Breathe, inhale, exhale…

Entradas do Fevereiro 2008

Espaço de experimentação no. 343

29/02/2008 · Deixe um comentário

Em São Paulo, têm surgido nos últimos anos uma série de espaços destinados a cursos livres nas áreas de artes e cultura, alguns com mais qualidade do que outros. Desde 2007, o E.D.E.No 343 tem se orientado por uma prática intimista de pequenos grupos nos quais se discute em profundidade temas atuais e de grande interesse: desde o projeto de artistas plásticos acompanhado em minúcias pelo trabalho de um ano inteiro de um grupo de discussão até cursos sobre ilustração, curadoria, crítica de arte, além de palestras sobre inúmeros temas. Trata-se de um projeto cuidadoso, implantado por gente consistente da área que, no próximo sábado, recomeça suas atividades em novo endereço, aqui na cidade de São Paulo.

Para quem possa achar interessante, não deixe de visitá-los!

EDEN 343

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Você sabe que…

27/02/2008 · 1 Comentário

… está envelhecendo quando tem notícias das comemorações de algum evento histórico que você presenciou. Thriller, o disco de Michael Jackson, comemora 25 anos e está sendo relançado em todo mundo.

Michael Jackson, junto com Madonna, são ícones pop que mudaram a cara do cenário musical mundial na década de 80. Uma junção de músicas bem feitas com a explosão do videoclipe (quem não se lembra de esperar o Fantástico para assistir, em primeira mão, ao horripilante, assustador e sensacional Thriller?) alçou ambos à categoria de astros mundiais que criaram fama, lançaram moda e inventaram tendências. Muita gente se vestiu à la Madonna e à la Jackson, com luvas, colares, e o tal casaco vermelho. Muita gente fez, na pista de dança, com maior ou menor perfeição, os passos do moonwalker e as poses caricaturadas de Vogue.

Com Michael, pela primeira vez na história da música, ela ganhou uma cara, uma imagem indelevelmente associada. Música se tornou música e imagem e, hoje em dia, mal podemos dissociar uma coisa da outra. Se lembramos de Thriller, logo pensamos na famosa coreografia dos zumbis que, junto com o cantor, fizeram alguns dos passos mais copiados de todos os tempos. Basta olhar no YouTube para encontrar um sem número de paródias dessas cenas.

Estranho que os dois grandes ícones, que se ligaram fabulosamente a todo tipo de mídia, associando imagem e som desse modo inédito, tenham tido destinos tão diferentes. Enquanto a música de Jackson foi minguando a olhos vistos, suplantada por escândalos e bizarrices que tiraram o foco daquilo que ele sabia fazer de melhor, tornando-o hoje um ser grotesco, que só tem a atenção do público dos tablóides e das páginas policiais, Madonna parece ter conseguido se reinventar e se perpetuar sempre no topo, seguindo e fazendo tendências de uma maneira sagaz (não foi de uma genialidade sem tamanho ela ter reconhecido Britney Spears como sua sucessora, ter protagonizado a tal cena do beijo na premiação da MTV americana e ter deixado que a moça se afogasse em seus próprios problemas e se afundasse por sua própria conta enquanto ela, soberana, flanava acima do bem e do mal?), alimentando uma indústria que costuma ser extremamente cruel com o envelhecimento de seus astros, sem nenhuma dificuldade em descartá-los. Onde Madonna foi inteligente, Michael Jackson foi ingênuo ou despreparado. 25 anos depois, Thriller é o ápice de uma carreira que, pouquíssimos vinis depois, despencaria até tornar-se passado.

De todo modo, Thriller – o disco – é de uma importância inconstestável. Além de ser uma delícia dançante daquelas com poder de embalar uma pistinha de dança até os dias de hoje. Haja visto Beat it. Onde quer que toque, haverá algum velhote que, como eu, se recorda do tempo dos vinis, dos videoclipes toscos, dos passos de dança e que ensaiará esquecer-se de sua eventual artrite ou de sua pança proeminente para protagonizar uma cena um tanto ridícula na qual dançará como se fossem os 80, como se essa fosse sua primeira balada, como se Michael Jackson ainda fosse negro e famoso, e como se não soubesse que tudo isso ruiria logo a seguir.

Feliz aniversário, Thriller!

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Natural drawing

20/02/2008 · 3 Comentários



Natural drawing, originally uploaded by alerib.

No desenho, as linhas são fundamentais. Elas criam espaço, profundidade, forma. As linhas possuem textura, cor, intensidade. São a marca do gesto do artista.

