Breathe, inhale, exhale…

Os ‘posers’ e a cena eletrônica

13/11/2007 · Deixe um comentário

Fui, noutro dia, assistir ao Booka Shade – um duo alemão muito interessante de M.E. Por ser uma festa fechada, apenas para convidados, o local, que costuma ser bastante democrático quanto à diversidade de público que abriga, estava repleto dos ‘posers’ de plantão mais do que o usual.

Explico: ‘posers’ são aquelas figuras que dão uma importância maior aos saltos, bolsas, calças, grifes e outros acessórios do que à música que estão escutando. São aquelas pessoas que param no meio da pista de dança, com seu copo de bebida lotado, derramando nos outros, para bater um papo com o amigo, pisar no pé dos outros e impedir que quem está ali para se divertir consiga fazê-lo na santa paz.

‘Posers’ são aqueles tipos que não sabem que música está tocando, mas que vão até a frente do palco no começo do set apenas para aparecer nas fotos e que fazem questão de cumprimentar o dj e bater um papo – sem fazer a menor idéia de que aquilo que têm a dizer não interessa em absoluto às pessoas que fazem e curtem a noite. Eles se divertem em andar de um lado para o outro, queimando com seu cigarro as outras pessoas, atropelando o mundo, julgando-se o centro do universo.

‘Posers’ gostam de parecer bem relacionados, curtem a música da modinha, estão por dentro das tendências, embora não tenham nenhuma noção de quem possa ser aquela pessoa que está ali tocando e não façam a menor idéia de sua relevância e nem da contribuição que tal ou qual dj ou produtor deu à música eletrôncia.

Há muita gente na balada que vai para se divertir e para quem não importa quem está tocando ou o que. Não é necessário ser um intelectual da M.E. para aproveitar uma boa noite de música. Basta boa vontade, disposição e senso de humor. Mas um ‘poser’ não é alguém que se diverte, é alguém que só se preocupa em aparecer e que pauta suas escolhas de balada pela exclusividade da festa, pelo preço do convite ou pelo tanto de garotinhas ‘posers’ que estarão a sua disposição para um consumo fácil.

Sem ser saudosista, mas sendo, lembro de tempos e festas em que a música era o mais importante, diversão tinha a ver com dançar e conversar livremente – sem pagação, azaração e encheção de saco – e as pessoas estavam abertas para conhecer umas às outras, dançar junto, sem essa preocupação em ver e ser visto, em se mostrar bonito, em não suar a roupinha, em não estragar a chapinha.

A pergunta básica do ‘poser’ é: quem é você na cena? Caras blasés, ar indiferente, profundo fastio. Nnguém sorri, ninguém dança, ninguém pega ninguém…

Ah, saudades dos amigos que sabem o que é uma festa de verdade. Ainda bem que eles continuam a freqüentá-las…

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