Breathe, inhale, exhale…

Nova Iorque fashionista…

07/01/2008 · 1 Comentário

Nova Iorque em tempos de inverno, frio e liquidações de verdade é uma tentação até para os mais convictos anti-capitalistas. Então, seguem algumas dicas, descobertas, achados, novidades e tradições imperdíveis para quem pretende se aventurar pela maravilhosa maçã nesse começo de 2008.

Livrarias: porque não dá para começar por outro item que não livros, livros e mais livros. E porque não há nada mais irresistível do que liquidação de livros, livros com 50% de desconto, livros de arte, fotografia, design, catálogos… tudo a preço de banana. Ou quase. E apesar de haverem Barnes & Noble por toda Manhattan, a perdição dos leitores contumazes é, mesmo, a Rizzoli, que fica na 31 West 57th Street, entre a 5a e a 6a avenidas. É um misto de Livraria Cultura e Livraria da Vila, com uma seção de artes plásticas que faz chorar, tantas são as opções. E, o melhor, você compra quilos e quilos de exemplares e eles mandam entregar na sua casa. (O serviço é pago, claro, porque nada nos E.U.A é de graça, algo com que é bom se acostumar desde o início).

Uma outra opção incrível e inusitada é uma livraria japonesa, a Kinokuniya, na 10 W 49th St, entre 5a e 6a avenidas também. Livros de fotografia, das mais tradicionais às mais vanguardistas, contemporâneas, com direito ao espetáculo de cores, criações e inventividade que os japoneses têm de sobra para dar e vender. Uma seção de livros e revistas sobre tatuagens de cair o queixo, as tradicionais ikebanas, os origamis, os mangás, muitas e muitas coisinhas de papelaria… Enfim, até para quem não entende uma palavra da língua japonesa, há uma quantidade impressionante de textos, revistas e livros do maior interesse. E com um preço acessível.

Aliás, saibam que os japoneses continuam em alta, da moda às artes, do design à culinária… Imbatíveis – ou quase – já que os chineses são os responsáveis pela imensa maioria dos produtos comercializados nos E.U.A, até aqueles das marcas mais exclusivas do planeta e, além de mão de obra barata para o globo todo, agora têm despertado o interesse em outras áreas, como nas artes plásticas, em que revelam uma produção bastante interessante, viva, crítica e antenada.

Moda e design: Para fazer compras, não adianta, o Soho é mil vezes mais divertido e hypado do que a região da 5a avenida, lotada 24 horas por dia, com filas nas portas das lojas, pessoas acrescidas de suas sacolas e casacos, ocupando uma área imensa de espaço ao seu redor e trombando em todo mundo, fora os carrinhos que vendem bagels, castanhas e toda sorte de comida, exalando uma fumaça constante, que impesteia tudo e deixa qualquer passante fedendo por dias a fio. (Desculpem-me os que gostam dessas comidinhas, mas os cheiros são insuportáveis). Enfim, no Soho, além das lojas tradicionais da 5a avenida, há umas outras tantas que ficam apenas por ali, prontas para serem descobertas por aqueles que querem ousar para além de Armanis, Pradas, Louis Vuittons e afins.

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Tomem nota:

Anna Sui: na 113 Greene Street (e mais uma série de endereços por todos os E.U.A, além do Japão, Korea, Taiwan, Hong Kong e por alguns cantos da Europa), possui um estilo ultra moderno, meio vintage, com cara de vovó, colorido, repleto de estampas, texturas, tecidos leves e outros quentes, pesados, aconchegantes, lembrando um brechó em que tudo é lindo, detalhado, sem exageros… Anna Sui já aparece no cenário da moda desde os anos 90 e produz de camisetas a cosméticos, passando por bolsas e sapatos bonitos e divertidos, daqueles que realçam qualquer visual. É uma moda para quem gosta de se arriscar, não para as adeptas do estilo patricinha que só sabe seguir o que as revistas de moda recomendam, viu?

UNI QLO: na 546 Broadway, uma daquelas marcas que revela o que eu vinha falando sobre os japoneses em alta. Kashiwa Sato faz uma moda casual, repleta de peças básicas, combináveis com tudo o que pode existir no seu guarda-roupas, além de uma série de camisetas com desenhos divertidos e de bom gosto.

Brooklyn Industries: na 286 Lafayette St., outra que faz o estilo básico, acessível, criativo, de ótima qualidade. É o hype do inverno em NYC. (Isso porque o Brooklyn está na moda já há algum tempo, com seu museu excelente, seus lugares descolados, suas comidinhas…) Você vê as sacolinhas da loja circulando por mãos descoladas, moderninhas, variando seus produtos de camisetas, vestidos, roupas masculinas, agasalhos, gorros, chapéus, luvas e vários tipos de bolsas, mochilas e afins. Esse é um must have dos antenados de plantão.

