Breathe, inhale, exhale…

Entradas do Janeiro 2008

A novela MASP

29/01/2008 · Deixe um comentário

Hoje, na Folha de São Paulo, apareceu uma excelente reportagem com Paulo Herkenhoff a respeito da novela MASP, que continua sem sinais de chegar a seu último capítulo.

Depois de recuperados os quadros roubados em dezembro de 2007, a situação do museu continua indefinida graças, em grande parte, à persistência de seu conselho gestor em manter-se fechado a qualquer possibilidade de negociação ou abertura para novas propostas de administração. Um patrimônio de valor inestimável para nosso país continua em mãos de pessoas que parecem pouco se importar com ele.

Aliás, fico curiosa em saber acerca das obras do MASP que estão penhoradas por conta das dívidas do museu, assunto do qual ninguém fala, talvez porque poucos saibam disso. A pergunta é: como pode um museu penhorar obras que são patrimônios de nossa cidade e de nosso país? Isso é permitido? O que aconteceria se os credores de tais dívidas cobrassem a entrega das obras?

Uma outra questão que me inquieta: e os cuidados com o acervo do MASP? Herkenhoff é enfático ao dizer que o que o preocupa mais, para além das dívidas, é a conservação do acervo pois – e é disso que se trata – não parece haver nenhum cuidado com as obras que ali encontram-se hospedadas. Como se cuida dessas obras?

Estranho que pouca gente fale a respeito desses tópicos e que a discussão se mantenha no âmbito financeiro como, aliás, a proposta torta dos dirigentes do museu parece reforçar: o poder público entra para o conselho gestor e, em troca, dá dinheiro. Como assim? Alguém em sã consciência daria um tostão ao Júlio Neves? Sem que ele, nem ao menos, preste contas do sucateamento que vem fazendo no MASP na última década? Sem que ele diga sobre o estado das obras do acervo, sobre suas penhoras e outras manobras estranhas que ali acontecem?

Ainda bem que o barulho das obras roubadas abriu a ferida da falência do museu e que, para nossa sorte, a imprensa e as pessoas dos meios artísticos não estão – ao menos algumas delas – se abstendo de se posicionar.

No mais, para quem achar que isso possa ser de interesse, continua correndo o apelo ao poder público por algum tipo de ação em relação ao MASP, o SOS MASP. A ver.

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Noite paulistana…

26/01/2008 · 1 Comentário

Uma das melhores coisas desta cidade é o fato dela contar com uma noite agitada, animada, repleta de programações para todos os gostos e bolsos. É possível arrumar o que fazer em São Paulo todos os dias da semana, durante toda a madrugada, até o dia seguinte. Para os baladeiros e os insones de plantão é, sem dúvida, a melhor vida noturna do hemisfério sul.

Dos botecos às casas noturnas em que só entram convidados dos donos, tudo existe aqui. Os melhores djs do país e do mundo se apresentam constantemente nos clubes paulistanos, muitas bandas de rock que estouraram nacional e / ou internacionalmente tocam ou já tocaram por esses cantos, muita moda, muita tendência é lançada na paulicéia, na noite, pelas pessoas que freqüentam e gostam da noite. Enfim, é impossível se dizer que conhece São Paulo aquele que nunca se aventurou por suas noitadas. Então, lá vão algumas dicas de lugares para quem quer se arriscar. Vista um modelão descolado e, como dizemos nós paulistanos, se joga!

Música eletrônica:

Para os amantes da música eletrônica, Sampa tem clubes excelentes, em que a boa música é privilegiada. Alguns já são tradições da nossa noite, cheios de histórias para contar, lugares que criaram moda, lançando tendências para o país inteiro. Nesse sentido, vale uma visita ao famosíssimo Lov.e que, com suas paredes de pelúcia na sala VIP e com suas luminárias na pista de dança, já abrigou boa parte de nossos djs mais famosos e alguns dos internacionais mais consagrados. Foi o Lov.e que trouxe o drum&bass de Marky da periferia para o centro da cidade, bem como foram eles que apostaram em uma noite de funk carioca quando ninguém ainda sabia o que era isso. O clube, infelizmente, deve fechar suas portas em breve. Portanto, se você ainda não foi, não perca as últimas oportunidades de poder contar que fez parte dessa história.

Outro clássico da noite eletrônica é o ainda mais antigo A Lôca, que fica em uma região de São Paulo que o próprio clube, juntamente com uma série de bares que se estendem por seu entorno, ajudou a revitalizar e a tornar centro da boêmia moderna, jovem, universitária e gls. A Lôca é um clube extremamente democrático em termos de público, sempre apresentando djs de qualidade, muitos dos quais, mesmo depois de muito sucesso, adoram voltar às raízes e tocar por ali. DJs de fora do país também aparecem por lá. Seu visual lembra uma caverna, o banheiro é unissex (algo que virou moda na noite), os preços são acessíveis e a pista de dança é sempre muito animada. Para quem gosta de fazer o que chamamos de um “esquenta”, que significa marcar um lugar para encontrar os amigos antes da balada, para bater papo e já tomar uma cerveja, o boteco vizinho ao clube, na esquina da Frei Caneca com a Peixoto Gomide, é sempre lotado e a paquera rola solta. Há alguns outros botecos na Peixoto Gomide, no mesmo estilo. Para os que curtem um programa pré-balada mais substancial, o Barão da Itararé é um bar arrumadinho, com ótimos bebes e comidinhas bem gostosas, sempre cheio de jornalistas e afins. Delicioso.

