Breathe, inhale, exhale…

Entradas do Dezembro 2007

Isso posto…

21/12/2007 · 2 Comentários

… saio de férias hoje e retorno na segunda semana de janeiro. Até lá, nada de blogs e afins (pois minha tendinite e meus olhos também precisam de descanso). Recesso virtual.

Mas vocês podem se divertir com os posts anteriores (garanto, eles são bem legais) ou em deixar comentários espirituosos por aqui, para eu recebê-los ao voltar ao cyber espaço.

Até a volta! Bom 2008 a todos vocês!

Categorias: Blah blah blah
Etiquetado: , ,

MASP

21/12/2007 · Deixe um comentário

Já é de conhecimento público a crise que o MASP enfrenta há um bom tempo: exposições medíocres e apelativas, luz cortada, dívidas astronômicas… O roubo, ontem, de dois de seus quadros mais valiosos, parece ser apenas mais um episódio na história desse museu cercado de equívocos e falcatruas por todos os lados.

Episódio lamentável, em um museu sem alarmes, com obras sem seguro, mostrando o quão mambembe a antiprofissional se pode ser quando se junta anos e anos de má administração com funcionários com mentalidade tacanha e um conselho repleto de membros omissos e coniventes.

Julio Neves se perpetua na direção do museu há décadas. Autoritário e retrógrado, presta um desserviço ao MASP, tornando-o cada vez mais precário, carente de pessoal qualificado (já que os bons quadros desistem, pressionados pela mediocridade das pessoas que, há décadas, ocupam seus lugares de pequenos poderes com voracidade canina), além de propagador de uma política de exposições caça-níqueis, daquelas que só se pretendem chamar público e que, com sua concepção curatorial decidida pela fulaninha do almoxarifado, prestam também um desserviço à qualquer conceito de exposição que se preze.

O MASP não tem qualquer personalidade, qualquer linha, qualquer proposta há anos. E seu diretor e outros funcionários do ‘alto escalão’ parecem preferir penhorar obras importantes (o que é proibido por lei e não chega a conhecimento do público) em troca das dívidas que só fazem crescer, manter as obras do acervo em uma condição de conservação precária e duvidosa, colocando em risco um patrimônio cultural de nossa cidade e de nosso país, descaracterizar as linhas e o projeto magnífico feito por Lina Bo Bardi para o museu (onde estão os cavaletes transparentes onde as obras ficavam, majestosas, flutuando no espaço de exposição?), gastando tempo e empenho em alugar o vão livre para festas granfinas e em disputar quem acompanha as obras solicitadas por exposições internacionais. Isso sem mencionar o ridículo projeto de Julio Neves para o prédio adquirido ao lado do MASP (que está caindo aos pedaços), de construir ali uma torre monstruosa e gigantesca, em um anexo do museu que seria praticamente um shopping center. Do indivíduo que projetou a Daslu, que tipo de mentalidade poderíamos esperar, não?

A contratação de Teixeira Coelho como curador, recentemente, veio preencher um rombo de anos sem uma política em relação às próprias obras, às exposições, e até às artes de maneira geral. Francamente, não imagino o que possa ter feito alguém de tanta qualidade aceitar mergulhar nesse ninho de cobras. De todo modo, parece que Teixeira vinha realmente tentando dar uma cara, uma personalidade para o MASP, reinserindo-o, novamente, no circuito cultural da cidade. Não deve ser fácil.

Museus e espaços expositivos passam apuros em nosso país, pois a cultura ainda é entendida como perfumaria e, excetuando-se esquisitices como aquela mostra do corpo humano na Oca, por exemplo (filas enormes, sucesso de público, muitas páginas de jornais e revistas), que ocorreu em São Paulo durante este ano, parece que o brasileiro não se dispõe muito a encontrar-se com a arte, como se a mesma não lhe dissesse respeito, como se fosse inacessível. Não posso concordar que seja, pois parece-me mais uma questão de hábito (da arte, aprende-se com a convivência, com o contato) e da falta mesmo de uma política cultural que propicie o acesso e a freqüentação de museus, espaços e galerias do que de qualquer outra coisa. Com isso, todos esses espaços ficam à mingua. E as pessoas perdem a oportunidade de transitar por um meio incrivelmente enriquecedor.

Assim, não é de espantar a situação calamitosa em que o MASP vive há anos. O que é de espantar é a extrema gravidade de sua falência, a deterioração a olhos vivos, o silêncio da imprensa (com raríssimas exceções, dentre as quais esse artigo de Mario Cesar Carvalho, de 2005, que ainda me enche de orgulho), dos políticos e da sociedade em geral, que são capazes de ver um de seus mais valiosos tesouros ser dilapidado à luz do dia, por gente corrupta e de má-fé, sem darem sinais de indignação.

