Breathe, inhale, exhale…

Ho ho ho…

06/12/2007 · Deixe um comentário

… estamos em contagem regressiva para o Natal, momento em que nosso país para de funcionar, a passar pelo Ano Novo, chegando até o Carnaval que, por sorte, em 2008 será logo no início de fevereiro.

E a cidade de São Paulo já se encontra totalmente travestida de bons votos natalinos, almejando – evidentemente – que o espírito do bom velhinho anime o consumo e eleve os gastos da população com presentes, panetones, perus e outros bichos esquisitos que só comparecem nessa época. Porque, no final das contas, Natal é tempo de presente, presente é tempo de consumo, consumo é tempo de gastos astronômicos, gastos são tempos de alegria para os vendedores e suas lojas e de dívidas que se perpetuarão até bem depois do ano novo para a maioria das pessoas, Dessa maneira, 2008 só poderá começar mal. Enfim, espírito natalino, o que é? Bobagem… deixa as pessoas aproveitarem seus 13os…

São Paulo está cheia de luzes, decorações, enfeites que deixam a Avenida Paulista ainda mais caótica com seu trânsito agora incrementado por todos aqueles que, condizentes com o espírito ’solidário’ de Natal, param seus carros no meio da rua ou sobre as calçadas sem a menor cerimônia, para ver o show dos bonecos de papais noéis circenses que fazem de tudo em frente às fachadas de bancos. Que maravilha, não?

E, ao que tudo indica, nosso prefeito parece ter decidido testar com quantos paus se faz uma canoa – ou com quantas toneladas de luzinhas enroladas em árvores ou nos enfeites pelos postes da parte nobre da cidade se faz um blecaute. Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e, hoje, vi os funcionários enrolando praticamente todas as árvores da Avenida 23 de Maio, além dos postes com arremedos de árvores de Natal. Nossa, imagino que os confins de nossa cidade devam estar igualmente paramentados, não?

Bem, se não houver homogeneidade na distribuição do espírito natalino, certamente haverá igualdade na escuridão do apagão que poderá se dar como conseqüência desse desperdício pouco ecológico de nossa já tão precária energia elétrica. Ou não, já que, nos bairros mais centrais, há quem esteja sempre munido de geradores. Enfim… um espírito ecológico parece ter passado longe da mentalidade de Natal.

Então, farei minha mísera parte não montando minha malfadada árvore neste ano. Sem luzinhas, piscas… sem o alvoroço de papéis brilhantes e bolas transluzentes. Sem mais um abrigo extra para a poluição preta e grudenta de nossa cidade que vira aquela poeira nojenta que invade qualquer casa, sem mais uma caminha aprazível para ácaros, sem mais um empilhamento frágil a ser derrubado e destruído por qualquer pet que se preze. Não, sem árvore de Natal neste ano.

Em tempo, por que não há mais presépios e menos consumo no Natal? As luzes se proliferam e os presépios desaparecem juntamente com aquilo que poderia dar algum sentido minimamente transcendente para essa babel do consumo desenfreado que as festas de fim de ano se tornaram em nossos dias. Que estranha é essa época do ano ou, talvez, não. Talvez seja apenas a radicalização daqueles que são nossos principais valores durante o ano todo. Pensando bem, não poderia ser diferente o Natal por aqui.

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