… são pessoas estranhas. Seu trabalho não é nada fácil mas, em certos momentos, eles tiram qualquer um do sério.
Tenho me deparado com o despreparo dessas pessoas cotidianamente nas últimas três semanas. E, mais ainda, com o descaso de seus empregadores, por vezes grandes imobiliárias, em aparelhar seus funcionários para um atendimento melhor. Em pleno 2008, parece que o ramo imobiliário se recusa a avançar e tirar proveito das inovações tecnológicas e, principalmente, de tudo o que já é mais do que conhecido acerca da importância de um atendimento eficiente para que o cliente faça negócio. Veja-se, como exemplo, a maneira precária com que tiram proveito do veículo mais importante e em que mais crescem as operações de consumo no Brasil e no mundo: a internet.
Das várias imobiliárias para as quais telefonei em busca de informações sobre imóveis encontrados em seus websites, (porque, sim, a coisa já começa mal quando você tem que utilizar dois meios de comunicação para uma única operação: informar-se sobre um anúncio) apenas a Maber respondeu prontamente, contactando-me no dia seguinte, montando um perfil daquilo que eu pretendo adquirir e, também, realizando uma pesquisa em seu cadastro para selecionar aquilo que poderia se adeqüar ao que busco. Tudo muito simples, prático, profissional e organizado, como deveriam ser tais serviços em tempos de internet e vida atribulada. Eles colhem de um formulário aquilo que lhe interessou, juntam a isso uma pesquisa que fazem em imóveis similares cadastrados em seu sistema e você, em duas ou três horas de um dia de visita virtual – realizada na própria imobiliária – conhece todos esses imóveis por meio de fotos, plantas e outras informações. Com isso, poupa grande parte do tempo e paciência reservados a essa busca por uma residência, já que há poucas coisas tão insuportáveis quanto se aventurar por dias a fio pelo trânsito de São Paulo, buscando vaga para estacionar na rua em frente a dezenas de prédios e casas que, no final das contas, não são nada do que você quer e que você só foi ver porque algum corretor despreparado não se ocupou de fazer uma seleção adeqüada. Na Maber isso se soluciona muito bem com essa visita virtual. Metade das porcarias que só serviriam para você contar aos amigos a título de piada já ficam na história sem que você tenha que perder tempo em conhecê-las.
Mas, o que é espantoso em plena cidade de São Paulo, grande parte das imobiliárias parece ter ficado no milênio passado. Se a maioria incorporou a internet como um dos veículos de divulgação e de contacto com o consumidor, o uso que fazem dela é risível, quando não assintoso. Em sites toscos como o da Camargo Dias, nos quais não é possível, por exemplo, selecionar vários bairros ao mesmo tempo para efetuar uma busca, prima-se, ainda, pela sonegação de muitas informações. Fotografias mal tiradas, falta de dados e, o pior, cadastro desatualizado, fazem com que as pessoas percam seu precioso tempo a selecionar imóveis que, muitas vezes, já estão vendidos ou foram ali colocados apenas para atrair a atenção do cliente. Estratégia tacanha, já que tais “empresas” parecem desconsiderar que isso apenas irrita seu público alvo, tornando-o propenso a procurar em outro lugar.
Ainda mais revoltante é o fato de que, nesses sites, muitas vezes há uma indicação de corretores online ou a possibilidade de enviar as buscas e seleções que você se dedica a fazer por horas a um endereço de email para que alguém lhe responda em seguida com as informações de que você necessita. Esforço vão. A Coelho da Fonseca, por exemplo, que é uma das maiores do ramo, recebeu minha consulta via web e, uma semana depois, ainda não havia respondido. Contactados por telefone, fizeram o que a imensa maioria das imobiliárias faz, anotar o tipo de informação que precisamos e um número de telefone para ligar em seguida. Três horas depois, não resisti e tornei a chamá-los, perguntando se eles me atenderiam em algum momento ou se seria necessário procurar outra imobiliária. Só então um corretor veio à linha e, para meu desespero, ainda me pediu novamente todos os códigos dos imóveis selecionados e já enviados uma semana antes pelo atendimento online.
Na Zimmermann, ao menos, mesmo com o atendimento das antigas, aquele em que você anota os códigos de anúncio, passa para o corretor por telefone, agenda visitas e eles vão em dupla até o local contigo, o que torna o uso da internet sem sentido, na medida em que tudo terá que ser feito e refeito pessoalmente, há um esforço real em encontrar o que você procura. Os corretores trabalham em favor do que lhes é solicitado e parecem se ocupar verdadeiramente de encontrar os imóveis que lhes são pedidos. Isso é a exceção e não a regra, o que me parece espantoso.