O roubo de ontem? Parece-me que até que demorou para ocorrer, dadas as circunstâncias. No entanto, é verdadeiramente uma lástima. Uma lástima porque nos priva do contato e da convivência com duas obras fantásticas. Uma lástima porque ajuda a sangrar mais fundo o que já está no limite. Uma lástima porque expõe a amadorice dos dirigentes do MASP que, em pleno século XXI, não buscaram usar do dinheiro que passa por suas mãos para investir em segurança. Uma lástima porque é possível que haja gente do próprio museu envolvida. Uma lástima porque expõe nosso país, no exterior, como um lugar perigoso para se emprestar obras de arte para exposições (se o maior museu da américa latina é essa piada,o que esperar?). Uma lástima porque sustenta um mercado paralelo no qual roubar é justificado, desde que seja para sabe-se-lá-quem botar as mãos em algo que não lhe pertence, provando que o dinheiro compra, mesmo, qualquer coisa. Uma lástima porque, no fim das contas, o roubo ainda serve como cortina de fumaça para tirar a já quase inexistente atenção das pessoas desse roubo cotidiano pelo qual o MASP passa, fazendo-nos acreditar que apenas o que aconteceu na madrugada de terça para quarta-feira é muito grave.

picasso.jpg

portinari.jpg

Categorias: Artsy
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , ,

Manual da sobrevivência na selva…

20/12/2007 · Deixe um comentário

(…ou, recomendações a uma grande amiga)

A selva é aqui mesmo, em São Paulo, no dia-a-dia, em nossas relações mais cotidianas e íntimas. Quem quer que se disponha a estar com outras pessoas sabe o quanto isso é difícil. O bom e velho Freud dizia o quanto educar e psicanalizar são missões quase impossíveis. Eu juntaria a elas: relacionar-se.

Qualquer um que esteja vivo (ou ao menos que assim se entenda) é confrontado diariamente com a obrigação de lidar com os outros. Mesmo quem se tranca em um quarto escuro boa parte do tempo é solicitado pelos outros e com eles se relaciona. Em um livro, em uma música, na tela do computador repleta de alguma informação: ali está algum outro, em cada objeto, em cada aspecto de nossa vida.

Sartre já dizia que o inferno são os outros. Nada mais preciso. Pois os outros nos tiram de nossa ilusória tranqüilidade, nos enchendo de pedidos que temos que atender ou aprender a negar. Os outros nos trazem problemas: se são cruéis e mesquinhos, nos fazem doer, se são queridos e afetivos, nos botam medo de perdê-los. Não há como ficar indiferente às pessoas, por mais que se tente. Não se enganem com isso, até a pessoa mais blasée da face da terra, em algum ponto, é sensível a quem a cerca.

E, como este post não se pretende ser nenhum tipo de pregação psicologizante, filosofante e/ou um arremedo de sessão de cartas de revista feminina, em que o sabichão de plantão explica o que e como fazer com tal ou qual problema, dando a falsa impressão de que existe receita para isso e que só o estúpido do leitor é que ainda não sabe, já que ele, autoridade no assunto, sabe tudo de tudo, vamos ao meu manual de sobrevivência na selva, que vale o quanto pesa. Ou seja, quase nada, já que as palavras que circulam pelo mundo virtual carecem de consistência e que as minhas se prestam apenas a lançar pensamentos ao ar.

“Querida grande amiga,

Se você chegou até aqui, nessa difícil tarefa de lidar com os outros e, principalmente, com uns tantos outros tão próximos, queridos e espantosamente cretinos e cegos (momento de ira meu, que tomo as dores, sempre), é bom que você saiba que a vida não há de te dar mole agora. Não é porque você passou por uma barra horrível e que praticamente zerou a cota de dívidas, karmas ou pecados que teria a pagar nessa sua vida (sorte de quem acredita nessas pataquadas, não?), que o tal Deus – ou quem quer que seja que tenha tido esse senso de humor negro de colocar-nos nessa fria – vai afrouxar as rédeas com você. Não, minha cara, o tal do amor dói porque, sempre que ele é dedicado a uma outra pessoa, esse outro ser ignóbil certamente primará por não se dar conta do que conquistou até que o tenha perdido. E, ainda que saibamos disso, uma certa ironia do destino ou de nossas próprias escolhas nos fará repeti-lo indefinidamente.

Se existe alguma regra para a vida e para o amor, talvez seja essa: há um descompasso, um desencontro perpétuo que tentamos, em vão, contornar. Perseguimos o amor como se fosse o ar que respiramos, depositamos tudo nele, perdemos tudo em uma outra pessoa. Esfacelados, com sorte, damo-nos conta de que só temos a nós mesmos e que, se tivermos que construir qualquer coisa em bases sólidas, seremos, sozinhos, os depositários de nossas expectativas e felicidades. Assim, teremos responsabilidade pelo que quer que nos ocorra e não culparemos a mais ninguém por nossas desgraças. Ao menos, a maior parte delas. E, se encontrarmos algum outro que nos acompanhe em parte do caminho, não pediremos dele mais do que ele pode dar. Ou bem, tentaremos não fazê-lo.