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Urso de Ouro em Berlim…

18/02/2008 · Deixe um comentário

… foi para Tropa de Elite.

Sim, aquele filme que, aqui no Brasil, gerou tanta polêmica por conta do entendimento errôneo de alguns de que seria uma apologia à violência policial. Cheguei até a escrever a respeito aqui.

Pois bem, será que a imprensa internacional e o júri de Berlim são mais aparelhados para entender a face crítica do filme do que nossa mídia tupiniquim? Causa estranhamento que um filme tão malhado em nossa terra brasilis obtenha tal reconhecimento lá fora, o que, anteriormente, aconteceu apenas com Central do Brasil.

Há algo errado, a meu ver, na mente tacanha da imprensa especializada e das pessoas do mundo cinematográfico em nosso país. Um funcionamento de colônia, de máfia, em que apenas alguns poucos escolhidos seriam reconhecidos como cineastas de valor, o que influencia patrocínios, destinando que apenas os que são parte da “turminha” – quer sejam cineastas, produtores, atores, editores – obtenham recursos para viabilizar seus projetos.

O ano em que meus pais saíram de férias ter sido indicado a concorrer a uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro, por exemplo, ao invés de Tropa, é uma das opções mais estranhas de que já se ouviu falar. Em nome do que um filme que – tudo bem, é sensível, interessante, bem feito – é selecionado para nos representar lá fora, ao invés do filme que mais sucesso e discussão gerou por aqui nos últimos tempos? Não que o Oscar seja assim tão relevante, uma vez que, para aquilo que conta mesmo, Cannes, Berlim e outros tantos festivais ao redor do mundo exercem muito mais influência no cinema mundial do que aquela premiação hollywoodiana sempre voltada à manutenção do status quo. Ah, pensando assim, faz até sentido ter O ano em que meus pais… indicado já que, por ótimo que seja o filme, não traz nada de novo ao cinema nacional, nem mesmo às necesárias discussões sobre a ditadura militar em nosso país. Quem sabe, no ano que vem, tenhamos O signo da cidade nessa posição, já que a pieguice esotérica de Riccelli, estrelada por Bruna Lombardi, parece estar fazendo bastante sucesso entre aqueles que se agradam com bobagens água-com-açúcar vazias de conteúdo.

No mais, é parabenizar José Padilha pela premiação. O filme é excelente e merece devido reconhecimento. Ainda bem que, em alguns cantos do mundo, as pessoas ainda conseguem escapar desse jeito de privilegiar apenas sua própria “patota” que parece imperar por aqui.

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A falácia de uma imobiliária

09/02/2008 · 4 Comentários

Retiro tudo o que escrevi a respeito da Maber no último post. Ou melhor, retiro não. Reconsidero.

É verdade que o atendimento deles é rápido e eficiente e os corretores – ao menos a que me atendeu – de um esforço e uma dedicação impressionantes.

A visita virtual aos imóveis, depois que eles fazem uma seleção baseada no perfil do que você busca, também é muito interessante e poupa tempo e visitas inúteis, algo que deveria ser adotado por todas imobiliárias em uma cidade caótica como São Paulo, ainda mais quando comprar envolve uma questão de locomoção. (Visitar 10 imóveis em um dia? Só por milagre!).

O problema começa quando você decide fazer uma proposta de compra. Parece que a tal “nova atitude imobiliária” da Maber se encerra com a recepção dos clientes e com a eficiência de seus corretores e do seu sistema informatizado. Na hora de negociar, os gerentes responsáveis por isso parecem não ter nenhuma boa vontade ou respeito pelos clientes.

Tenho um amigo que acaba de comprar um apartamento em um local excelente, em ótimo estado, tendo negociado uma redução de 70.000 reais no seu valor. Veja, isso me parece uma negociação no sentido mesmo do termo. Certamente não deve ter sido a Maber quem mediou essa venda já que, no meu caso, tendo feito uma proposta que reduzia bem menos do valor que o proprietário havia determinado, recebi da gerente da imobiliária uma resposta extremamente grosseira, em que ela dizia que a proposta era indecente e que não havia enviado aos donos, esperando que eu reconsiderasse.