Os melhores clubes da cidade, atualmente, são, sem sombra de dúvida, o Clash e o D-Edge, nessa ordem. Os dois ficam na Barra Funda, outro bairro que vem sendo revitalizado e povoado de lugares muito interessantes a partir da movimentação que a noite proporciona. O Clash é um clube criado por gente que entende muito da noite e de música, o pessoal da Circuito produções, um grupo que durante muitos anos promoveu algumas das melhores raves de que esta cidade e seus arredores já tiveram notícias (as melhores, vejam bem, não as maiores porque, definitivamente, as maiores não são as melhores). Enfim, desde 2007 os criadores da Circuito decidiram investir em um clube e a experiência está dando muito certo. Amplo, com pé direito alto, sistema de som excelente, bom projeto de circulação, uma infra-estrutura bem planejada e montada e, o principal, o foco posto em boa música, o Clash promove shows de bandas de rock daqui ou de outros cantos do mundo, grupos que estão estourando agora, permitindo que os conheçamos em primeira mão (quem viu The Donnas lá?), além de trazer alguns dos melhores djs do planeta para pilotar seus maquinários sonoros. Festas com um time de djs de primeiro escalão, gente que gosta de música, pista feita para dançar, gente bonita, lugar de paquera, uma junção perfeita para esticar a noite até a manhã do dia seguinte.

O D-Edge é um dos melhores clubes do mundo, eleito por quem entende do assunto, os djs e produtores que vivem da noite e circulam por todos os cantos. O melhor soundsystem da cidade, uma pista sempre lotada e animada, uma decoração bonita, estrelas internacionais andando pela cabine de som e, também, pela pista de dança… o D-Edge é o lugar escolhido por todos os músicos internacionais que tocam no país, em algum festival eletrônico ou afins, para dar uma canja. Porque, sim, em música eletrônica existe canja, existe improviso, existe after hours e tudo isso tem grandes chances de acontecer nesse clube. Seguidor de tendências, o D-Edge embarcou com força na onda minimalista e do electrohouse que tem sido o sucesso das pistas nos últimos anos, sem muita ousadia em trazer gente que toque outros estilos mas, de todo modo, se esse é o tipo de música que apela aos seus sentidos, o lugar é visita obrigatória.

Há também, por aqui, os lugares que chamamos de “hypados”, onde vão os modernos, o povo da moda, as pessoas estilosas que querem ver e ser vistas e que se preocupam mais com o modelão do que com a música. Esses lugares têm excelente programação musical, embora isso raramente seja o foco de seu público. Atualmente, os “fervos” da cidade são o Vegas e o Glória. O Vegas veio revitalizar a região da Rua Augusta que vai para o centro da cidade, que já vinha sendo movimentada com os cinemas do Unibanco e alguns bares. Com a chegada do Vegas na região, instalado bem no meio das casas de prostituição, o que acontece é uma circulação e uma mistura muito interessante de pessoas diferentes. Bares, cinemas, restaurantes, clubes povoam esse pedaço da Rua Augusta lado a lado com saunas e inferninhos. Na rua circulam prostitutas, clientes, modernos, intelectuais, famosos, universitários, em uma conjunção de grupos harmônica e divertida, o que mostra que a noite pode ser, em certo sentido, civilizatória, na medida em que coloca de volta na rua um monte de grupos que, de outro modo, não conviveriam entre si. O Vegas, só por isso, já mereceria atenção. Mas, lá dentro, excelentes djs tocam em duas pistas de dança, uma ótima no andar de baixo e outra sofrível no andar de cima, com som mais baixo, fumaça de cigarro e vai-e-vem para o banheiro. O after hours Hells, um clássico de São Paulo desde a época em que acontecia do outro lado da Rua Augusta, na esquina com a Estados Unidos, nos Jardins, ainda é O lugar para se ir quando dá vontade de esticar a noitada até altas horas da manhã de domingo. E acontece no Vegas.

O Glória fica na região do Bixiga, outro bairro boêmio, repleto de cantinas italianas e bares despojados. É, talvez, o mais fashion de todos os clubes, contando com festas organizadas por pessoas muito experientes da noite, que trazem uma boa mistura entre rock, electro, house e afins, tornando a pista dançante, animada e colorida, além do estilo que vai dos uniformes dos funcionários à decoração e o projeto arquitetônico, feitos por renomados de todas as áreas. A famosa noite Alelux, em que Alexandre Herchcovitch (sim, o estilista, ele mesmo) e Johnny Luxo recebem convidados para uma noite de badalação, música e dança acontece no Glória. Mais hype do que isso, não há.