Que coisa mais louca essa expectativa que criamos de que alguém nos salve, de que a redenção esteja em uma outra pessoa, como se uma relação, uma palavra, um gesto fossem dar conta de tudo. Tudo o que se perdeu, tudo o que foi frustrado, tudo o que doeu, tudo o que não vingou. Coitado do infeliz que chegar perto em uma hora dessas. Vai ser engolido pela fantasia do príncipe encantado e ai dele se não responder à altura. A pior parte, amiga: uma hora dessas é, praticamente, todas as horas de todos os dias em que esperamos encontrar alguém. É quase um desespero, é perder a noção de si e se jogar em uma cruzada em que só um outro seja a solução.

Nada disso, querida amiga. Depois de todo o perrengue desse ano, se teve uma coisa que você parece que ganhou foi a si mesma, seu talento, suas qualidades, suas capacidades. Nada de fazer a princesa frágil em apuros, que depende totalmente do gajo para ter uma vida com sentido. Isso é coisa antiga que, infelizmente, ainda gruda nas nossas orelhas, nos nossos sonhos e nas pressões cotidianas que sofremos, feito um carrapato. Como se ninguém tolerasse que alguém tentasse algo diferente. As pessoas não agüentam que você não se coloque na mesma merda que elas se puseram, na maioria das vezes sem pensar. Querem que você pague, como elas, por todo o tipo de bobagens que ouviram na vida sobre o que é certo uma garota querer, esperar e fazer. E, se você tentar sair do trilho, vão te esmagar com unhas e dentes de abutres, até que você sucumba. Não se engane, essa gente só te quer tão infeliz quanto elas são.

E não se enganem os homens também, que a coisa não é nada diferente com eles, oprimidos por um monte de ‘tem que isso, tem que aquilo’.

E aí, você que ganhou a si mesma, que descobriu que é muuuuuuito mais do que isso, respira aliviada entre planos, expectativas, possibilidades. Todo um mundo que se abre. Com o seu talento, a coisa vai longe. Então, na hora que a saudade apertar e a vontade de partilhar de um pouco de calor humano aparecer – e antes de cair de novo na armadilha de que algum príncipe há de te salvar disso e que você tem que encontrá-lo imediatamente, e antes de desperdiçar seu tempo e suas qualidades com qualquer boçal que apareça e, principalmente, antes de começar a duvidar de si mesma, imaginando que só quem tem alguém é que é feliz e que o segredo da felicidade está aí – bem, antes disso tudo, cerque-se dos seus amigos que te gostam tanto. Não é a mesma coisa, eu sei. Amigos são ótimos, mas não dão conta de umas tantas coisinhas que são para lá de necessárias (nesses casos, dildos e outros brinquedinhos são uma benção, não sejamos hipócritas e puritanas a essa altura do campeonato). Em todo o caso, amigos e outros acessórios quebram um galhão. Mas também não salvam a pátria.

Amores, amigos, família, ninguém nos salva. Espero que tenha aprendido isso, para poder aproveitar de cada um o que cada um tiver para dar. Nem mais, nem menos. Normalmente é bem mais do que imaginamos e bem menos do que queremos, nesse xorôrô em que ficamos nos lamentando de tudo o que não temos e achamos que os outros deveriam nos dar. Quem disse que o mundo nos deve alguma coisa e tem que pagar nossas contas?

Enfim, cara amiga, se tudo o mais falhar, dê uma olhadinha no espelho. De frente. Dê uma olhadinha de cabeça erguida. E, se você não for capaz de enxergar ali as coisas que fez, aquilo que pode, os valores que tem… e se nada disso puder te lembrar do que se trata… e se você mesma não puder ser conquista suficiente… e se tanta qualidade e beleza não se refletirem no espelho… Bem, querida, então a selva terá te alquebrado mais do que pensei e essa relação terá deixado em você uma marca pior do que pareceu a princípio e o caminho será mais longo, tortuoso e difícil. Mas, em todo caso, haverão fatos, atos e pessoas por você. Não se esqueça disso.”

Categorias: Azedume · Blah blah blah
Etiquetado: , , , , , ,

2007 já era…

17/12/2007 · 1 Comentário

Bem, o ano está praticamente acabado, embora ainda estejamos na metade do mês de dezembro. O ano termina antes por aqui. Findos os amigos secretos da firma, os encontros com as dez mil turmas e pessoas que decidem – todas – que querem te ver antes de 2007 acabar, embora não tenham se preocupado nem em saber se você estava vivo durante os outros 365 dias, findas as confraternizações botecais, as cervejas, as frituras, findas as trocas de presentes protocolares, tem início agora um período de pouco mais de uma semana de franca tortura.

