Breathe, inhale, exhale…

Entre artistas…

29/11/2007 · Deixe um comentário

E ontem escutei umas das melhores frases a respeito do quanto somos seres imprescindivelmente corpóreos: “da qualquer jeito os corpos ficam, nem que sejam decompostos”.

Saiu da boca de Victor Arruda, artista plástico que com seu “Beijo proibido”, de 2005, dá margem a que se possa pensar na inextrincável dependência entre o desejo e a impossibilidade de sua realização. Em que pese a discussão suscitada por sua obra acerca do homoerotismo, o artista parece apontar para uma angústia que é a de todos nós: a do amor perfeito que, enquanto ideal, jamais se realiza e que, paradoxalmente, é o que nos mantém vivos, uma vez que, caso se realizasse, terminaríamos em um gozo, em um aplacamento e na eliminação de qualquer anseio que nos motivasse a seguir em frente.

Autor dessa obra imperfeita, rasgada, truncada, acentuada em seus buracos, suas frestas, suas rasuras, o “Beijo proibido” contribui com sua ênfase nessa corporeidade de que é feito o desejo, o sexual, o olhar e, até mesmo, a arte.

A quem estiver na cidade do Rio de Janeiro, vale a pena conferir o restante do evento no qual esse vídeo e a fala de Victor tiveram lugar: Através da Imagem, que acontece de quarta (28/11) a domingo (02/12) no Parque Lage.

Categorias: Artsy
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