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Eternally yours…

25/01/2008 · Deixe um comentário



Eternally yours…, originally uploaded by alerib.

A cliché, but still the best musical ever.

Broadway, New York city, USA.

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Os irresistíveis sabores de Sampa.

25/01/2008 · Deixe um comentário

Vamos e venhamos, já que nós paulistanos nos encontramos ao redor das mesas, nada como comer bem, não? E isso é algo que se pode fazer em São Paulo em uma variedade quase infinita de lugares, especialidades e preços. Algumas das minhas maiores descobertas gastronômicas por aqui:

Os modernos:

SPOT: em um aquário todo envidraçado, próximo à avenida Paulista, cercado de prédios e por uma bela praça urbanóide de concreto e fontes de água, este é um dos lugares modernos em que se come muito bem, cercado por gente bonita, em um local aprazível, com boa música e uns tantos famosos. As caipirinhas são deliciosas, especialmente a de vodka com kiwi e mel, os garçons são sempre universitários gatos e a comida é realmente boa. O penne com presunto cru e melão é uma das combinações mais saborosas que se pode fazer entre fruta doce e salgado…

Mestiço: outro restaurante descolado, de cozinha contemporânea, que mistura sabores brasileiros com os temperos thais de uma maneira muitíssimo saborosa. Está sempre lotado de gente, é para ver e ser visto, extremamente gay friendly e, além do mais, serve uma excelente comida. O krathong-thong, uma cestinha de massa crocante com recheio de especiarias é indispensável como entrada. O hua-hin é um frango com a medida certa de curry tailandês, e o mestiço, com seus camarões gigantes, é uma delícia de doce com salgado. O bolinho de estudante, na sobremesa, dá um novo significado à tapioca.

Ritz: outro descoladíssimo e já antigo restaurante no cenário paulistano, sempre cheio de modernos e turminhas fashion de todos os estilos, oferece um prato do dia caseiríssimo aos sábados: o pastel com feijão, arroz, couve e farofa. Um clássico. Seus hamburgers também são famosíssimos e suculentos. Suco de tangerina é a pedida para os dias quentes.

Fillipa: dos mesmos donos do Mestiço, mas noutro canto da cidade, o Fillipa costuma estar menos lotado, com seu ambiente extremamente simpático e seus funcionários acolhedores. Servem champagne em taça, trazem alguns dos pratos que são sucesso no Mestiço também em seu cardápio, como a salada Cubana e o bolinho de estudante mas, por outro lado, desenvolvem alguns pratos só seus que são deliciosos. Os pães são feitos na casa, o couvert já é uma delícia, o Jo-jo de aspargos e cogumelos frescos e o Goi cuon, um rolinho vietnamita, são entradinhas que fazem bem aos olhos e ao paladar e, no quesito misturas ocidente / oriente, há uma coleção de carnes, frangos e peixes com temperos de curry e outros picantes que fazem a delícia dos paladares ousados. Na sobremesa, o bolo molhado de côco com chocolate belga dá vontade de lamber o prato.

Os tradicionais:

Martín Fierro: se o negócio é comer carne, os argentinos são imbatíveis e, dentre eles, o Martín Fierro é o melhor da cidade. Desde os anos 80 na Vila Madalena, reduto da boêmia da cidade e muito diferente dos monótonos restaurantes que se instalaram por lá nos últimos anos, todos iguais uns aos outros, esse é um verdadeiro grill em que as carnes são servidas comme il faut. Ao ponto significa que o miolo está vermelho, mal passado significa que apenas o exterior da peça passou pela churrasqueira e bem passado… bem, não existe isso de carne bem passada para um argentino. Carne bem passada é sola de sapato. Experimente os saborosos cortes de bife de chorizo e do vacío com salada e um pãozinho francês para molhar no fundo do prato (sim, ali a carne é servida com salada e pão, nada de arroz, farofa, vinagrete…). As empanadas de entrada são deliciosas e cheias de recheio e o almendrado (um sorvete com calda de chocolate) é de lamber os beiços. Vive cheio, mas vale a espera na calçada, tomando uma cerveja.

Tandoor: um indiano excelente, com deliciosa comida e preços bastante razoáveis. No quesito curry e especiarias, é uma visita imperdível. Com um estilo antigo, atendimento por vezes eficiente e noutras um tanto desleixado, e uma TV grande em que passam, constantemente, videoclipes do que devem ser alguns sucessos musicais indianos e filmes de Bollywood (nada pode ser mais simultaneamente cool e brega do que isso), o Tandoor capricha nos delicios pães Naan e nos pães recheados que serve como entrada, com chutneys, molhos temperados em que se mergulham os pães sempre fresquinhos, quentes e saborosos. Seus pratos trazem várias opções entre carnes, peixes e legumes (maravilhosos, como o grão-de-bico, a lentilha ou o queijo com espinafre, para provar que os vegetarianos também podem ser felizes). O sherbet, refresco com essência de rosas, é interessante e doce e o kulfi, picolé de manga, uma ótima pedida para encerrar uma exploração de sabores.