Pois, se já é difícil agüentar o calor na cidade de São Paulo, onde raramente venta, pois estamos sitiados por prédios, bem como o trânsito que se tornou, no último mês, ainda pior do que usualmente, o que representa um feito digno de nota, o que dizer dos dias em que a muvuca finalmente se acalma e cada grupo se enfia em sua própria casa, a se empanturrar com perus, farofas, tenders, castanhas, nozes, doces, panetones e um sem fim de comidas e bebidas que dariam para alimentar essa mesma família durante um mês inteiro, não fosse o exagero natalino? E não há porque se preocupar já que, de fato, todos se alimentarão da mesma comida por dias a fio, as sobras do Natal até o ano novo, as sobras do Ano Novo até sabe-se-lá quando. Uma pajelança.

Todos farão suas compras até o último segundo, o que deixará shoppings lotados e intransitáveis até dia 24/12. Depois, todos se recolherão e celebrarão com suas famílias aquilo que durante o ano todo nem se preocupam em exercer: solidariedade, fraternidade, amor ao próximo… Ou nem chegarão a isso, entupidos de peru até a última garfada e bêbados de vinho, suados, inconvenientes, levantando a poeira de todas as desavenças que deveriam ter permanecido enterradas, dando uns aos outros motivos para odiarem-se e evitarem-se até o Natal do ano seguinte quando tentarão, de novo, criar uma família feliz que não existe, em nome de sabe-lá-o-que.

As ruas lotadas pelas pessoas que brigam, se xingam e se espancam no trânsito será tomada de uma estranha calmaria entre o Natal e o Ano Novo e a cidade será abandonada por todos que tenham essa possibilidade e que terão a mesma idéia, que julgarão exclusiva e genial: descer para a praia. Com isso, as estradas ficarão abarrotadas de carros lotados de gente, de famílias com suas crianças gritonas, seus cachorros, suas vovós no banco de trás e uma quantidade de bagagens no porta-malas que serviria praticamente como uma mudança, não como o necessário para alguns dias.

Muita gente vai ficar presa no gigantesco engarrafamento do Ano Novo, no calor dos carros, passando mal, sem água e sem banheiro num raio de quilômetros. Passarão a meia noite na estrada e estourarão uma champagne quente, que beberão com o resto frio do peru e da farofa de Natal, compartilhados com o motorista ao lado. Convivência obrigada. Na praia, há de faltar água, luz e pãozinho na padaria. Dificilmente será posssível encontrar um lugar paradisíaco e exclusivo. Se tanto, um lugar para o guarda-sol já estará de bom tamanho. Muita gente que não toma sol o ano inteiro se estatelará na areia e terá queimaduras horrendas, ficando vermelho, ardido e intocável por dias, outros se afogarão no mar, outros ainda passarão todo o tempo aumentando suas não-prósperas panças com muita cerveja e outras nojeiras que o verão no litoral nos propicia.

Alguma modinha será lançada. Haverá o hit musical do verão que, tocado à exaustão, colará em todos os ouvidos feito praga, sem piedade nem dó. Certamente será uma música horrorosa, não há porque se preocupar com qualidade nessas horas, quando o importante é “curtir muito”. Haverá o sorvete do verão, o prato do verão, a praia do verão, o hype do verão, a moda do verão, a festa do verão e tudo o mais, dando a impressão de que algo extraordinário está acontecendo e que temos todos que participar, se não quisermos ficar totalmente por fora. Os programas de TV reforçarão essa impressão com matérias requentadas que são sempre as mesmas e que parecem, contudo, as maiores novidades. Jornais e revistas farão o mesmo. E todos nós compraremos aquela canga, aquele biquini, aquele sorvete, aquela bebida ou qualquer outra coisa ridícula que nos dará a sensação de fazermos parte da comunidade humana em alto estilo. É necessário ser “in”.

São Paulo será uma cidade paradisíaca a partir do Natal. Tudo vazio, ruas transitáveis, cinemas sem fila, restaurantes sem fila, shoppings sem fila…. A fila desce a serra junto com o paulistano. É uma praga que o acompanha onde quer que ele vá.

À exceção da noite de Ano Novo, em que uma multidão toma a avenida Paulista para, normalmente embaixo de chuva, se espremer e se acotovelar a fim de ver os shows bregas que fazem uma festa chata, suja e com hora para acabar, tudo o mais será de um sossego assustador, que dará uma leve esperança de que a coisa vai melhorar e de que a cidade poderia ser sempre assim. Faremos milhares de promessas de Ano Novo que começaremos a descumprir no dia seguinte.

