Breathe, inhale, exhale…

Urso de Ouro em Berlim…

18/02/2008 · Deixe um comentário

… foi para Tropa de Elite.

Sim, aquele filme que, aqui no Brasil, gerou tanta polêmica por conta do entendimento errôneo de alguns de que seria uma apologia à violência policial. Cheguei até a escrever a respeito aqui.

Pois bem, será que a imprensa internacional e o júri de Berlim são mais aparelhados para entender a face crítica do filme do que nossa mídia tupiniquim? Causa estranhamento que um filme tão malhado em nossa terra brasilis obtenha tal reconhecimento lá fora, o que, anteriormente, aconteceu apenas com Central do Brasil.

Há algo errado, a meu ver, na mente tacanha da imprensa especializada e das pessoas do mundo cinematográfico em nosso país. Um funcionamento de colônia, de máfia, em que apenas alguns poucos escolhidos seriam reconhecidos como cineastas de valor, o que influencia patrocínios, destinando que apenas os que são parte da “turminha” – quer sejam cineastas, produtores, atores, editores – obtenham recursos para viabilizar seus projetos.

O ano em que meus pais saíram de férias ter sido indicado a concorrer a uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro, por exemplo, ao invés de Tropa, é uma das opções mais estranhas de que já se ouviu falar. Em nome do que um filme que – tudo bem, é sensível, interessante, bem feito – é selecionado para nos representar lá fora, ao invés do filme que mais sucesso e discussão gerou por aqui nos últimos tempos? Não que o Oscar seja assim tão relevante, uma vez que, para aquilo que conta mesmo, Cannes, Berlim e outros tantos festivais ao redor do mundo exercem muito mais influência no cinema mundial do que aquela premiação hollywoodiana sempre voltada à manutenção do status quo. Ah, pensando assim, faz até sentido ter O ano em que meus pais… indicado já que, por ótimo que seja o filme, não traz nada de novo ao cinema nacional, nem mesmo às necesárias discussões sobre a ditadura militar em nosso país. Quem sabe, no ano que vem, tenhamos O signo da cidade nessa posição, já que a pieguice esotérica de Riccelli, estrelada por Bruna Lombardi, parece estar fazendo bastante sucesso entre aqueles que se agradam com bobagens água-com-açúcar vazias de conteúdo.

No mais, é parabenizar José Padilha pela premiação. O filme é excelente e merece devido reconhecimento. Ainda bem que, em alguns cantos do mundo, as pessoas ainda conseguem escapar desse jeito de privilegiar apenas sua própria “patota” que parece imperar por aqui.

Categorias: Azedume
Etiquetado: , , , , , , , , , , ,