Marcel: um francês das antigas, em uma cidade que prima por possuir alguns dos melhores restaurantes e chefs franceses em atividade, serve alguns dos melhores soufflés salgados e doces que se pode provar por aqui. Levíssimos, saborosos, criativos ou tradicionais, são de dar água na boca e alegria no coração de quem gosta de cozinha de sutilezas.

Presidente: no Brás, um dos bairros mais antigos da cidade, que já foi povoado por algumas das boas cantinas de Sampa, sobrevive o apetitoso Presidente, especializado em bacalhau, feito nas mais diversas receitas portuguesas que nossos antepassados trouxeram para cá. Sequinho, com molho, vegetais, batatas, verduras ou azeitonas, a porção é sempre gigantesca nesse restaurante simples e despojado. E o bolinho de bacalhau servido como entrada é imbatível. Precavidos, eles deixam um dispositivo com fio dental nos sanitários. Afinal, depois dessa pajelança, o espaço entre os dentes diminui consideravelmente.

Chi Fu: um chinês sujo, lotado de, na maioria, chineses, em que quase ninguém fala português e você não pode esperar muita atenção de seus funcionários. E daí? Aqui em São Paulo, apreciadores que somos da boa cozinha onde quer que ela se encontre, aventureiros de bairros e sabores desconhecidos, não nos importamos em descobrir lugares improváveis, desde que a experiência valha a pena. E, no Chi Fu, vale encarar a fila e não botar os olhos nos detalhes para apreciar essa comida que é saborosa, farta e incrivelmente barata. Além dos locais, está sempre repleto de publicitários, jornalistas e advogados. Não se restrinja ao macarrão chop suey ou ao frango xadrez. Ouse. Na segunda ou terceira garfada você terá esquecido o entorno.

Sushi Yassu: um dos ótimos restaurantes japoneses da cidade, com dois endereços e um vasto cardápio de opções, dos mais tradicionais sushis e sashimis aos pratos quentes mais diversificados, exóticos e interessantes. Seus peixes são sempre frescos e há muita variedade com que se divertir.

A cozinha de autor:

D.O.M.: Sim, temos uma impressionante gama de restaurantes de alta gastronomia na cidade mas, do fundo do coração, nada pode ser melhor do que este. D.O.M. mostra o melhor de Alex Atala, um chef mais do que laureado, desde seus tempos de Filomena e Namesa, por sua inventividade e pela maneira como incorpora a cozinha brasileira a conceitos e formas da altíssima gastronomia, tornando-a leve, colorida e surpreendente. Um dos melhores restaurantes do mundo, é caro, solicita reserva e é um programa a se fazer necessariamente, caso você queira realmente saber o que a cidade pode te oferecer de melhor. Para tirar o máximo proveito da empreitada, peça o menu degustação, uma boa maneira de provar vários insights de uma experiência que fica marcada na memória por um bom tempo.

Jun Sakamoto: faz com a culinária japonesa, a meu ver, mais ou menos o que Atala faz com a brasileira, injetando um mar de criatividade em uma cozinha que, por si, já é tão colorida, inventiva, leve e saborosa. Sentando-se no balcão, você tem a oportunidade de ser servido pelo próprio Jun, mas faça isso apenas se estiver disposto a confiar-lhe sua vida, pois ali não há cardápio ou pratos quentes. É o melhor do melhor, daquilo que está fresquinho, inventado pelas mãos de um artista. Para acompanhar com uma bebida, basta apenas pedir que o maître te sugira um dos muitos saquês da carta de bebidas, raros, diferentes, perfumados. E, por favor, não coloque sal na beira do copo porque não precisa: ali, até os saquês são para degustação lenta e pausada, como a boa comida nipônica deve sempre ser saboreada.

Gero: o poderoso Rogério Fasano fez uma revolução gastronômica na cidade já há uns bons anos, seguindo a tradição de sua família, com seus restaurantes em que a cozinha italiana saiu do patamar das cantinas sempre boas, porém pesadas e idênticas umas às outras. Restaurantes, bares, sanduicherias, enoteca, hotéis… Fasano não conhece limite para o que pode reinventar e sofisticar. Mas, a meu ver, o Gero, seu segundo rebento, permanece em lugar de destaque quando a questão é comida de alta qualidade. O ravioli di zucca lembra a iguaria que comi raras vezes na casa de uma tia, com receita guardada a sete chaves. Da abobrinha servida como aperitivo, à champagne com morangos até as sobremesas, tudo eleva os sentidos nesse restaurante em que se pode mesmo descobrir um enorme prazer com a gastronomia d’Itália.

Os achados:

Porque cada paulistano tem sua lista de achados que não conta para ninguém.