Enrolaremos até o Carnaval para o ano – já atrasado – finalmente começar e, mais gordos, mais torrados pelo sol e com ressacas maiores devido aos excessos do verão, veremos que 2008 se inicia exatamente onde 2007 acabou. Nenhum milagre, nenhuma mudança, nada extraordinário aconteceu com essa alteração no calendário mas, de todo modo, esqueceremos essa constatação rapidamente, pois julgamos ser melhor viver na ignorância de falsas ilusões, de perus, presentes, praia lotada e congestionamentos recordes do que frente à amarga realidade de que, entra ano, sai ano, e poucos de nós fazemos realmente algo de significativo por nós mesmos e pelos outros. Poucos pagam o preço caro da vida. Poucos se responsabilizam por ela. A maioria vai no embalo – de um Papai Noel de mentira, do show da virada da Rede Globo, ou do sambão e do axé carnavalescos. A maioria segue o bloco. E não sabe nem para onde.

Categorias: Azedume
Etiquetado: , , , , , , , , , , ,

Outros top tops…

14/12/2007 · Deixe um comentário

As melhores exposições de artistas brasileiros:
Nazareth Pacheco @ Casa Triângulo
Iran do Espírito Santo @ Estação Pinacoteca
Dora Longo Bahia @ Galeria Leme
Rosângela Rennó @ Caixa Cultural / Rio de Janeiro

Os melhores momentos da música eletrônica em terras brazucas:
Takaaki Itoh @ Clash Club
Vince Watson @ Clash Club
Underground Resistance @ Nokia Trends

As perdas irreparáveis do ano:
Paulo Autran
Karlheinz Stockhausen
Jean Baudrillard
Ingmar Bergman

Vergonha alheia: da nossa ministra Marta Suplicy, com sua pérola do “Relaxa e goza”, em relação ao caos aéreo.

Outro momento importante na música: Led Zeppelin reunion.

Categorias: Azedume · Blah blah blah
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

E, no clima de fim de ano…

14/12/2007 · 1 Comentário

… aproveitando o espírito natalino, a febre das compras de Natal, a loucura dos congestionamentos monstruosos que assolam nossa cidade, bem como das chuvas e trovoadas que intercalam um calor tenebroso, eis minha lista dos

Mais mais, mais ou menos e menos menos de 2007, um ano que foi muito bom (ou quase)

A canalhice de 2007: Renan Calheiros inocentado pelo senado federal de todas as acusações.

A descoberta: John Lennon, provavelmente, ganhou mais ao casar-se com Yoko Ono do que o contrário. Para quem ainda tem dúvidas, veja a excelente exposição dela no CCBB, em São Paulo. Mulher mais do que respeitável, arte de primeira categoria.

O absurdo do ano: Apagão aéreo, caos aéreo, zona aérea (e ainda acharem que isso justifica aumento de mais de 100% no valor das passagens). Além do Lula continuar dizendo que não sabia, disso e daquilo. Desculpa em que só ele acredita e que, no mais, só depõe contra ele mesmo.

O ridículo de 2007: Corinthians rebaixado para a segunda divisão por culpa da bandidagem, da corrupção e da incompetência administrativa. Depois não entendem porque a torcida quer quebrar tudo.

Mais do que merecido: Rogério Ceni eleito como o melhor jogador do campeonato. (Aliás, por que ele não é convocado para a seleção brasileira?).

A boa idéia: Cidade limpa, em São Paulo. Que maravilha não ser bombardeada por outdoors diariamente e não ter a meus olhos a imposição de caras, bocas e marcas por todos os lados. Em meios às gafes que vive cometendo, Kassab deu uma mais do que dentro.

A tragédia do ano: O acidente com o vôo da TAM em Congonhas e as inúmeras invasões do exército aos morros da cidade do Rio de Janeiro. (Colocar toda uma população sob a mira de armas com a justificativa de combate ao tráfico de drogas e achar isso normal sinaliza que, em nosso país, uma grande parcela da população fica desprezada em seus direitos mais elementares e pode ser alvejada ao bel prazer da marginália ou do poder público).

O constrangimento de 2007: O texto de Luciano Huck no episódio do Rolex. Qualquer um que acredite que, por ser uma pessoa decente, não têm nenhuma responsabilidade pela desigualdade social e pela miséria no Brasil e, por isso, pode sair por aí esbanjando um relógio que custa uma pequena fortuna só porque foi comprado com dinheiro honesto, sem que nada lhe aconteça é, no mínimo, cego e equivocado.

Momento comédia: Galvão Bueno dançando a dança do siri para o programa Pânico na TV. Ridículo para ele, mas de ser ridículo ele entende bem e há anos.