Ou seja, além de me chamar de mentirosa por estar oferecendo uma quantia que eu poderia – na imaginação dela e sem nenhum critério – aumentar e, com isso, insinuar uma má-fé que eu não tenho, a dita cuja resolveu arbitrar sobre o que ela acha certo ou errado negociar, ao invés de fazer seu trabalho de dialogar com os proprietários e aventar se tal redução seria possível. Essa mesma pessoa, alguns dias antes, havia me dito para eu colocar novamente o meu próprio imóvel a venda, ao invés de aguardar o retorno de viagem da pessoa que havia negociado comigo a compra dele, pela própria Maber diga-se de passagem, talvez imaginando poder faturar um valor mais alto.

Enfim, parece que ética, respeito e esforço pelo cliente são valores que passam longe dos profissionais do mercado imobiliário. Possivelmente, não de todos mas, certamente, de alguns profissionais que trabalham na Maber. Uma pena tanta eficiência em um atendimento que vai dar em nada, uma vez que nos passos seguintes dessa compra, os caras conseguem se mostrar os mais anti-profissionais do ramo. Não consigo imaginar como eles conseguiram aquela premiação de Great place to work em 2006, mas posso entender porque não a conseguiram posteriormente, ou porque não conseguiram o ISO 9001 que outras imobiliárias possuem. Essas instituições de avaliação sérias devem levar em consideração todos os aspectos de uma empresa, não só sua aparência ou seus serviços iniciais, suponho. Daí tão poucas no mercado imobiliário contarem com alguma certificação.

Na Maber, perderam uma cliente e, imagino, devem perdem mais uns tantos, prejudicados pela mesma falta de respeito.

Então, amigo leitor, se você busca um imóvel e caiu na Maber por algum motivo, e se na hora de comprar algo você pensar em fazer uma proposta mediada por eles, desconfie: ali, as pessoas não estão nem um pouco disponíveis para te ajudar e podem fazer com você o mesmo que fizeram comigo: não enviar a proposta e ainda insinuar uma falta de caráter que, certamente, eles é que possuem.

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Corretores de imóveis…

04/02/2008 · 6 Comentários

… são pessoas estranhas. Seu trabalho não é nada fácil mas, em certos momentos, eles tiram qualquer um do sério.

Tenho me deparado com o despreparo dessas pessoas cotidianamente nas últimas três semanas. E, mais ainda, com o descaso de seus empregadores, por vezes grandes imobiliárias, em aparelhar seus funcionários para um atendimento melhor. Em pleno 2008, parece que o ramo imobiliário se recusa a avançar e tirar proveito das inovações tecnológicas e, principalmente, de tudo o que já é mais do que conhecido acerca da importância de um atendimento eficiente para que o cliente faça negócio. Veja-se, como exemplo, a maneira precária com que tiram proveito do veículo mais importante e em que mais crescem as operações de consumo no Brasil e no mundo: a internet.

Das várias imobiliárias para as quais telefonei em busca de informações sobre imóveis encontrados em seus websites, (porque, sim, a coisa já começa mal quando você tem que utilizar dois meios de comunicação para uma única operação: informar-se sobre um anúncio) apenas a Maber respondeu prontamente, contactando-me no dia seguinte, montando um perfil daquilo que eu pretendo adquirir e, também, realizando uma pesquisa em seu cadastro para selecionar aquilo que poderia se adeqüar ao que busco. Tudo muito simples, prático, profissional e organizado, como deveriam ser tais serviços em tempos de internet e vida atribulada. Eles colhem de um formulário aquilo que lhe interessou, juntam a isso uma pesquisa que fazem em imóveis similares cadastrados em seu sistema e você, em duas ou três horas de um dia de visita virtual – realizada na própria imobiliária – conhece todos esses imóveis por meio de fotos, plantas e outras informações. Com isso, poupa grande parte do tempo e paciência reservados a essa busca por uma residência, já que há poucas coisas tão insuportáveis quanto se aventurar por dias a fio pelo trânsito de São Paulo, buscando vaga para estacionar na rua em frente a dezenas de prédios e casas que, no final das contas, não são nada do que você quer e que você só foi ver porque algum corretor despreparado não se ocupou de fazer uma seleção adeqüada. Na Maber isso se soluciona muito bem com essa visita virtual. Metade das porcarias que só serviriam para você contar aos amigos a título de piada já ficam na história sem que você tenha que perder tempo em conhecê-las.