Buttina: uma casa simpática em Pinheiros, com árvores frutíferas no quintal, um desenho de Niemeyer em uma das paredes (sim, ele esteve lá e, sim, desenhou na parede mesmo) guarda um dos excelentes restaurantes italianos da cidade, com delicadezas que vão dos antepastos à deliciosa salada de tomates salteados no azeite, passando por uma oferta de massas todas feitas no próprio local, frescas, leves e deliciosas. O fettucini de cacau com molho de mascarpone e presunto cru é uma das melhores combinações culinárias das quais sou testemunha, o gnocchi é feito apenas em certos dias da semana e os sorvetes de sobremesa, também preparados in loco e com algumas das frutas das árvores do quintal, são maravilhosos.

Obá: para quem não acredita que a mistura entre cozinha mexicana, tailandesa e brasileira poderia resultar em algo além de confusão de referências, sugiro que visite o Obá. Desmente qualquer teoria contra as cozinhas fusion e aproveita os melhores ardumes de pimentas e currys com algumas das tradições que temos de melhor. O tradicional pad thai é excelente, o kao pad consegue harmonizar pato, lichias e arroz, as moquecas e a feijoada são especialíssimas e leves. A ousadia perpassa também as bebidas, como o delicioso e inusitado suco de maracujá com banana.

Ça-va Café: um bistrô francês charmoso, atrás do MASP, que prima pelos pratos tradicionais caprichados aliados à música ao vivo, ao bom preço e à simpatia de seu proprietário. Tudo bem cuidado, de ótima qualidade e delicioso sabor.

Sushi Lika: um dos bons restaurantes japoneses da cidade (que tem uma infinidade deles, felizmente) está sempre povoado de moderninhos em seu salão renovado que serve excelentes temakis e outros crus bem cuidados.

Tenda do Nilo: é O melhor restaurante árabe da cidade, não tem jeito. Pequeno, em um bairro sossegado e aprazível, com poucas mesas e um atendimento caseiro, o Tenda do Nilo é capaz de fazer mesmo os mais recalcitrantes avessos às frituras passarem a gostar de kibe (frito, fresquinho, crocante por fora e derretendo por dentro). O kibe cru é uma especialidade que pode ser provada em poucos lugares com confiança e esse é um deles. Mas o fatte, com seu pão torrado, carne com grão-de-bico, coalhada fresca, alho e castanha, o faláfel e o trigo com carne desfiada são iguarias maravilhosas, com seus cheiros e sabores irresistíveis e devem ser provados antes de mais nada.

La Tartine: outro delicioso bistrô francês, serve deliciosas quichês com salada, bem como um apetitoso cuscuz marroquino. As torradinhas de queijo de cabra são uma excelente entrada e o sorvete com frutas vermelhas encerra muito bom essa refeição gostosa, a bom preço, em um lugar sempre movimentado, colorido, divertido e descontraído.

Beco do Bartô: outro achado na região do Paraíso, esse simpático restaurante que fica em um beco todo reformado e acolhedor prima por seus pratos extremamente bem feitos, combinações interessantes e por uma carta de vinhos bem cuidada e saborosa. A costela é uma pedida certeira para os apreciadores das carnes, e as entradas de salmão e de pão com ovo e carne seca surpreendem por seus sabores.

Esses são cerca de vinte entre centenas de restaurantes que nossa cidade oferece. Cada paulistano deve ter seu roteiro de achados e sua opinião sobre os melhores em cada gênero. Cada qual deve ter uma especialidade que é capaz de reproduzir na cozinha de sua casa. Gostamos de comida, fazemos comida, sentamos ao redor da mesa, comemos, bebemos e conversamos. É assim na Paulicéia desvairada… Aos restaurantes, então.

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Aniversário de São Paulo

24/01/2008 · Deixe um comentário

OK, São Paulo não tem a beleza extasiante do Rio de Janeiro, nem a majestosa arquitetura de Brasília, muito menos a placidez de algumas capitais do Nordeste, ou a organização urbanística de Curitiba e os cheiros, temperos e alegrias de Salvador. Falando assim, até parece que São Paulo é uma cidade dispensável mas, não, acontece justamente o contrário.

Além de ser a tal “locomotiva do país”, o que quer que isso signifique, ainda mais em nosso país, São Paulo é, inegavelmente, a cidade mais cosmopolita do Brasil. De tudo um pouco há aqui, gente de todos os cantos, gente do mundo todo, todas as comunidades, gastronomias, diversões. Museus, galerias, cinemas, bares, restaurantes, todas as músicas, todos os estilos, todas as modas. Esta cidade concentra um pouco do pior e do melhor do Brasil e do mundo. E, convenhamos, é um deleite para quem sabe desvendar seus segredos.

Por isso, aproveito o momento “aniversário de São Paulo” para contar alguns dos roteiros que descobri nesta cidade, por vezes tão feia, por vezes tão cheia, por vezes tão barulhenta, suja, perigosa mas, ainda assim, tão divertida, tão rica, tão interessante, tão cheia de oportunidades e tão acolhedora dos muitos sonhos que a povoam.