O equívoco do ano: O BOPE exaltado a partir de Tropa de Elite que se pretendia, a acreditar na fala do diretor, ser uma crítica a esse tipo de violência e mentalidade policial, não um blockbuster. O tiro saiu pela culatra e agora o Capitão Nascimento virou nosso herói nacional e todo mundo pede para sair. (Imagine o que será o Carnaval, com esse tema).

O acontecimento na música: Radiohead permitindo o download de seu novo disco via website e deixando que cada um escolhesse se e quanto pagar pelo álbum. Está mais do que na hora da indústria fonográfica parar com esse chororô dos direitos autorais com que manipula até seus contratados a pensarem que são eles que estão perdendo alguma coisa e arrumar um outro jeito de ganhar dinheiro nas costas do trabalho dos artistas.

Bem, conforme me lembrar de mais, direi-lhes. No mais, suggestions are welcome.

Categorias: Azedume · Blah blah blah
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Ainda sobre o Nokia Trends…

10/12/2007 · 1 Comentário

… em que pese minha exaltação do Underground Resistance no post anterior, eles não foram a única atração da noite.

Aliás, uma noite para lá de eclética em termos de música, com sons para todos os gostos, de M. Takara com suas fusões e experimentações de extrema qualidade e interesse, passando por Kassin com suas esquisitices sonoras de videogames, Van She em momentos totalmente up de música para dançar sem compromisso e She Wants Revenge, que foi uma surpresa quase assustadora, na medida em que, fechando os olhos, parecia que estava ali o Ian Curtis cantando. Joy Division lives.

Phoenix, que várias pessoas estão considerando a melhor atração do festival, a meu ver parece com tantas outras bandas que poderia ser qualquer uma delas, o que significa que, no fundo, eles poderiam também não existir e não faria qualquer diferença. Essa história de uma bandinha que é a cara de outra bandinha que é a cara de outra me leva a crer que, no final das contas, é sempre uma mesma fórmula que acaba sendo eleita como a salvação do pop / rock e afins. Pois sempre aquelas que são consagradas como suuuuuper interessantes se revelam absolutamente a mesma coisa.

Mas, não sei se muitas pessoas repararam, o Nokia contou com uma exposição de arte, com vários trabalhos high tech, dentre os quais o espetaculoso híbrido de partes de cima e de baixo de pessoas dançando, de Helga Stein, a divertidíssima e crítica “Máquina de ver” de Lucas Bambozzi, com seu dirigível que circulou pelo evento capturando imagens inusitadas e imprevisíveis do mesmo, entre outros que, em comum, tinham como característica fazer uso, sempre, de um celular por onde imagens seriam enviadas para compor as obras. Nokia arte? Interatividade pelo celular?

Tsc, tsc, não sei não. Essa obrigação da incorporação dos aparelhos Nokia nas obras quase cheirou a vitrine. Não fosse a qualidade dos artistas selecionados, poderia ter facilmente se transformado em showroom. Foi por um triz, a meu ver.

Enfim, VJ Spetto continua sendo incrível. Ele dá uma surra em muito artista wannabe quando o assunto é criar conexões entre imagem, som e pensamento através da tecnologia. Ainda sonho com o dia em que vjing e djing serão tomados a sério enquanto demonstrações por vezes extremamente sofisticadas daquilo que podem as artes em nosso tempo, não sendo apenas cultura de massa.

Reviews sobre o Nokia: rraurl uol Folha

Categorias: Artsy · Azedume
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Underground Resistance

09/12/2007 · 5 Comentários

… quem não conhece e gosta mesmo de música, deveria conhecer. Porque Underground Resistance é da segunda geração do techno de Detroit que, para quem não sabe, é onde nasceu o techno o que significa, em outras palavras, onde nasceu a música eletrônica (juntamente com o house de Chicago). Sim, Kraftwerk aconteceu antes e, na Europa, aconteceram coisas que também criaram a M.E. mas, no essencial, uma boa parte do que se ouve hoje e se chama de música eletrônica – do melhor ao pior – tem sua raiz no techno de Detroit: do minimal que se acha novidade aos breaks e electros sujos que tiram sua força de Drexciya e afins, passando pelo house que, de Chicago, influenciou profundamente as primeiras gerações do techno e vice-versa.

E, antes que alguém já comece a torcer o nariz para a palavra música eletrônica, é bom que se saiba que M.E. é muitíssimo mais do que aquele baticum ridículo que toca nas rádios farofeiras que escutamos no dia-a-dia e, também, é beeeeem mais do que aquilo que escutamos na maior parte das pistas de dança, saindo das pickups, dos players, dos macs da maior parte dos produtores e djs deste ou de outros países. Até mesmo na música eletrônica pop (porque, sim, existe uma música eletrônica erudita altamente sofisticada, experimental, interessante, revolucionária, da qual o agora saudoso Karlheinz Stockhausen é apenas um dos excelentes exemplos) há músicas e músicas, estilos e estilos, produtores e produtores das mais variadas qualidades.

