Breathe, inhale, exhale…

Entradas do Abril 2008

Nos cem anos da imigração japonesa…

23/04/2008 · Deixe um comentário

… acontecem uma série de comemorações, exposições e celebrações em São Paulo. Aqui encontra-se a maior população de japoneses e descendentes fora do Japão e a contribuição que esses cem anos de trocas e convivência trouxe a todos é inestimável. Das artes à culinária, a influência nipônica em nossa cidade se faz presente em todos os lugares, sempre para melhor. Assim, para quem vive nesse contato cotidiano com as delícias japonesas, ou para quem pretende se aventurar, um breve mapa de visita:

Quando vidas se tornam forma: diálogo com o futuro – Brasil / Japão: exposição do MAM que cria diálogos entre artistas brasileiros e japoneses, mostrando as excelentes produções de ambos lados do mundo e suas convergências inesperadas. Destaque para Rogério Degaki, da nova geração de artistas brasileiros de ascendência nipônica que, já há um tempo, tem construído um trajeto consistente com seus “bad origamis” e outros brinquedinhos críticos e ácidos.

Outro artista que merece toda atenção, e que é representado agora pela galeria Laura Marsiaj, que deve abrir em São Paulo uma filial em breve, é James Kudo. Com suas casas que derretem no chão e suas pinturas e desenhos que fabricam texturas de madeiras, o artista mostra sua incrível e dedicada habilidade não apenas para os detalhes, mas para as composições, em imagens oníricas e perturbadoras, que são mais do que belas.

A Vila Madalena é um bairro que abriga diversos segredos: ateliers de artistas, galerias, restaurantes, bares, bistrôs, designers e tudo o mais que o mundinho moderno e inovador nos reserva de suas experimentações criativas e interessantes. Ali encontra-se o atelier da Rachel Hoshino, que trabalha em porcelana como ninguém, com seus traços delicados, por vezes alegres e noutras básico, tornando os objetos do cotidiano em verdadeiras obras-de-arte em forma de louças, vasos e afins. Destaque para as bonecas Kireru, homenagem e diálogo com as nipônicas e tradicionais kokeshis.

O delicioso Sushi Kiyo, no bairro do Paraíso, uma tradição na confecção dos deliciosos sushis e sashimis. A equipe conta no balcão com dois experientes sushimen e especialistas em gastronomia japonesa, o Kiyomi Watanabe e seu filho Carlos. Além disso, no almoço, os bentôs são caprichados e fartos, com produtos fresquinhos e variados. Imperdível.

Os filmes dos diretores: Akira Kurosawa (Dersu Uzala, Ran e tantos outros), Nagisa Oshima (O império dos sentidos e Furyo), Yasujiro Ozu (Era uma vez em Tóquio), Takeshi Kitano (Dolls) e Shohei Imamura (A enguia) são clássicos que merecem ser vistos inúmeras vezes e várias mostras de cinema têm sido organizadas por aqui apresentando o trabalho desses e de outros cineastas igualmente interessantes. É verificar a programação dos cinemas nos jornais e comprar os ingressos.

Um passeio pela feira da Liberdade, bem como pelo bairro propriamente dito, também traz muitas surpresas e achados:

- a loja Marukai, com seus produtos alimentícios diversos, faz a alegria daqueles que gostam de se aventurar na cozinha em sabores diferentes e ousados. Tem também uma seção de balas e chicletes de todas as cores e sabores. Sensacional.

- a livraria Fonomag, especializada em livros e revistas japoneses, tem vasta oferta de mangás e outros livros especiais, uma riqueza cultural a ser partilhada com todos.

- a livraria Sol, também de livros japoneses, com vasta oferta de bibliografia sobre origamis, jardinagem e culinária.

- a loja Ikesaki, de perfumes e cosméticos, que atrai gente de todo canto, com suas ofertas de produtos de beleza em seus vários andares de maravilhas de consumo.

Categorias: Artsy · Infos · Sampa
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

As boas exposições…

22/04/2008 · Deixe um comentário

… neste momento, em Sampa city:

Nino Cais: excelente, múltiplo, com um traço fino e delicado nos desenhos e uma instalação que implica o corpo do espectador, tanto quanto o do artista. Na galeria Virgílio.

Koki Tanaka: também na Virgílio, no corredor do B_ARCO, seu espaço cultural, a exibição de uma série de vídeos extremamente simples, cotidianos e plásticos do artista japonês que consegue transformar banalidades em formas e cores.

