… lendo Georges Didi-Huberman hoje, me dei conta que a palavra tem a ver com o ar. E talvez seja justamente por isso que eu ame tanto a língua francesa e suas palavras aeradas, como fraises et cerises… Nelas, o ar circula pela boca e se saboreiam as palavras como se saboreiam morangos e cerejas, ou melhor, como apenas se pode saborear fraises et cerises, com seu gosto doce meio azedo e sua sensualidade vermelha.
O ar fala da falta e do desejo em fraises et cerises ele fala certamente de desejo. Fraises et cerises seria um excelente nome para meu blog, afinal. Já que se trata de ar, e de ausência, e do ar como matéria fundamental da troca entre o ser e o mundo.
Mas, enfim, permaneço com breathe, inhale, exhale, que é quase como fraises et cerises. É ar, celebração de vida e impressão da ausência. É a tal insustentável leveza do ser, marca na carne, signo de existência. Quem respira está vivo. Ao menos, é o que se espera. Em francês se diz souffle, uma palavra quase tão linda quanto fraises et cerises, um sopro. O ar fresco que bate no rosto e acalenta. Ou a densidade da maresia úmida, salgada e morna da beira do mar na Guanabara, colada no rosto, penetrando com o mar e o sol dentro das narinas. É pelo ar que se carrega algo como um Rio de Janeiro em si.
Pois que então falarei de ar, de mar e de tudo o mais que queira, já que minha necessidade de falar é tanta que não consigo não transbordá-la.







1 resposta Até agora ↓
andre // 11/11/2008 às 2:30 am |
pois também acho que a palavra tem haver com ar… e com ECO, que é a palavra dita retornando em ondas aéreas…
saudações
andré