Então, para quem escuta a palavra techno com suspeita, eu recomendo que escute Underground Resistance. É uma atitude pedagógica e pode até mudar sua vida. Sim, porque boa música sempre foi feita com a intenção de mudar a vida das pessoas, e U.R. se pretende, mais do que um coletivo musical, um movimento revolucionário, de profundo engajamento social, político e artístico. Pois, ouvindo-os, você se dá conta de que o techno que começou em Detroit começou na cidade da Motown, em que surgiram Marvin Gaye, Jackson 5, Diana Ross e as Supremes, Stevie Wonder, entre tantos outros. E então você percebe que o techno tem uma profunda ligação com a música negra americana, com o blues, o soul, o jazz.

Derrick May, um dos papas do techno da primeira geração, nomeou-o como uma junção entre George Clinton e Kraftwerk, ou seja, daquilo que há de mais interessante nessa música negra e a alta tecnologia que possibilitou que um bando de garotos sem eira nem beira, em uma Detroit decadente, sem emprego e sem perspectiva de vida, pudessem fazer música com aquilo que a tecnologia lhes possibilitava e lhes facilitava, no lugar dos instrumentos acústicos. Criaram, então, um high tech jazz, não por acaso o nome de uma das músicas mais maravilhosas do Underground Resistance. Nesse ponto, dá para entender que o techno, na sua origem, é jazz. E da melhor qualidade.

Me perdoem os puristas do jazz de plantão, mas o jazz também nasceu como uma música encarnada, dançante, para ser vivida no corpo, cantada, sentida, para passar uma mensagem, dar voz a um povo excluído, fazer falar, dançar, movimentar-se. O jazz foi uma possibilidade de catarse, de sonoridade, de criar lugar através da música e não essa coisa besta que se pretende ser de elite hoje em dia, em que todo mundo faz que entende, balança a cabecinha e espera um show de virtuosismo, pagando fortunas pelo convite. O jazz se elitizou, cooptado por um sistema destitui tudo de seu potencial revolucionário, de inclusão e de questionamento. Essa potencialidade explosiva, dançante e musical teve que se esparramar por outros lugares. Um deles foi a criação da M.E. O techno bebeu dessa fonte. O techno é jazz. Um jazz high tech.

Quem assistiu Underground Resistance ontem no Nokia Trends entendeu isso ao limite. Pode perceber que o techno é música, da melhor qualidade. É jazz, tem swing, consegue ser ao mesmo tempo malemolente e quadrado como os bons technos costumam ser. Tem riqueza, variedade, sutileza, camadas, informações e beleza, sobretudo beleza. Ah, e dá para dançar em uma pista de dança. Muito. E sorrindo.

Long live the underground…

Categorias: Artsy · Intelligentsia
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , ,

Exposição / bazar…

07/12/2007 · 1 Comentário

… ou bazar / exposição 10 a mil: criação contemporânea na Escola São Paulo, dá mostras dos potenciais novos – e não apenas os tão novos – talentos que temos na arte brasileira. Uma produção rica, em vários suportes, abarca vídeos, desenhos, fotografias, objetos, pintura… Uma boa oportunidade de concentrar um número grande de artistas sob o mesmo teto por cerca de dois meses, aproximando obras, percursos e poéticas, criando diálogos e, também, de proporcionar ao espectador comum a oportunidade de adquirir arte.

Fato é que muita gente se intimida em entrar em uma galeria, nem que seja apenas para visitar as exposições que costumam ter lugar nesses espaços, quanto mais comprar. Outro fato é que arte costuma ser associada a preços astronômicos, impossíveis aos mais reles mortais. Esse bazar é mais uma boa iniciativa para desmistificar os dois pontos: lugar acessível, nada afetado ou emperiquitado em plena Rua Augusta; preços de R$10,00 a R$1000,00. Ou seja, bastante acessíveis.

E para que comprar arte? Me pergunto a esse respeito freqüentemente e a única razão que posso encontrar como justificativa, para além dos ímpetos consumistas, colecionistas e elitistas que tal hábito pode ter, sempre associados a uma demonstração de classe, é que é muito bom conviver com arte. Passei anos da minha vida convivendo com reproduções de Van Gogh e Picasso na casa de meus pais e – aqui não importa muito que não fossem os originais – trago lembranças de descobertas incríveis dos momentos em que, ao olhar outras obras em museus aqui e ali, pude descobrir o quão familiar elas tinham se tornado para mim, o quão associadas a um conforto da infância, pelo simples convívio cotidiano com elas. É uma sensação de estar em casa, toda vez que encontro uma obra que seja siginificativa para mim. Em sendo assim, parece válido um certo investimento, na medida das condições de cada um. Se não o de comprar arte, o de freqüentar museus, galerias, exposições, espaços, ainda mais aqueles das pessoas que estão estourando por aí, os novos talentos, que trazem tantas inquietações que são nossas, do nosso tempo, desse exato agora. Há que se prestigiar os artistas vivos, que estão por aí ralando.

