Qualquer época do ano é época de excelentes exposições em Nova Iorque. Dá até agonia de tanta coisa interessante para se ver. Vamos aos highlights do período invernal:
Senso Unico: no P.S.1, o anexo do MoMA que fica no Queens, em uma desativada e enorme escola pública, provando que os excelentes espaços expositivos não se restringem a Manhattan e, pelo contrário, são ainda mais potentes e radicais quando saem do eixo principal da cidade. Mostra o que 8 artistas italianos atuais andam fazendo. E Vanessa Beecroft, Paolo Canevari, Angelo Filomeno, Rä di Martino, Adrian Paci, Paola Pivi, Pietro Roccasalva e Francesco Vezzoli andam fazendo produções interessantíssimas. Como o vídeo Marlene Reduz de Vezzoli, que narra uma vida glamourosa, hollywoodiana e repleta de escândalos, no melhor estilo ‘de olho nas celebridades’ que a América adora. Ou, então, os delicadíssimos bordados de Filomeno, colocando brilhos em tecidos esticados como telas e transformando armaduras em adornos carnavalescos ameaçadores e fascinantes.
Kathe Burkhart: também no P.S.1 (aliás, se você quiser ir em apenas um lugar de arte contemporânea na cidade, pode não se obrigar ao MoMA e ao Guggenheim e pegar o metrô para o Queens sem medo, pois as chances de você topar com as obras mais instigantes do momento expostas no P.S.1 é altíssima). Enfim, de Kate Burkhart são mostrados vários trabalhos da Liz Taylor Series, em que a atriz é usada como objeto de culto pop e de crítica à indústria do entretenimento e à glamourização das celebridades.
Kris Martin: outra do P.S.1 (sim, a escola é enorme mesmo e há uma boa quantidade de exposições ocorrendo ao mesmo tempo, com direito até a instalação de Tunga no porão e de Richard Serra no telhado, fora a exibição de Berlin Alexanderplatz do Fassbinder, com direito a fotografias, making off, anotações, sketches e tudo o mais!!!). Primeira individual do belga na cidade, uma arte cabeçuda, cheia de referências e diálogos com a própria história da arte. Tudo é muito simples e limpo, como Vase, o vaso falso-Ming que é quebrado e remontado a cada vez em que é exposto, ou End Points, em que o artista apresenta os pontos finais de várias obras literárias reconhecidas, ou ainda Mandi VIII, em que o grito do Laocoonte perde sentido sem o monstro que o ataca.
Richard Prince: no Guggenheim Museum, que apresenta uma grande retrospectiva do artista, a Spiritual America, em que comparecem suas fotos de grandes dimensões apropriadas dos cowboys de Marlboro, as telas imensas de frases e piadas que o artista coleciona, agrupadas sobre folhas de cheques ou outros papéis colados na base da composição, ou ainda suas enfermeiras descontextualizadas, mascaradas, um tanto eróticas, um tanto assustadoras, mostrando como Prince se apodera dos ícones da cultura americana de maneira crítica e mordaz, transformando qualquer coisa aparentemente banal em um olhar ferino sobre o contexto em que vive. Imperdível e excelente!
Infinite Island: Contemporary Caribbean Art: no Brooklyn Museum, pois a arte contemporêna é feita em muitos lugares dos quais não temos nenhuma notícia e é muito interessante conhecer o que é produzido nos diversos recantos caribenhos que mostram que não são compostos apenas de praias paradisíacas mas, também, de cabeças pensantes e mentes críticas. Há uma diversidade grande de trabalhos, artistas e qualidade. Penso que a exposição peca nos momentos mais panfletários, mas essa arte ‘politicamente correta’ é algo de que nem nossa última ‘bienONG’ escapou, portanto… Enfim, vale atentar para Jorge Pineda, Raquel Paiewonsky, Alexandre Arrechea, Ewan Atkinson, Liset Castillo, Miguel Luciano…
E, aproveitando o ensejo, o Brooklyn Museum é excelente, também fora do eixo Manhattan, com um acervo de respeito e bastante ocupado com exposições bem organizadas. Possui um hall repleto de esculturas de Rodin de tirar o fôlego, além de uma ala dedicada à arte feminista onde, agora, se encontra em exibição o The dinner party, de Judy Chicago, uma das obras mais importantes de arte feminista realizadas na década de 70 e que é, no mínimo, encantadora e perturbadora, com sua mesa triangular posta em grande estilo e as louças dedicadas às mulheres importantes da história, exibindo nos pratos formas de vulvas.
Além disso, lá sempre acontecem exposições de arte contemporânea e várias obras atuais dialogam com o acervo permanente do museu, criando uma cronologia bastante diferenciada e uma maneira diversa de se olhar para a arte.
É isso mesmo. Para quem ainda não entendeu, Queens e Brooklyn são OS lugares em Nova Iorque para quem gosta de artes plásticas de ponta.



















3 respostas Até agora ↓
conexaoparis // 14/01/2008 às 11:39 am |
Muito bom o blog.
Mas, e a curiosidade?
Em bom portugues, quem é você?
Um abraço Maria Lina
Ou não… « Breathe, inhale, exhale… // 16/01/2008 às 2:24 am |
[...] Nova Iorque tem museus fora do circuito MoMA, Guggenheim, Metropolitan, como eu disse nesse post aqui. E não é necessário nem sair de Manhattan (minha grande descoberta nesse périplo de fim de ano, [...]
Save the best for last… « Breathe, inhale, exhale… // 22/12/2008 às 6:52 pm |
[...] 10a) Senso Unico e 10b) Kris Martin – P.S.1 – Lugar incrível, exposições excelentes, dia fantástico, amplamente comentado aqui. [...]