Breathe, inhale, exhale…

Eternally yours…

25/01/2008 · Deixe um comentário



Eternally yours…, originally uploaded by alerib.

A cliché, but still the best musical ever.

Broadway, New York city, USA.

Categorias: Nova Iorque · Photos
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Os irresistíveis sabores de Sampa.

25/01/2008 · Deixe um comentário

Vamos e venhamos, já que nós paulistanos nos encontramos ao redor das mesas, nada como comer bem, não? E isso é algo que se pode fazer em São Paulo em uma variedade quase infinita de lugares, especialidades e preços. Algumas das minhas maiores descobertas gastronômicas por aqui:

Os modernos:

SPOT: em um aquário todo envidraçado, próximo à avenida Paulista, cercado de prédios e por uma bela praça urbanóide de concreto e fontes de água, este é um dos lugares modernos em que se come muito bem, cercado por gente bonita, em um local aprazível, com boa música e uns tantos famosos. As caipirinhas são deliciosas, especialmente a de vodka com kiwi e mel, os garçons são sempre universitários gatos e a comida é realmente boa. O penne com presunto cru e melão é uma das combinações mais saborosas que se pode fazer entre fruta doce e salgado…

Mestiço: outro restaurante descolado, de cozinha contemporânea, que mistura sabores brasileiros com os temperos thais de uma maneira muitíssimo saborosa. Está sempre lotado de gente, é para ver e ser visto, extremamente gay friendly e, além do mais, serve uma excelente comida. O krathong-thong, uma cestinha de massa crocante com recheio de especiarias é indispensável como entrada. O hua-hin é um frango com a medida certa de curry tailandês, e o mestiço, com seus camarões gigantes, é uma delícia de doce com salgado. O bolinho de estudante, na sobremesa, dá um novo significado à tapioca.

Ritz: outro descoladíssimo e já antigo restaurante no cenário paulistano, sempre cheio de modernos e turminhas fashion de todos os estilos, oferece um prato do dia caseiríssimo aos sábados: o pastel com feijão, arroz, couve e farofa. Um clássico. Seus hamburgers também são famosíssimos e suculentos. Suco de tangerina é a pedida para os dias quentes.

Fillipa: dos mesmos donos do Mestiço, mas noutro canto da cidade, o Fillipa costuma estar menos lotado, com seu ambiente extremamente simpático e seus funcionários acolhedores. Servem champagne em taça, trazem alguns dos pratos que são sucesso no Mestiço também em seu cardápio, como a salada Cubana e o bolinho de estudante mas, por outro lado, desenvolvem alguns pratos só seus que são deliciosos. Os pães são feitos na casa, o couvert já é uma delícia, o Jo-jo de aspargos e cogumelos frescos e o Goi cuon, um rolinho vietnamita, são entradinhas que fazem bem aos olhos e ao paladar e, no quesito misturas ocidente / oriente, há uma coleção de carnes, frangos e peixes com temperos de curry e outros picantes que fazem a delícia dos paladares ousados. Na sobremesa, o bolo molhado de côco com chocolate belga dá vontade de lamber o prato.

Os tradicionais:

Martín Fierro: se o negócio é comer carne, os argentinos são imbatíveis e, dentre eles, o Martín Fierro é o melhor da cidade. Desde os anos 80 na Vila Madalena, reduto da boêmia da cidade e muito diferente dos monótonos restaurantes que se instalaram por lá nos últimos anos, todos iguais uns aos outros, esse é um verdadeiro grill em que as carnes são servidas comme il faut. Ao ponto significa que o miolo está vermelho, mal passado significa que apenas o exterior da peça passou pela churrasqueira e bem passado… bem, não existe isso de carne bem passada para um argentino. Carne bem passada é sola de sapato. Experimente os saborosos cortes de bife de chorizo e do vacío com salada e um pãozinho francês para molhar no fundo do prato (sim, ali a carne é servida com salada e pão, nada de arroz, farofa, vinagrete…). As empanadas de entrada são deliciosas e cheias de recheio e o almendrado (um sorvete com calda de chocolate) é de lamber os beiços. Vive cheio, mas vale a espera na calçada, tomando uma cerveja.