Em tempo, vale a visita, o investimento e ficar de olho em (minha seleção pessoal):

Beth Moysés, com suas noivas, costuras e, nessa exposição, desenhos marcantes de mulheres fragmentadas.

Ana Teixeira, com seu traço encantador, seus seres dormentes, a delicadeza estampada em papel.

Kika Nicolela, com seus vídeos e fotografias que passam do sublime ao perturbador.

Julio Kohl, um artista que usa do recurso fotográfico com extrema inventividade, transformando suas fotos em texturas e intensidades.

André Meller, que dá mostras de um olhar inteligente e de uma sensibilidade silenciosa, cálida, de altos constrastes, sem ser apaziguadora.

Rafael Campos Rocha, com suas obras discretas, quase desapercebidas, intervenções de alto teor de pensamento e humor por vezes mordaz.

Edson Fragoaz, que com suas frutas sado-masô perturba muitos olhares.

Martha Lacerda, com seus desenhos de linha, uma costura delicada, sutil, íntima, que transforma desenho em espaço e vice-versa.

A Escola São Paulo fica na Rua Augusta, 2239, em São Paulo. Vale muito a visita.

Categorias: Artsy · Infos
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , ,

Ho ho ho…

06/12/2007 · Deixe um comentário

… estamos em contagem regressiva para o Natal, momento em que nosso país para de funcionar, a passar pelo Ano Novo, chegando até o Carnaval que, por sorte, em 2008 será logo no início de fevereiro.

E a cidade de São Paulo já se encontra totalmente travestida de bons votos natalinos, almejando – evidentemente – que o espírito do bom velhinho anime o consumo e eleve os gastos da população com presentes, panetones, perus e outros bichos esquisitos que só comparecem nessa época. Porque, no final das contas, Natal é tempo de presente, presente é tempo de consumo, consumo é tempo de gastos astronômicos, gastos são tempos de alegria para os vendedores e suas lojas e de dívidas que se perpetuarão até bem depois do ano novo para a maioria das pessoas, Dessa maneira, 2008 só poderá começar mal. Enfim, espírito natalino, o que é? Bobagem… deixa as pessoas aproveitarem seus 13os…

São Paulo está cheia de luzes, decorações, enfeites que deixam a Avenida Paulista ainda mais caótica com seu trânsito agora incrementado por todos aqueles que, condizentes com o espírito ’solidário’ de Natal, param seus carros no meio da rua ou sobre as calçadas sem a menor cerimônia, para ver o show dos bonecos de papais noéis circenses que fazem de tudo em frente às fachadas de bancos. Que maravilha, não?

E, ao que tudo indica, nosso prefeito parece ter decidido testar com quantos paus se faz uma canoa – ou com quantas toneladas de luzinhas enroladas em árvores ou nos enfeites pelos postes da parte nobre da cidade se faz um blecaute. Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e, hoje, vi os funcionários enrolando praticamente todas as árvores da Avenida 23 de Maio, além dos postes com arremedos de árvores de Natal. Nossa, imagino que os confins de nossa cidade devam estar igualmente paramentados, não?

Bem, se não houver homogeneidade na distribuição do espírito natalino, certamente haverá igualdade na escuridão do apagão que poderá se dar como conseqüência desse desperdício pouco ecológico de nossa já tão precária energia elétrica. Ou não, já que, nos bairros mais centrais, há quem esteja sempre munido de geradores. Enfim… um espírito ecológico parece ter passado longe da mentalidade de Natal.

Então, farei minha mísera parte não montando minha malfadada árvore neste ano. Sem luzinhas, piscas… sem o alvoroço de papéis brilhantes e bolas transluzentes. Sem mais um abrigo extra para a poluição preta e grudenta de nossa cidade que vira aquela poeira nojenta que invade qualquer casa, sem mais uma caminha aprazível para ácaros, sem mais um empilhamento frágil a ser derrubado e destruído por qualquer pet que se preze. Não, sem árvore de Natal neste ano.

Em tempo, por que não há mais presépios e menos consumo no Natal? As luzes se proliferam e os presépios desaparecem juntamente com aquilo que poderia dar algum sentido minimamente transcendente para essa babel do consumo desenfreado que as festas de fim de ano se tornaram em nossos dias. Que estranha é essa época do ano ou, talvez, não. Talvez seja apenas a radicalização daqueles que são nossos principais valores durante o ano todo. Pensando bem, não poderia ser diferente o Natal por aqui.

Categorias: Azedume
Etiquetado: , , , , , , , , ,