Hoje, na Folha de São Paulo, apareceu uma excelente reportagem com Paulo Herkenhoff a respeito da novela MASP, que continua sem sinais de chegar a seu último capítulo.
Depois de recuperados os quadros roubados em dezembro de 2007, a situação do museu continua indefinida graças, em grande parte, à persistência de seu conselho gestor em manter-se fechado a qualquer possibilidade de negociação ou abertura para novas propostas de administração. Um patrimônio de valor inestimável para nosso país continua em mãos de pessoas que parecem pouco se importar com ele.
Aliás, fico curiosa em saber acerca das obras do MASP que estão penhoradas por conta das dívidas do museu, assunto do qual ninguém fala, talvez porque poucos saibam disso. A pergunta é: como pode um museu penhorar obras que são patrimônios de nossa cidade e de nosso país? Isso é permitido? O que aconteceria se os credores de tais dívidas cobrassem a entrega das obras?
Uma outra questão que me inquieta: e os cuidados com o acervo do MASP? Herkenhoff é enfático ao dizer que o que o preocupa mais, para além das dívidas, é a conservação do acervo pois – e é disso que se trata – não parece haver nenhum cuidado com as obras que ali encontram-se hospedadas. Como se cuida dessas obras?
Estranho que pouca gente fale a respeito desses tópicos e que a discussão se mantenha no âmbito financeiro como, aliás, a proposta torta dos dirigentes do museu parece reforçar: o poder público entra para o conselho gestor e, em troca, dá dinheiro. Como assim? Alguém em sã consciência daria um tostão ao Júlio Neves? Sem que ele, nem ao menos, preste contas do sucateamento que vem fazendo no MASP na última década? Sem que ele diga sobre o estado das obras do acervo, sobre suas penhoras e outras manobras estranhas que ali acontecem?
Ainda bem que o barulho das obras roubadas abriu a ferida da falência do museu e que, para nossa sorte, a imprensa e as pessoas dos meios artísticos não estão – ao menos algumas delas – se abstendo de se posicionar.
No mais, para quem achar que isso possa ser de interesse, continua correndo o apelo ao poder público por algum tipo de ação em relação ao MASP, o SOS MASP. A ver.







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