Yoshihiro Suda: magnífico, na Galeria Leme, aproveitando o belo espaço da galeria e contrapondo ao mesmo a simplicidade e delicadeza das pequeníssimas plantas inseridas nas frestas, como se ali tivessem brotado desde sempre. Um poema, que continua na exposição do mesmo Yoshihiro Suda na Fortes Vilaça, onde três flores tomam o espaço branco e vazio, enchendo-o de beleza, como no equilíbrio da maravilhosa tulipa que parece cair infinitamente e tocar o chão, sem nunca pousar em definitivo.

E a partir de 24 de abril começa a SP Arte, no pavilhão da Bienal, uma feira no estilo da ARCO espanhola, com muitas galerias importantes do país. Ainda que seja uma feira de negócios em arte, é interessante poder ver tantas galerias num único lugar, com seus artistas, obras… Um bom meio de tomar conhecimento desse mercado da arte e, especialmente, de suas produções.

Categorias: Artsy · Sampa
Etiquetado: , , , , , , , , , , ,

Finalmente uma visão crítica…

10/04/2008 · Deixe um comentário

… sobre os rankings que a imprensa faz com os dados do ENEM…

AQUI

No mais, um excelente blog sobre assuntos de orientação profissional e educação.

Categorias: Infos
Etiquetado: , ,

Acabou o assunto?

09/04/2008 · Deixe um comentário

Não, de forma alguma… mas entre gripes, viroses e dengue está difícil manter a sanidade por aqui.

São mais de dois mil casos de dengue por dia, na cidade do Rio de Janeiro. Uma cifra alarmante, ainda mais se persarmos que um tanto dessas pessoas vai morrer por erro diagnóstico ou falta de atendimento médico.

Parece bastante estranho que, em meio a uma epidemia (não sei se a dengue pode ser considerada uma epidemia no Rio, ao menos pelos critérios epidemiológicos mas, enfim…), médicos recebam pessoas com sintomas e, ainda assim, insistam em dispensá-las como tendo gripes ou viroses, sem nem ao menos realizar o exame que, até onde sei, é bastante simples. Por que não tirar a dúvida?

Tamanho descaso gera ainda mais desconfiança e temor entre as pessoas, que não sabem a quem se dirigir ou em quem confiar em busca de uma orientação sensata.

Estamos em 2008 e pessoas continuam morrendo de doenças que já haviam sido erradicadas de nosso país e retornaram. Febre amarela e a corrida da vacina no início do ano, dengue todos os anos, cada vez em maiores proporções… Trata-se de um abandono do poder público, de um descaso com a maioria da população, ou de um genocídio programado, que busca dar fim a um excesso populacional que, em sendo em sua maioria composto de miseráveis, são vistos como gente de segunda classe, passível de ser eliminada sem dó nem piedade?

Categorias: Azedume
Etiquetado: , , ,

Sobre a tecnologia na música…

01/04/2008 · Deixe um comentário

Na psicanálise, pouca atenção foi dada para a vertiginosa mudança na constituição da subjetividade decorrente do desenvolvimento tecnológico e do uso da tecnologia como mediadora das relações sociais. Basta atentarmos para a diferença de lugar que as relações estabelecidas via internet ocupavam nos anos 90, quando a distinção entre virtual e real hierarquizava esses dois modos de encontro, em uma cultura na qual o ápice da comunicação pela rede se dava através da troca de e-mails, e o que ocorre nos dias de hoje quando, entre blogs, fotologs, msn, orkut, youtube, second life e afins, a divisão entre real e virtual perde o sentido, em um mundo cada vez mais mediado pela tela e suas funcionalidades, para entendermos que alguma coisa vem se modificando profundamente, tanto no estabelecimento das relações interpessoais quanto, e em relação direta com isso, nos processos de subjetivação.

As relações virtuais escaparam para o mundo real há quase uma década. Real e virtual são nomeações que não fazem mais qualquer sentido e é, então, possível dizer: ‘falei com fulano ontem’ de maneira que ‘falei’ pode se referir a uma conversa no msn, pelo scrapbook do orkut, pelo fotolog, ao telefone ou, até mesmo, pessoalmente. Não há mais qualquer necessidade de especificar onde o diálogo se deu, nem de hierarquizá-lo como real ou virtual. Falei. Ponto.

Não é difícil encontrar, no senso comum ou nas reflexões no meio psicanalítico, trabalhos que tenham feito alusão a essa interpretação do advento da internet e afins como promotores exclusivamente de uma existência ensimesmada. Mas tal veredicto está longe de encerrar a questão, ou até mesmo de abordá-la por seu viés mais interessante. Que subjetividade se constitui nessas condições, nesse caldo de tecnologia facilitador e impedidor de encontros? Como o que antes era isolamento do indivíduo no seu próprio mundo se tornou, agora, a possibilidade de conexão e estabelecimento de relações?

Categorias: Intelligentsia
Etiquetado: , , , , , , , , , ,