Breathe, inhale, exhale…

Ainda sobre o Nokia Trends…

10/12/2007 · 1 Comentário

… em que pese minha exaltação do Underground Resistance no post anterior, eles não foram a única atração da noite.

Aliás, uma noite para lá de eclética em termos de música, com sons para todos os gostos, de M. Takara com suas fusões e experimentações de extrema qualidade e interesse, passando por Kassin com suas esquisitices sonoras de videogames, Van She em momentos totalmente up de música para dançar sem compromisso e She Wants Revenge, que foi uma surpresa quase assustadora, na medida em que, fechando os olhos, parecia que estava ali o Ian Curtis cantando. Joy Division lives.

Phoenix, que várias pessoas estão considerando a melhor atração do festival, a meu ver parece com tantas outras bandas que poderia ser qualquer uma delas, o que significa que, no fundo, eles poderiam também não existir e não faria qualquer diferença. Essa história de uma bandinha que é a cara de outra bandinha que é a cara de outra me leva a crer que, no final das contas, é sempre uma mesma fórmula que acaba sendo eleita como a salvação do pop / rock e afins. Pois sempre aquelas que são consagradas como suuuuuper interessantes se revelam absolutamente a mesma coisa.

Mas, não sei se muitas pessoas repararam, o Nokia contou com uma exposição de arte, com vários trabalhos high tech, dentre os quais o espetaculoso híbrido de partes de cima e de baixo de pessoas dançando, de Helga Stein, a divertidíssima e crítica “Máquina de ver” de Lucas Bambozzi, com seu dirigível que circulou pelo evento capturando imagens inusitadas e imprevisíveis do mesmo, entre outros que, em comum, tinham como característica fazer uso, sempre, de um celular por onde imagens seriam enviadas para compor as obras. Nokia arte? Interatividade pelo celular?

Tsc, tsc, não sei não. Essa obrigação da incorporação dos aparelhos Nokia nas obras quase cheirou a vitrine. Não fosse a qualidade dos artistas selecionados, poderia ter facilmente se transformado em showroom. Foi por um triz, a meu ver.

Enfim, VJ Spetto continua sendo incrível. Ele dá uma surra em muito artista wannabe quando o assunto é criar conexões entre imagem, som e pensamento através da tecnologia. Ainda sonho com o dia em que vjing e djing serão tomados a sério enquanto demonstrações por vezes extremamente sofisticadas daquilo que podem as artes em nosso tempo, não sendo apenas cultura de massa.

Reviews sobre o Nokia: rraurl uol Folha

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