Primeira e única dica genérica que, de tão importante, é quase um mandamento a ser lembrado em todas as circunstâncias. Entendendo o que se segue, é certo que você haverá entendido boa parte do que há para saber sobre como circular por esta cidade: São Paulo é uma cidade para dentro. Dentro de onde? Das casas, dos apartamentos, dos condomínios, dos bares, dos restaurantes, dos cinemas, dos teatros, dos museus, enfim, dentro. Não temos praia, não temos espaço público que dê conta do gigantesco número de nossos habitantes, nossos parques são lotados e as ruas são lugar de passagem de gente, na maioria das vezes, apressada para chegar em algum lugar. Sim, aqui se vai de um lugar a outro e esquecemos boa parte dos caminhos percorridos. Portanto, para desvendar São Paulo, é preciso ir a seus lugares.

E, a menos que você conheça algum paulistano, dificilmente será convidado a ir na casa de alguém, que é onde muitos encontros, festas e reuniões divertidas acontecem. Se São Paulo é introspectiva, o lugar em que ela mais acontece é nas moradias das pessoas. Todo mundo por aqui adora convidar para um jantarzinho (sim, temos uma relação inegável com a mesa e nos reunimos a seu redor), uma bebida antes da balada, um filme no dvd, assitir ao jogo de futebol na TV, enfim, tudo o que se possa fazer… em casa. Não é preguiça, não. Mas imagina só onde você preferiria ficar depois de um dia insano no trabalho e tendo passado duas ou três horas em um congestionamento gigante para se locomover entre seus compromissos? Pegaria o carro para sair de novo, ou chamaria uns amigos para se largarem em conjunto na sua casa e papearem até altas horas da madrugada?

Conformem-se: nós, paulistanos, somos arredios. Se não por natureza, ao menos por hábito. Afinal, se você der uma olhada à sua volta e prestar atenção ao tanto de gente, de carros, de prédios, de barulho que nos cerca, acho que poderá compreender que, em uma cidade como esta, não é muito fácil aos seus habitantes confiar em um desconhecido logo de cara. Por aqui, por vezes permanecemos anos sem cumprimentar nossos vizinhos e, em alguns casos, até mesmo sem saber que cara ele tem. Bom lugar para se esconder esta São Paulo, bom lugar para estar anônimo, bom lugar para passar desapercebido e, paradoxalmente, lugar perfeito para ver e ser visto.

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A epopéia…

20/01/2008 · Deixe um comentário

Procurar imóvel é das melhores situações para uma pessoa descobrir o tamanho dos seus ideais e se, na impossibilidade de alcançá-los, é alguém capaz de encontrar um tamanho possível para seus sonhos ou mais um ser fadado a se estatelar em lágrimas no interminável muro das lamentações de “o mundo é injusto”. Pois, sim, o mundo é realmente injusto e espernear não vai fazer com que ele altere sua órbita nem em um milímetro.

A menos que você faça parte daquele percentual ínfimo de seres humanos donos de um patrimônio de dígitos praticamente tão incalculáveis que quase se tornam virtuais, certamente haverá um teto para o quanto você poderá gastar com qualquer investimento que faça, mesmo que seja o importante e volumoso investimento de adquirir um apartamento ou uma casa. E, com esse limite em vista, possivelmente não será possível arrematar aquela cobertura fantástica de 1000m², ou aquela mansão fotográfica no Jardim Europa. Nada a fazer a não ser conformar-se: busque o melhor que seu bolso puder financiar. E viva com isso.

A convivência com os corretores de imóveis costuma ser divertida e, ao mesmo tempo, irritante. Hoje mesmo duas delas disseram que meu apartamento é excelente, mas que agradaria ao público gay. Ou, nas palavras delas, aqueles “meio assim”. Não entendi totalmente o conceito, mas o preconceito ficou bem claro.

Aqueles “meio assim” foram padrinhos de meu casamento, diga-se de passagem, na igreja. Católica. Sim, um casal de “meios assim” padrinhos de uma atéia e um meio judeu totalmente ateu, juntamente com outro meio judeu e mais um judeu inteiro, além de pelo menos duas outras tão atéias quanto eu. E casamos na igreja católica. E o padre realizou a cerimônia. E ele era extremamente simpático e afetuoso. E nada disso parece ter sido um problema. Vai entender…

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A view from Harlem

16/01/2008 · 1 Comentário



A view from Harlem, originally uploaded by alerib.

Harlem provided this spectacular view to me. Lucky girl…

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Ou não…

16/01/2008 · Deixe um comentário

… já que é necessário acrescentar que:

1) Ainda é uma delícia andar pelo Central Park em Nova Iorque, mesmo no inverno. As árvores totalmente ressequidas e sem folhas funcionam como moldura para os prédios sempre portentosos ao redor. Cena de filme.

