Breathe, inhale, exhale…

Noite paulistana…

26/01/2008 · 1 Comentário

Uma das melhores coisas desta cidade é o fato dela contar com uma noite agitada, animada, repleta de programações para todos os gostos e bolsos. É possível arrumar o que fazer em São Paulo todos os dias da semana, durante toda a madrugada, até o dia seguinte. Para os baladeiros e os insones de plantão é, sem dúvida, a melhor vida noturna do hemisfério sul.

Dos botecos às casas noturnas em que só entram convidados dos donos, tudo existe aqui. Os melhores djs do país e do mundo se apresentam constantemente nos clubes paulistanos, muitas bandas de rock que estouraram nacional e / ou internacionalmente tocam ou já tocaram por esses cantos, muita moda, muita tendência é lançada na paulicéia, na noite, pelas pessoas que freqüentam e gostam da noite. Enfim, é impossível se dizer que conhece São Paulo aquele que nunca se aventurou por suas noitadas. Então, lá vão algumas dicas de lugares para quem quer se arriscar. Vista um modelão descolado e, como dizemos nós paulistanos, se joga!

Música eletrônica:

Para os amantes da música eletrônica, Sampa tem clubes excelentes, em que a boa música é privilegiada. Alguns já são tradições da nossa noite, cheios de histórias para contar, lugares que criaram moda, lançando tendências para o país inteiro. Nesse sentido, vale uma visita ao famosíssimo Lov.e que, com suas paredes de pelúcia na sala VIP e com suas luminárias na pista de dança, já abrigou boa parte de nossos djs mais famosos e alguns dos internacionais mais consagrados. Foi o Lov.e que trouxe o drum&bass de Marky da periferia para o centro da cidade, bem como foram eles que apostaram em uma noite de funk carioca quando ninguém ainda sabia o que era isso. O clube, infelizmente, deve fechar suas portas em breve. Portanto, se você ainda não foi, não perca as últimas oportunidades de poder contar que fez parte dessa história.

Outro clássico da noite eletrônica é o ainda mais antigo A Lôca, que fica em uma região de São Paulo que o próprio clube, juntamente com uma série de bares que se estendem por seu entorno, ajudou a revitalizar e a tornar centro da boêmia moderna, jovem, universitária e gls. A Lôca é um clube extremamente democrático em termos de público, sempre apresentando djs de qualidade, muitos dos quais, mesmo depois de muito sucesso, adoram voltar às raízes e tocar por ali. DJs de fora do país também aparecem por lá. Seu visual lembra uma caverna, o banheiro é unissex (algo que virou moda na noite), os preços são acessíveis e a pista de dança é sempre muito animada. Para quem gosta de fazer o que chamamos de um “esquenta”, que significa marcar um lugar para encontrar os amigos antes da balada, para bater papo e já tomar uma cerveja, o boteco vizinho ao clube, na esquina da Frei Caneca com a Peixoto Gomide, é sempre lotado e a paquera rola solta. Há alguns outros botecos na Peixoto Gomide, no mesmo estilo. Para os que curtem um programa pré-balada mais substancial, o Barão da Itararé é um bar arrumadinho, com ótimos bebes e comidinhas bem gostosas, sempre cheio de jornalistas e afins. Delicioso.

Os melhores clubes da cidade, atualmente, são, sem sombra de dúvida, o Clash e o D-Edge, nessa ordem. Os dois ficam na Barra Funda, outro bairro que vem sendo revitalizado e povoado de lugares muito interessantes a partir da movimentação que a noite proporciona. O Clash é um clube criado por gente que entende muito da noite e de música, o pessoal da Circuito produções, um grupo que durante muitos anos promoveu algumas das melhores raves de que esta cidade e seus arredores já tiveram notícias (as melhores, vejam bem, não as maiores porque, definitivamente, as maiores não são as melhores). Enfim, desde 2007 os criadores da Circuito decidiram investir em um clube e a experiência está dando muito certo. Amplo, com pé direito alto, sistema de som excelente, bom projeto de circulação, uma infra-estrutura bem planejada e montada e, o principal, o foco posto em boa música, o Clash promove shows de bandas de rock daqui ou de outros cantos do mundo, grupos que estão estourando agora, permitindo que os conheçamos em primeira mão (quem viu The Donnas lá?), além de trazer alguns dos melhores djs do planeta para pilotar seus maquinários sonoros. Festas com um time de djs de primeiro escalão, gente que gosta de música, pista feita para dançar, gente bonita, lugar de paquera, uma junção perfeita para esticar a noite até a manhã do dia seguinte.

