Procurar imóvel é das melhores situações para uma pessoa descobrir o tamanho dos seus ideais e se, na impossibilidade de alcançá-los, é alguém capaz de encontrar um tamanho possível para seus sonhos ou mais um ser fadado a se estatelar em lágrimas no interminável muro das lamentações de “o mundo é injusto”. Pois, sim, o mundo é realmente injusto e espernear não vai fazer com que ele altere sua órbita nem em um milímetro.
A menos que você faça parte daquele percentual ínfimo de seres humanos donos de um patrimônio de dígitos praticamente tão incalculáveis que quase se tornam virtuais, certamente haverá um teto para o quanto você poderá gastar com qualquer investimento que faça, mesmo que seja o importante e volumoso investimento de adquirir um apartamento ou uma casa. E, com esse limite em vista, possivelmente não será possível arrematar aquela cobertura fantástica de 1000m², ou aquela mansão fotográfica no Jardim Europa. Nada a fazer a não ser conformar-se: busque o melhor que seu bolso puder financiar. E viva com isso.
A convivência com os corretores de imóveis costuma ser divertida e, ao mesmo tempo, irritante. Hoje mesmo duas delas disseram que meu apartamento é excelente, mas que só agradaria ao público gay. Ou, nas palavras delas, aqueles “meio assim”. Não entendi totalmente o conceito, mas o preconceito ficou bem claro.
Aqueles “meio assim” foram padrinhos de meu casamento, diga-se de passagem, na igreja. Católica. Sim, um casal de “meios assim” padrinhos de uma atéia e um meio judeu totalmente ateu, juntamente com outro meio judeu e mais um judeu inteiro, além de pelo menos duas outras tão atéias quanto eu. E casamos na igreja católica. E o padre realizou a cerimônia. E ele era extremamente simpático e afetuoso. E nada disso parece ter sido um problema. Vai entender…