Mas, o que é espantoso em plena cidade de São Paulo, grande parte das imobiliárias parece ter ficado no milênio passado. Se a maioria incorporou a internet como um dos veículos de divulgação e de contacto com o consumidor, o uso que fazem dela é risível, quando não assintoso. Em sites toscos como o da Camargo Dias, nos quais não é possível, por exemplo, selecionar vários bairros ao mesmo tempo para efetuar uma busca, prima-se, ainda, pela sonegação de muitas informações. Fotografias mal tiradas, falta de dados e, o pior, cadastro desatualizado, fazem com que as pessoas percam seu precioso tempo a selecionar imóveis que, muitas vezes, já estão vendidos ou foram ali colocados apenas para atrair a atenção do cliente. Estratégia tacanha, já que tais “empresas” parecem desconsiderar que isso apenas irrita seu público alvo, tornando-o propenso a procurar em outro lugar.

Ainda mais revoltante é o fato de que, nesses sites, muitas vezes há uma indicação de corretores online ou a possibilidade de enviar as buscas e seleções que você se dedica a fazer por horas a um endereço de email para que alguém lhe responda em seguida com as informações de que você necessita. Esforço vão. A Coelho da Fonseca, por exemplo, que é uma das maiores do ramo, recebeu minha consulta via web e, uma semana depois, ainda não havia respondido. Contactados por telefone, fizeram o que a imensa maioria das imobiliárias faz, anotar o tipo de informação que precisamos e um número de telefone para ligar em seguida. Três horas depois, não resisti e tornei a chamá-los, perguntando se eles me atenderiam em algum momento ou se seria necessário procurar outra imobiliária. Só então um corretor veio à linha e, para meu desespero, ainda me pediu novamente todos os códigos dos imóveis selecionados e já enviados uma semana antes pelo atendimento online.

Na Zimmermann, ao menos, mesmo com o atendimento das antigas, aquele em que você anota os códigos de anúncio, passa para o corretor por telefone, agenda visitas e eles vão em dupla até o local contigo, o que torna o uso da internet sem sentido, na medida em que tudo terá que ser feito e refeito pessoalmente, há um esforço real em encontrar o que você procura. Os corretores trabalham em favor do que lhes é solicitado e parecem se ocupar verdadeiramente de encontrar os imóveis que lhes são pedidos. Isso é a exceção e não a regra, o que me parece espantoso.

Pior ainda do que esse mal uso da internet, no entento, é o abuso dos corretores. Na Tutóia imóveis, não apenas todos os problemas acima mencionados ocorreram (site desatualizado, demora em responder ao contato, imprecisão nas informações, e por aí vai) como, também, tive o desprazer de encontrar um corretor que é um exemplo de má-fé e falta de profissionalismo. Esse senhor, mesmo após um telefonema no qual todas as informações sobre os imóveis foram repassadas a ele, não se deu ao trabalho de procurá-los e agendar visitas aos locais. Limitou-se a dizer que não tinha conseguido fazer a pesquisa dos tais códigos no sistema mas que achava que, daqueles ali, a maioria tinha sido vendida. Isso sem nem saber de que imóveis se tratavam. E sem nem ao menos se interessar em verificar, como se estivesse me fazendo um favor. Então, levou-me para visitar três apartamentos, sendo que um deles custava praticamente o dobro do valor que eu havia estipulado como limite máximo do que poderia gastar. Antes de me levar ao tal imóvel, mentiu o preço do mesmo e, chegando lá, constatando que eu me interessei pelo local (claro, quem não se interessaria por um apartamento que custa o dobro do que você pode pagar o que, evidentemente, indica que ele deve ser muito maior, muito melhor e muito diferente do que o que você tem visto, já que está noutro patamar de preço?), disse o valor real como se eu tivesse entendido errado. E, cínico, ainda perguntou se eu não poderia “chegar nesse valor”. Depois dos três imóveis, deu-se por satisfeito e me disse para pensar a respeito, como se aquilo fosse suficiente. No que lhe diz respeito, vou pensar a vida inteira porque não volto a procurar esse fulano. Tutóia imóveis perdeu uma cliente, e não devo ter sido a primeira.

Estranho meio em que você tem que brigar para ser atendido e para consumir. Dizem que o mercado imobiliário está aquecido e que estão vendendo horrores. Pela maneira como tratam seus clientes e como o acesso às informações é dificultado, fico imaginando como as pessoas têm conseguido comprar seus imóveis. E, pior ainda, como outras tantas têm conseguido vender, já que quem deveria trabalhar para facilitar isso vive de dar canseira em potenciais compradores.

Ah, saudades do tempo em que proprietários e compradores podiam negociar entre si com confiança, diretamente, sem intermediação de corretores e imobiliárias…

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