Muji: na 455 Broadway, uma loja de design, que tem de tudo um pouco. Outra preciosidade japonesa, minimalista, básica, com ótimos preços, tem seus produtos vendidos, também, na loja de design do MoMA, na 81 Spring Street no Soho, além daquela que fica em frente ao próprio museu, outra perdição para quem sabe que utilitários são, algumas vezes, muito mais do que isso. São peças de decoração, funcionais, pensadas para agregarem utilidade, beleza e, acima de tudo, inteligência no fazer cotidiano. Um deleite de conceitos espalhados pelos mais diversos produtos.

Yellow Rat Baztard: na 478 Broadway, com tudo o que você pode imaginar de streetwear, dos tênis All Star, Puma, Adidas (os customizados, não aqueles que se acha em qualquer loja, viu?), passando pela moda hip hop da Ecko, as camisetas Emily e por aí vai. São duas lojas, uma em frente à outra, sendo que uma delas congrega toda a parte de calçados, repleta de modelos ultra coloridos, diferentes e interessantes.

Do Kham: na 51 Prince Street, uma lojinha de artigos tibetanos, repleta de gorros de pele, além de roupas, mantas e uma profusão de cores e texturas de tirar o fôlego. Típicas, criativas, usáveis, propiciam as combinações mais inusitadas para as pessoas atiradas.

Steve Madden: na 529 Broadway, os sapatos lembram aqueles achados de Camden Town, nos dias de mercado, em que o estilo só pode ser surpreendente, os saltos altíssimos, o arrojo quase aviltante. Enfim, o dito cujo já teve problemas com a lei e outros bichos mas, no que diz respeito aos sapatos e botas, ah… que alegria!

Foot Locker: ainda no quesito sapatos, essa é uma loja com uma imensa variedade de tênis, espalhada por toda Nova Iorque. Nas lojas do Soho, há uma grande quantidade de PUMAs, Nikes, Adidas e outros tantos, geralmente a preços especialíssimos.

Outro bairro imperdível, para compras e, também, para a badalação noturna, com ótimos restaurantes e lounges, é o festejado Meatpacking District.

Lá você encontra a PUMA Black Store, na 421 West 14th St, onde estão as criações mais conceituais da marca, como as botas e tênis desenhados por Alexander McQueen, os esportivos de Neil Barrett, as canos altos e as bolsas arrasadoras de Yasuhiro Mihara, os casuais e básicos do exagerado e fanfarrão Philippe Starck, as jaquetas, botas e couros incríveis de Rudolf Dassler, fora uma série de casacos absolutamente lindos, modernos e elegantes, sem caretice alguma. As lojas da PUMA costumam ser incríveis e a Black Store é o ápice do que esse tipo de moda pode inventar.

Aliás, aproveitando essa mesma rua, entre na loja quase que imediatamente ao lado (417 West 14th Street) que é dele, o absurdo Alexander McQueen. Não dá para ficar mais hype, fashion e melhor do que isso. As roupas são lindas, femininas e contemporâneas, combinando algo que te surpreende por parecer tão pouco provável e, ao mesmo tempo, maravilhoso e, como se não bastasse a habilidade de McQueen em construir silhouetas magníficas para homens e mulheres, há ainda os sapatos e bolsas, sem nem mencionar os óculos. Se você tiver que gastar uma pequena fortuna em algo que seja magnífico, de ótima qualidade, que caia perfeitamente no corpo, no rosto ou nos pés e que vá te fazer sentir-se especialmente poderosa(o), essa é A loja.

Seguindo a trilha glamourosa da 14th street, pare na esquina para dar uma olhadinha na Apple Store (401 W 14th Street). Não é tão impressionante quanto o cubo de vidro transparente e iluminado da 5a avenida, mas é mais vazia e, portanto, mais tranqüila para quem quer olhar e testar os produtos. iPhones, iPods, Macs… tudo ali, ao alcance das mãos, podendo ser mexido, brincado. E mais, com o auxílio de um dos muitos funcionários – todos Mac maníacos – como qualquer pessoa que se ligue em um design.

OK, Nova Iorque não é apenas compras. Aliás, isso é a menor parte do que a cidade tem a oferecer. Sem querer fazer propaganda ou apologia da América (por que será que eles detém o título América, ao menos na opinião deles, não?), esse festival de lojas serve, ao menos, para quem aprecia observar e buscar entender o que movimenta as pessoas. E, nessa cidade, fato é que o consumo é uma máquina colossal e poderosa, capaz de esmagar todo mundo em suas engrenagens mas, também, de revelar uma série de idéias, criações, construções, invenções geniais e criativas. Está tudo ali, para quem quiser ver. E nem chegamos no assunto museus ainda. Ou seja, a criação e a inventividade estão na moda, no design, na culinária, na música, nas artes plásticas… Enfim, um assunto por vez, já que estou gostando dessa verve dicas de viagem.

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