2) Vale a pena andar pela cidade a pé. É tudo plano, extremamente fácil de entender com as ruas numeradas e indicações de norte, sul, leste e oeste. Fora que sempre há o que ver com os pés no chão. Para quem gosta de descobrir lugares, restaurantes, lojinhas, bem como para quem gosta de arquitetura, andar, andar e andar é a regra básica. Não dê uma de tatu. Metrô só para os lugares MUITO distantes. Ou nos dias de chuva, porque ninguém merece chuva, frio e vento ao mesmo tempo.

3) Respira-se muito bem o ar invernal da maçã, mesmo com todos aqueles carros. Mais um motivo para colocar um bom agasalho e andar.

4) Nova Iorque tem museus fora do circuito MoMA, Guggenheim, Metropolitan, como eu disse nesse post aqui. E não é necessário nem
sair de Manhattan (minha grande descoberta nesse périplo de fim de ano, com meu atual amor por Brooklyn e Queens). Há excelentes exposições no Harlem, por exemplo. Veja o The Hispanic Society of America Museum, o El Museo del Barrio e o Studio Museum. Se tem algo que os americanos parece que levam muito a sério é essa política de espalhar cultura por toda a cidade. Os museus fora dos bairros nobres existem, funcionam, têm preços acessíveis de entrada e, MARAVILHA DAS MARAVILHAS, possuem uma direção curatorial extremamente contemporânea, atual, com nomes reconhecidos, acervos importantes e exposições de altíssimo gabarito.

5) Sim, o MoMA é sensacional, bem como o Guggenheim, o New Museum… não há como negar a importância desses lugares. Nem como deixar de visitá-los. Muitas e muitas vezes. Mas o Brooklyn Museum, o P.S.1 (que é do MoMA) e os acima citados não fazem feio. Pelo contrário. Fora o sem número de galerias espalhadas pela cidade, especialmente em Chelsea e no Soho.

6) Come-se muitíssimo bem em Nova Iorque, mesmo que não seja nos restaurantes estrelados que a cidade oferece em grande quantidade. (Como esses aqui, por exemplo). A cozinha italiana traz muitas opções afeitas ao nosso paladar brasileiro, como o Bar Pitti, o Da Silvano, o Da Nico, entre outros que se pode descobrir por lá. Uma caminhada por Little Italy resolve o problema de se encontrar um lugar para comer.

hopper-nighthawks.jpg

7) Quer se sentir jantando em um quadro de Hopper ou em um filme dos anos 50? Vá ao Empire Diner, um típico diner novaiorquino. A culinária americana pode trazer bons burgers e ótimas batatas fritas, além de saladinhas e sopinhas para os mais dietéticos. Fora que fica em Chelsea, um bairro extremamente charmoso, repleto de moradores descolados, com gente andando pelas calçadas e cara de bairro mesmo. Um bom jeito de observar os americanos em seu habitat, longe das hordas de turistas.

8) Agora, se você gosta de cozinha contemporânea, num ambiente no estilo dos paulistanos Spot, Mestiço, Ritz, com gente bonita, num lugar bonito, e comida saborosa, o Bottino é outra opção em Chelsea que traz deliciosas surpresas.

9) No quesito compras, a coisa funciona mais ou menos assim, ao que parece: a 5a. Avenida tem todas as grifes concentradas em suas quadras, numa alucinante sucessão de Prada, Armani, Louis Vuitton, Abercrombie & Fitch, Gucci, a famosíssima e charmosíssima Tiffany & Co., Bulgari, Fendi, Ungaro, a departamental Saks, Cartier, a brasileiríssima H.Stern, os cosméticos da Sephora, Versace, a sempre lotada Banana Republic, e até uma NBA store para os adoradores do basquete. Mas é, ao menos nessa época do ano, estupidamente lotada. No Soho, é possível encontrar não apenas todas essas marcas (ou quase todas), mas umas outras tantas que só estão ali, em um ambiente muito mais charmoso e menos populoso. Dolce & Gabbana, Marc Jacobs, Anna Sui, entre outros, fora as lojas de design e de móveis que são de tirar o fôlego. No Meatpacking District, a coisa fica muito mais sossegada (e também extremamente charmosa), com figurões como Alexander McQueen, Stella McCartney, Christian Louboutin, a minha favorita PUMA blackstore, além de uma Apple store super transitável. Fora o fanfarrão Carlos Miele, da nossa M. Officer. (Não gosto nem um pouco. E olha que sou totalmente pró estilistas brazucas, excelentes e criativos. Mas Miele não me convence mesmo).

