excelente restaurante japonês ao final: aqui.
Ver Woody Allen cara-a-cara tocando no luxuoso Carlyle: aqui.
As revelações musicais que tocam na noite novaiorquina e as exposições que acontecem nos melhores museus: aqui. De quebra, uma nostálgica visita ao P.J.Clarkes.
As badalações do bairro agora mais interessante da cidade: aqui. Comida, bebida, galerias e museus…

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Por que é divertido…

09/05/2009 · 5 Comentários

… visitar as galerias de arte.

Confesso: durante muito tempo eu não entrava em galerias para ver exposições por constrangimento, vergonha, ou por achar estranho entrar em um lugar cuja serventia é principalmente comercializar algo se não vou comprar nada. Conheço muita gente com a mesma dificuldade. Muitas galerias não ajudam com sua pose pretensiosa e nada welcoming. Por sorte gente próxima e querida me arrastou para fora desse indisposição e, nesse momento NYC, tenho visto mais exposições em galerias do que em qualquer outro espaço expositivo.

Nova Iorque tem um número absurdo delas, espalhadas por todos os cantos da cidade, mas o bairro de Chelsea é o que concentra a maior quantidade de galerias, todas em galpões imensos reformados, a maior parte entre as avenidas 10 e 11. Basta descer por volta da Rua 19 e subir os quarteirões até a Rua 28, mais ou menos entrando em todas as portas e subindo em muitos prédios e você terá visitado uma amostra significativa do que se produz de melhor em arte contemporânea não apenas neste país, como no mundo todo. E, aqui, essa peregrinação parece ser um hábito adotado por muitos locais e muitos turistas, já que as andanças de galeria em galeria são acompanahdas de muitas carinhas que você começa a reconhecer a cada porta atravessada. Meaning: galleries tour é algo a se fazer nesta cidade.

Mais alguns highlights galerísticos, entre os vários já citados:

Trisha Brown na Sikkema Jenkins & co. traz, além de vídeos com suas performances antigas, uma série de desenhos que são puro movimento, pura dança. Delicadeza absoluta.

Derek Jarman na X-initiative, que é um projeto sem fins lucrativos e traz uma coletânea de filmes em super-8 inacreditáveis exibidos ao longo do mês de maio. São imagens desconcertantes, sombrias, sobrepostas, repletas de símbolos e de repetições, em que uns filmes são retomados em outros, acompanhados do som experimental de músicos contemporâneos do cineasta. Não há como ficar mais intenso do que isso.

Mika Tajima, com “The extras”, uma interessantíssima instalação entre quadros, espelhos, luzes e vídeo como um set de filmagem, também na X-initiative, e Christian Holstad, com “Light chamber”, uma cômica instalação no telhado, completam de modo instigante o belo contexto organizado para essa exibição dos filmes de Jarman.

Duane Hanson na Van de Weghe Fine Art com suas “esculturas” hiperrealistas dos americanos médios comuns, aquelas pessoas pelas quais se passa sem perceber, congeladas em um momento banal de suas vidas e tornadas arte. Ácido.

Liao Yibai na Mike Weiss Gallery, com suas esculturas de símbolos americanos em chineses em “Imaginary Enenmy”, com um senso de humor para criticar os confrontos sino-americanos. Os respectivos presidentes saindo de suas notas de dólar e yuan com luvar de boxe para lutarem é uma metáfora impagável do que se criou como uma rivalidade ~mais mítica do que factual.

Yayoi Kusama na Gagosian Gallery da Rua 23. Com suas bolinhas coloridas em telas gigantes agora transpostas para enormes abóboras salpicadas de pontos pretos enfeitando o exterior da galeria, Yayoi Kusama surpreende muito com a instalação “Aftermath of obliteration of eternity”, em que as cômicas bolinhas dão lugar a uma sala escura repleta de pequenos leds postos em lanternas a várias alturas, refletidos em paredes de espelhos e na água que ladeia a plataforma pela qual se entra na instalação. Um infinito pontilhar de luzes piscando transporta o espectador para uma noite iluminada e escura. Lírico.

Yayoi Kusama

Jeff Bark, na Charles Cowles Gallery, com suas fotos perturbadoras de pessoas estranhas cujos rostos nunca se vê, compostas como mobiliário e suas mobílias compostas como pessoas, criando um ar decadente, colorido e perturbador de bizarrices surreais.

Albert Oehlen, que tem duas exposições na cidade, suas colagens de pinturas enormes, posteres e manchas de tintas exibidas na Luhring Augustine e suas pinturas feitas por computador na Skarstedt Gallery no Upper East Side, muito atual e provocativo em suas apropriações e desapropriações na pintura.

Robert Longo na Metro Pictures Gallery, com enormes painéis feitos com giz, o que dificulta muito o desenho e, ao mesmo tempo, dá uma extraordinária impressão quando ele acontece com a habilidade de Robert Longo. Os cinco painéis em que se transpõe a imagem de uma missa sendo rezada iluminada pelas luzes vindas de uma janela de uma catedral gótica são para serem vistos de joelhos, como o efeito que as próprias catedrais góticas causam, ainda mais quando se tem a sorte de assistir uma missa em uma delas. Não à toa a exposição chama-se “Surrendering the Absolutes”. O chapéu de cowboy flutuando num espaço vazio, as paisagens bucólicas e até um totem gigantesco todo negro estão ali, ao longo da exposição. Excelente.

robert longo

Nota gastronômica:

Peep Soho traz delícias thais e drinks exóticos em clima festivo no bairro ainda mais charmoso de Nova Iorque. E o peep show é, na verdade, a vista do banheiro para fora dele. Imperdível.

E o Bar Pitti, no Village, continua servindo uma apetitosa e leve comida italiana, regada a muito movimento, muita badalação e muito barulho.

Os lugares mais divertidos para comer e beber em Nova Iorque são muito, muito barulhentos, misturados de música e a festiva falação americana.

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Mais dicas de Nova Iorque 2009:

Bares, baladas e arte: aqui.
Galerias de arte e notas gastronômicas no final: aqui.
O tour de galerias em Chelsea e um excelente restaurante japonês ao final: aqui.
Ver Woody Allen cara-a-cara tocando no luxuoso Carlyle: aqui.
As revelações musicais que tocam na noite novaiorquina e as exposições que acontecem nos melhores museus: aqui. De quebra, uma nostálgica visita ao P.J.Clarkes.
As badalações do bairro agora mais interessante da cidade: aqui. Comida, bebida, galerias e museus…

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