Passamos, ao longo desta semana, os habitentes de São Paulo, ouvindo a cada alvorecer a notícia de um congestionamento recorde que suplantava o do dia anterior em quilômetros e mais quilômetros.
O espantoso disso tudo é a maneira como a notícia é veiculada: congestionamento recorde. Recorde? Como assim? Até onde sei recordes batidos são motivo de orgulho em modalidades esportivas e outras áreas. Agora, congestionamento recorde? Para quem passa horas no trânsito, em uma cidade escalpelada por um calor arrasador, diariamente, parace até uma piada de mau gosto falar em congestionamento recorde. Como se, enquanto eu cozinho no meu carro durante horas, o máximo de inquietação que isso pudesse causar no poder público fosse o incômodo de atualizar uma estatística. Quem quer ser estatística de congestionamento?
É de uma cara-de-pau desmedida ocupar-se da situação precária dos transportes em nossa cidade apenas para noticiar o quanto eles pioram a cada dia. Fora que, isso, qualquer pessoa que circule pela cidade pode bem perceber. No ano passado, levava 45 minutos para ir da região da avenida Paulista até o Morumbi. No segundo semestre, passei a levar uma hora, com sorte. No final do ano, 1 hora e 15 minutos, que atribuí às loucuras de Natal, cidade cheia, mais carros circulando, etc. Ledo engano. Agora, no começo do ano, o mesmo trajeto não faço em menos de 1 hora e meia, ou até duas horas. Conclusão: o trânsito da cidade está piorando a olhos vistos, e em ritmo galopante. A qualquer momento, será como naqueles filmes catástrofe: acorda-se um dia, tira-se o carro da garagem e o trânsito para ali mesmo. Definitivamente.
Ao invés da alegria mórbida dos noticiários que vivem de contar catástrofes alheias, seria bem mais interessante ouvir propostas factíveis de nossos governantes. E para já, não para sei lá quando, em qual ano de eleição ou o que. Já estamos praticamente ilhados em nossos bairros, sem conseguir circular longas distâncias sob pena de um sofrimento atroz e cotidiano. O que mais falta acontecer para que o poder público preste a isso a devida atenção?