10) Agora, para quem tem realmente muito dinheiro, a Madison avenue é o lugar onde a coisa fica séria. TODAS (e eu digo TODAS mesmo) as grifes importantes do mundo inteiro estão por ali. Pouquíssimas pessoas nas ruas, carrões com motorista, casacos de pele e cromo alemão desfilando pelas calçadas, silêncio, limpeza, beleza e dinheiro, muito dinheiro. Da departamental chic Barneys, passando por Prada, Yves St. Laurent, Gianni Versace, Emanuel Ungaro, Moschino, Dolce&Gabbana, Giorgio Armani, Valentino, Calvin Klein, DKNY, Ann Taylor, e os maravilhosos couros e bolsas da Bottega Veneta, além dos sapatos do sensacional Jimmy Choo, está tudo por ali. Mesmo para quem não pode comprar (como eu), é interessante e bonito de ver. A moda é um campo fascinante para quem pesquisa sobre arte, portanto…

11) Por fim, as lojas de departamentos se espalham pela cidade inteira, das mais requintadas às mais populares. Barneys, Saks 5th avenue, Bloomingdales, Macy’s, Bergdorf Goodman, Henri Bendel, Century 21, Fortuneoff… há um pouco de tudo em cada uma delas, roupas de grifes, sapatos, bolsas, utilitários, mobiliário, coisas para casa, design, decoração, além de boas ofertas. Para quem se intimida em entrar nas lojas por vezes imponentes da 5a avenida ou da Madison, ou para quem tem dificuldades com a língua e se sente mais à vontade garimpando por si próprio, é uma boa alternativa.

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Outros highlights de Nova Iorque…

12/01/2008 · 1 Comentário

… e chega desse assunto!

Uma última para o item exposições:

Unmonumental: the object in the 21st century, no New Museum, primeira etapa de um ciclo de exposições que busca discutir o estatuto do objeto na arte, a partir das assemblages, colagens e afins que, ao que parece, estão sendo definitivamente retomadas por artistas de todos os cantos. (Se é que algum dia foram descartadas, bem entendido). A escultura como lugar incômodo, desconcertante, em uma junção de pedaços que provoca o espectador, jamais apazigüando-o em um ângulo confortável. Sem contar que parte desse ciclo é uma parceria com o excelente site Rhizome, que possui um acervo interessantíssimo de arte em novas mídias – entre outras coisas – e pode ser acompanhada via web. E, além disso, o prédio novo do museu, na Bowery, apresenta um espetáculo à parte por sua arquitetura.

new-museum.jpg

No quesito restaurantes, as opções são tantas que daria para escrever um guia gastronômico. Mas, de todo modo, há 3 pedidas imperdíveis para quem gosta dos prazeres e das surpresas que a alta gastronomia pode nos reservar:

wd~50: o festejadíssimo chef Wylie Dufresne, com uma estrela no guia Michelin, faz a alegria de todos os cinco sentidos nesse restaurante moderno, colorido, musical e, acima de tudo, repleto de sabores inacreditáveis. Os gostos, texturas, combinações e aparências de seus pratos são inesquecíveis e valem cada um dos muitíssimos cifrões por eles cobrados.

wd50-lamb_belly.jpg

db bistro moderne: o chef Daniel Boulud em sua versão bistrô reinventa uma série de pratos da cozinha francesa com uma leveza e um capricho de arrepiar. Pratos lindos, saborosos e variados, provocam uma alegria de sabores até o mínimo detalhe.

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Osteria del Circo: a família Maccioni mostra, nesse caprichado italiano, o que essa culinária tem de melhor, sem excessos, sem pesar, e com um cardápio de sobremesas delicioso.

Fome de arte, fome de comida!!!

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Ainda sobre o MASP

09/01/2008 · Deixe um comentário

Recuperados os dois quadros roubados no final do ano passado, é importante não deixar a poeira baixar, nem julgar que o pior problema do museu está resolvido. Longe disso, há muito o que desenterrar nessa podridão administrativa que o gerencia.

Curiosamente, Julio Neves não tem se mostrado tão interessado em prestar contas das finanças do MASP quanto parecia interessado em capitalizar os tais roubos a seu favor. Do que tenho lido nos jornais, o tal senhor não se digna nem a levar as contas ao poder público, conforme solicitado.

De todo modo, surgem alguma manifestações em prol de uma intervenção federal no MASP. Ainda que possamos questionar, como fez Teixeira Coelho, se esse é o melhor caminho para o museu, parece-me mais do que comprovado que o atual modelo gerencial está fora de questão.

Assim, sugiro que dêem uma olhada no site SOS MASP, em que assinaturas estão sendo coletadas em prol desse pedido de intervenção. É um meio de, ao menos, deixar claro que há muita gente insatisfeita com o modo como o museu vem sendo gerido e que, ainda que seu conselho pense o contrário e se perpetue no poder há décadas, existe um grande número de pessoas pressionando por alguma mudança.

Depois do roubo das telas de Portinari e de Picasso, a situação caótica, precária em que o museu vive ganhou ainda mais notoriedade. Sem conservação, sem segurança, com obras penhoradas, uma dívida astronômica, uma falta de política curatorial que durou mais de uma década e só recentemente foi revista… enfim, o MASP está definhando e é terrível ver isso acontecer com um dos acervos mais importantes que temos na cidade de São Paulo sem fazer nada a respeito. Vá lá, para quem acha que isso lhe diz respeito.

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