Tandoor: um indiano excelente, com deliciosa comida e preços bastante razoáveis. No quesito curry e especiarias, é uma visita imperdível. Com um estilo antigo, atendimento por vezes eficiente e noutras um tanto desleixado, e uma TV grande em que passam, constantemente, videoclipes do que devem ser alguns sucessos musicais indianos e filmes de Bollywood (nada pode ser mais simultaneamente cool e brega do que isso), o Tandoor capricha nos delicios pães Naan e nos pães recheados que serve como entrada, com chutneys, molhos temperados em que se mergulham os pães sempre fresquinhos, quentes e saborosos. Seus pratos trazem várias opções entre carnes, peixes e legumes (maravilhosos, como o grão-de-bico, a lentilha ou o queijo com espinafre, para provar que os vegetarianos também podem ser felizes). O sherbet, refresco com essência de rosas, é interessante e doce e o kulfi, picolé de manga, uma ótima pedida para encerrar uma exploração de sabores.

Marcel: um francês das antigas, em uma cidade que prima por possuir alguns dos melhores restaurantes e chefs franceses em atividade, serve alguns dos melhores soufflés salgados e doces que se pode provar por aqui. Levíssimos, saborosos, criativos ou tradicionais, são de dar água na boca e alegria no coração de quem gosta de cozinha de sutilezas.

Presidente: no Brás, um dos bairros mais antigos da cidade, que já foi povoado por algumas das boas cantinas de Sampa, sobrevive o apetitoso Presidente, especializado em bacalhau, feito nas mais diversas receitas portuguesas que nossos antepassados trouxeram para cá. Sequinho, com molho, vegetais, batatas, verduras ou azeitonas, a porção é sempre gigantesca nesse restaurante simples e despojado. E o bolinho de bacalhau servido como entrada é imbatível. Precavidos, eles deixam um dispositivo com fio dental nos sanitários. Afinal, depois dessa pajelança, o espaço entre os dentes diminui consideravelmente.

Chi Fu: um chinês sujo, lotado de, na maioria, chineses, em que quase ninguém fala português e você não pode esperar muita atenção de seus funcionários. E daí? Aqui em São Paulo, apreciadores que somos da boa cozinha onde quer que ela se encontre, aventureiros de bairros e sabores desconhecidos, não nos importamos em descobrir lugares improváveis, desde que a experiência valha a pena. E, no Chi Fu, vale encarar a fila e não botar os olhos nos detalhes para apreciar essa comida que é saborosa, farta e incrivelmente barata. Além dos locais, está sempre repleto de publicitários, jornalistas e advogados. Não se restrinja ao macarrão chop suey ou ao frango xadrez. Ouse. Na segunda ou terceira garfada você terá esquecido o entorno.

Sushi Yassu: um dos ótimos restaurantes japoneses da cidade, com dois endereços e um vasto cardápio de opções, dos mais tradicionais sushis e sashimis aos pratos quentes mais diversificados, exóticos e interessantes. Seus peixes são sempre frescos e há muita variedade com que se divertir.

A cozinha de autor:

D.O.M.: Sim, temos uma impressionante gama de restaurantes de alta gastronomia na cidade mas, do fundo do coração, nada pode ser melhor do que este. D.O.M. mostra o melhor de Alex Atala, um chef mais do que laureado, desde seus tempos de Filomena e Namesa, por sua inventividade e pela maneira como incorpora a cozinha brasileira a conceitos e formas da altíssima gastronomia, tornando-a leve, colorida e surpreendente. Um dos melhores restaurantes do mundo, é caro, solicita reserva e é um programa a se fazer necessariamente, caso você queira realmente saber o que a cidade pode te oferecer de melhor. Para tirar o máximo proveito da empreitada, peça o menu degustação, uma boa maneira de provar vários insights de uma experiência que fica marcada na memória por um bom tempo.

Jun Sakamoto: faz com a culinária japonesa, a meu ver, mais ou menos o que Atala faz com a brasileira, injetando um mar de criatividade em uma cozinha que, por si, já é tão colorida, inventiva, leve e saborosa. Sentando-se no balcão, você tem a oportunidade de ser servido pelo próprio Jun, mas faça isso apenas se estiver disposto a confiar-lhe sua vida, pois ali não há cardápio ou pratos quentes. É o melhor do melhor, daquilo que está fresquinho, inventado pelas mãos de um artista. Para acompanhar com uma bebida, basta apenas pedir que o maître te sugira um dos muitos saquês da carta de bebidas, raros, diferentes, perfumados. E, por favor, não coloque sal na beira do copo porque não precisa: ali, até os saquês são para degustação lenta e pausada, como a boa comida nipônica deve sempre ser saboreada.

