… ou bazar / exposição 10 a mil: criação contemporânea na Escola São Paulo, dá mostras dos potenciais novos – e não apenas os tão novos – talentos que temos na arte brasileira. Uma produção rica, em vários suportes, abarca vídeos, desenhos, fotografias, objetos, pintura… Uma boa oportunidade de concentrar um número grande de artistas sob o mesmo teto por cerca de dois meses, aproximando obras, percursos e poéticas, criando diálogos e, também, de proporcionar ao espectador comum a oportunidade de adquirir arte.
Fato é que muita gente se intimida em entrar em uma galeria, nem que seja apenas para visitar as exposições que costumam ter lugar nesses espaços, quanto mais comprar. Outro fato é que arte costuma ser associada a preços astronômicos, impossíveis aos mais reles mortais. Esse bazar é mais uma boa iniciativa para desmistificar os dois pontos: lugar acessível, nada afetado ou emperiquitado em plena Rua Augusta; preços de R$10,00 a R$1000,00. Ou seja, bastante acessíveis.
E para que comprar arte? Me pergunto a esse respeito freqüentemente e a única razão que posso encontrar como justificativa, para além dos ímpetos consumistas, colecionistas e elitistas que tal hábito pode ter, sempre associados a uma demonstração de classe, é que é muito bom conviver com arte. Passei anos da minha vida convivendo com reproduções de Van Gogh e Picasso na casa de meus pais e – aqui não importa muito que não fossem os originais – trago lembranças de descobertas incríveis dos momentos em que, ao olhar outras obras em museus aqui e ali, pude descobrir o quão familiar elas tinham se tornado para mim, o quão associadas a um conforto da infância, pelo simples convívio cotidiano com elas. É uma sensação de estar em casa, toda vez que encontro uma obra que seja siginificativa para mim. Em sendo assim, parece válido um certo investimento, na medida das condições de cada um. Se não o de comprar arte, o de freqüentar museus, galerias, exposições, espaços, ainda mais aqueles das pessoas que estão estourando por aí, os novos talentos, que trazem tantas inquietações que são nossas, do nosso tempo, desse exato agora. Há que se prestigiar os artistas vivos, que estão por aí ralando.
Em tempo, vale a visita, o investimento e ficar de olho em (minha seleção pessoal):
Beth Moysés, com suas noivas, costuras e, nessa exposição, desenhos marcantes de mulheres fragmentadas.
Ana Teixeira, com seu traço encantador, seus seres dormentes, a delicadeza estampada em papel.
Kika Nicolela, com seus vídeos e fotografias que passam do sublime ao perturbador.
Julio Kohl, um artista que usa do recurso fotográfico com extrema inventividade, transformando suas fotos em texturas e intensidades.
André Meller, que dá mostras de um olhar inteligente e de uma sensibilidade silenciosa, cálida, de altos constrastes, sem ser apaziguadora.
Rafael Campos Rocha, com suas obras discretas, quase desapercebidas, intervenções de alto teor de pensamento e humor por vezes mordaz.
Edson Fragoaz, que com suas frutas sado-masô perturba muitos olhares.
Martha Lacerda, com seus desenhos de linha, uma costura delicada, sutil, íntima, que transforma desenho em espaço e vice-versa.
A Escola São Paulo fica na Rua Augusta, 2239, em São Paulo. Vale muito a visita.