O D-Edge é um dos melhores clubes do mundo, eleito por quem entende do assunto, os djs e produtores que vivem da noite e circulam por todos os cantos. O melhor soundsystem da cidade, uma pista sempre lotada e animada, uma decoração bonita, estrelas internacionais andando pela cabine de som e, também, pela pista de dança… o D-Edge é o lugar escolhido por todos os músicos internacionais que tocam no país, em algum festival eletrônico ou afins, para dar uma canja. Porque, sim, em música eletrônica existe canja, existe improviso, existe after hours e tudo isso tem grandes chances de acontecer nesse clube. Seguidor de tendências, o D-Edge embarcou com força na onda minimalista e do electrohouse que tem sido o sucesso das pistas nos últimos anos, sem muita ousadia em trazer gente que toque outros estilos mas, de todo modo, se esse é o tipo de música que apela aos seus sentidos, o lugar é visita obrigatória.

Há também, por aqui, os lugares que chamamos de “hypados”, onde vão os modernos, o povo da moda, as pessoas estilosas que querem ver e ser vistas e que se preocupam mais com o modelão do que com a música. Esses lugares têm excelente programação musical, embora isso raramente seja o foco de seu público. Atualmente, os “fervos” da cidade são o Vegas e o Glória. O Vegas veio revitalizar a região da Rua Augusta que vai para o centro da cidade, que já vinha sendo movimentada com os cinemas do Unibanco e alguns bares. Com a chegada do Vegas na região, instalado bem no meio das casas de prostituição, o que acontece é uma circulação e uma mistura muito interessante de pessoas diferentes. Bares, cinemas, restaurantes, clubes povoam esse pedaço da Rua Augusta lado a lado com saunas e inferninhos. Na rua circulam prostitutas, clientes, modernos, intelectuais, famosos, universitários, em uma conjunção de grupos harmônica e divertida, o que mostra que a noite pode ser, em certo sentido, civilizatória, na medida em que coloca de volta na rua um monte de grupos que, de outro modo, não conviveriam entre si. O Vegas, só por isso, já mereceria atenção. Mas, lá dentro, excelentes djs tocam em duas pistas de dança, uma ótima no andar de baixo e outra sofrível no andar de cima, com som mais baixo, fumaça de cigarro e vai-e-vem para o banheiro. O after hours Hells, um clássico de São Paulo desde a época em que acontecia do outro lado da Rua Augusta, na esquina com a Estados Unidos, nos Jardins, ainda é O lugar para se ir quando dá vontade de esticar a noitada até altas horas da manhã de domingo. E acontece no Vegas.

O Glória fica na região do Bixiga, outro bairro boêmio, repleto de cantinas italianas e bares despojados. É, talvez, o mais fashion de todos os clubes, contando com festas organizadas por pessoas muito experientes da noite, que trazem uma boa mistura entre rock, electro, house e afins, tornando a pista dançante, animada e colorida, além do estilo que vai dos uniformes dos funcionários à decoração e o projeto arquitetônico, feitos por renomados de todas as áreas. A famosa noite Alelux, em que Alexandre Herchcovitch (sim, o estilista, ele mesmo) e Johnny Luxo recebem convidados para uma noite de badalação, música e dança acontece no Glória. Mais hype do que isso, não há.

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