Gero: o poderoso Rogério Fasano fez uma revolução gastronômica na cidade já há uns bons anos, seguindo a tradição de sua família, com seus restaurantes em que a cozinha italiana saiu do patamar das cantinas sempre boas, porém pesadas e idênticas umas às outras. Restaurantes, bares, sanduicherias, enoteca, hotéis… Fasano não conhece limite para o que pode reinventar e sofisticar. Mas, a meu ver, o Gero, seu segundo rebento, permanece em lugar de destaque quando a questão é comida de alta qualidade. O ravioli di zucca lembra a iguaria que comi raras vezes na casa de uma tia, com receita guardada a sete chaves. Da abobrinha servida como aperitivo, à champagne com morangos até as sobremesas, tudo eleva os sentidos nesse restaurante em que se pode mesmo descobrir um enorme prazer com a gastronomia d’Itália.

Os achados:

Porque cada paulistano tem sua lista de achados que não conta para ninguém.

Buttina: uma casa simpática em Pinheiros, com árvores frutíferas no quintal, um desenho de Niemeyer em uma das paredes (sim, ele esteve lá e, sim, desenhou na parede mesmo) guarda um dos excelentes restaurantes italianos da cidade, com delicadezas que vão dos antepastos à deliciosa salada de tomates salteados no azeite, passando por uma oferta de massas todas feitas no próprio local, frescas, leves e deliciosas. O fettucini de cacau com molho de mascarpone e presunto cru é uma das melhores combinações culinárias das quais sou testemunha, o gnocchi é feito apenas em certos dias da semana e os sorvetes de sobremesa, também preparados in loco e com algumas das frutas das árvores do quintal, são maravilhosos.

Obá: para quem não acredita que a mistura entre cozinha mexicana, tailandesa e brasileira poderia resultar em algo além de confusão de referências, sugiro que visite o Obá. Desmente qualquer teoria contra as cozinhas fusion e aproveita os melhores ardumes de pimentas e currys com algumas das tradições que temos de melhor. O tradicional pad thai é excelente, o kao pad consegue harmonizar pato, lichias e arroz, as moquecas e a feijoada são especialíssimas e leves. A ousadia perpassa também as bebidas, como o delicioso e inusitado suco de maracujá com banana.

Ça-va Café: um bistrô francês charmoso, atrás do MASP, que prima pelos pratos tradicionais caprichados aliados à música ao vivo, ao bom preço e à simpatia de seu proprietário. Tudo bem cuidado, de ótima qualidade e delicioso sabor.

Sushi Lika: um dos bons restaurantes japoneses da cidade (que tem uma infinidade deles, felizmente) está sempre povoado de moderninhos em seu salão renovado que serve excelentes temakis e outros crus bem cuidados.

Tenda do Nilo: é O melhor restaurante árabe da cidade, não tem jeito. Pequeno, em um bairro sossegado e aprazível, com poucas mesas e um atendimento caseiro, o Tenda do Nilo é capaz de fazer mesmo os mais recalcitrantes avessos às frituras passarem a gostar de kibe (frito, fresquinho, crocante por fora e derretendo por dentro). O kibe cru é uma especialidade que pode ser provada em poucos lugares com confiança e esse é um deles. Mas o fatte, com seu pão torrado, carne com grão-de-bico, coalhada fresca, alho e castanha, o faláfel e o trigo com carne desfiada são iguarias maravilhosas, com seus cheiros e sabores irresistíveis e devem ser provados antes de mais nada.

La Tartine: outro delicioso bistrô francês, serve deliciosas quichês com salada, bem como um apetitoso cuscuz marroquino. As torradinhas de queijo de cabra são uma excelente entrada e o sorvete com frutas vermelhas encerra muito bom essa refeição gostosa, a bom preço, em um lugar sempre movimentado, colorido, divertido e descontraído.

Beco do Bartô: outro achado na região do Paraíso, esse simpático restaurante que fica em um beco todo reformado e acolhedor prima por seus pratos extremamente bem feitos, combinações interessantes e por uma carta de vinhos bem cuidada e saborosa. A costela é uma pedida certeira para os apreciadores das carnes, e as entradas de salmão e de pão com ovo e carne seca surpreendem por seus sabores.

Esses são cerca de vinte entre centenas de restaurantes que nossa cidade oferece. Cada paulistano deve ter seu roteiro de achados e sua opinião sobre os melhores em cada gênero. Cada qual deve ter uma especialidade que é capaz de reproduzir na cozinha de sua casa. Gostamos de comida, fazemos comida, sentamos ao redor da mesa, comemos, bebemos e conversamos. É assim na Paulicéia desvairada… Aos restaurantes, então.

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