Pior ainda do que esse mal uso da internet, no entento, é o abuso dos corretores. Na Tutóia imóveis, não apenas todos os problemas acima mencionados ocorreram (site desatualizado, demora em responder ao contato, imprecisão nas informações, e por aí vai) como, também, tive o desprazer de encontrar um corretor que é um exemplo de má-fé e falta de profissionalismo. Esse senhor, mesmo após um telefonema no qual todas as informações sobre os imóveis foram repassadas a ele, não se deu ao trabalho de procurá-los e agendar visitas aos locais. Limitou-se a dizer que não tinha conseguido fazer a pesquisa dos tais códigos no sistema mas que achava que, daqueles ali, a maioria tinha sido vendida. Isso sem nem saber de que imóveis se tratavam. E sem nem ao menos se interessar em verificar, como se estivesse me fazendo um favor. Então, levou-me para visitar três apartamentos, sendo que um deles custava praticamente o dobro do valor que eu havia estipulado como limite máximo do que poderia gastar. Antes de me levar ao tal imóvel, mentiu o preço do mesmo e, chegando lá, constatando que eu me interessei pelo local (claro, quem não se interessaria por um apartamento que custa o dobro do que você pode pagar o que, evidentemente, indica que ele deve ser muito maior, muito melhor e muito diferente do que o que você tem visto, já que está noutro patamar de preço?), disse o valor real como se eu tivesse entendido errado. E, cínico, ainda perguntou se eu não poderia “chegar nesse valor”. Depois dos três imóveis, deu-se por satisfeito e me disse para pensar a respeito, como se aquilo fosse suficiente. No que lhe diz respeito, vou pensar a vida inteira porque não volto a procurar esse fulano. Tutóia imóveis perdeu uma cliente, e não devo ter sido a primeira.
Estranho meio em que você tem que brigar para ser atendido e para consumir. Dizem que o mercado imobiliário está aquecido e que estão vendendo horrores. Pela maneira como tratam seus clientes e como o acesso às informações é dificultado, fico imaginando como as pessoas têm conseguido comprar seus imóveis. E, pior ainda, como outras tantas têm conseguido vender, já que quem deveria trabalhar para facilitar isso vive de dar canseira em potenciais compradores.
Ah, saudades do tempo em que proprietários e compradores podiam negociar entre si com confiança, diretamente, sem intermediação de corretores e imobiliárias…







6 respostas Até agora ↓
A falácia de uma imobiliária « Breathe, inhale, exhale… // 09/02/2008 às 3:22 pm |
[...] alerib who? ← Corretores de imóveis… [...]
Gigi // 23/02/2008 às 3:46 pm |
Em Campinas o drama é o mesmo, com a diferença de que o site em que se agregam as imobiliárias locais tem informações desatualizadas…
E sobre as fotos… gente! Quem tem a genial idéia de tirar foto da porta do armário, só pra mostrar que tem armário embutido? Não me interessa a porta, eu quero ver o quarto inteiro!
alerib // 27/02/2008 às 2:37 am |
Gigi, acho que pior é quando tiram foto da decoração. Pois, de que importa a decoração de um imóvel que, quando comprado, será entregue vazio?
Maria Alice // 22/05/2008 às 5:43 pm |
Achei impressionante o trabalho da Maber…pelos seus comentários em 5 dias vc fez a visita digital, escolheu imóveis dentro do seu perfil, visitou, colocou proposta, teve a resposta (negativa no caso) e meteu o pau na imobiliária…acho que está querendo demais…e tem mais…que eu saiba não é a imobiliária que esipula o preço, existe o vendedor que assim como vc também deve ser respeitado!
alerib // 25/05/2008 às 9:17 pm |
Maria Alice,
Como eu disse, a Maber é muitíssimo eficiente na recepção dos clientes e nesse primeiro momento, em apresentar os imóveis para quem quer comprá-los. Só que isso não adianta muita coisa se os clientes não conseguem fechar negócio. E isso, infelizmente, aconteceu comigo mais de uma vez tendo a Maber por intermediária. E, posso garantir, a partir de propostas totalmente negociáveis, como se comprovou quando finalmente adquiri meu imóvel com o auxílio de uma outra imobiliária.
Uma das funções de uma imobiliária é negociar. Negociação não é desrespeito, mas é uma necessidade de compradores e vendedores. Ninguém coloca um imóvel para vender sem saber que os interessados buscarão negociar o preço. Esse papel cabe à mobiliária, quando é ela quem intermedia o processo e ela não pode se recusar a fazê-lo.
Quem vende pode sempre dizer que não aceita a proposta. Quem compra pode sempre propor aquilo que entende como justo e possível por aquele imóvel. Isso faz parte do jogo e, quando uma imobiliária do porte da Maber só apresenta competência na primeira metade do jogo, mostrando-se ineficiente na segunda, incapaz de negociar, de conversar com compradores e vendedores, bem, enfim, isso mostra que ainda há muito o que se aprimorar nesse serviço que as imobiliárias dizem nos oferecer.
Rafael Silva // 17/10/2008 às 2:33 pm |
Eu sou corretor, e trabalho em uma imobilária pequena do Rio de Janeiro. Entendo bem oque vc está passando. Nós estamos tentando a meses contratar uma boa impresa para fazer um site mas sem sucesso. Agora conseguimos coloca-lo no ar mas o resultado não é satisfatório. Não sei se pelo fato de ser de uma geração acostumada com a internet me satisfaço com dificuldade. Dêem uma olhada vocês e me ajudem com criticas construtivas ou destrutivas. O site é http://www.cordeirocorretora.com.br.
Quanto ao atendimento. As imobiliárias pequenas geralmente oferecem um serviço mais personalizado, pq trabalham exclusivamente com profissionais e não com pessoas passando o tempo e estes são escolhidos pelos donos e não por departamentos pessoais igualmente desinteressados