Quando faz seus trabalhos com miçangas, cristais, contas, giletes, agulhas, Nazareth Pacheco se corta. Recentemente, decidiu dar algum destino para esse sangue que sai de suas mãos e foi então que ele virou obra: fotografias de gotas de sangue, o vermelho vivo contra uma textura suave e branca de papel ou tecido que lhe serve de base. Ou então vidros pequenos, de farmacêutico, encontrados em antiquários, cheios de sangue, expostos em uma redoma de acrílico como jóias em vitrine de joalheria. Vidros fotografados, além das gotas, do fio por onde passa o sangue e, até mesmo, de uma seringa suja do mesmo, que nos relembra, em relação à série inteira, que a repulsa não ficou ausente dos trabalhos de Nazareth, ainda essa vez.
Repulsa e atração: tal é a polaridade com que a artista parece brincar e nos seduzir para seus objetos tão lindos, tão limpos, tão perfeitos e, ao mesmo tempo, tão inacessíveis. Não me toque, eles parecem dizer. Mas, se quiser arriscar… Que perigos jazem na superfície ou na intimidade desses objetos com os quais Nazareth nos presenteia e nos desafia?







2 respostas Até agora ↓
diva // 22/03/2009 às 7:44 pm |
vi uma obra de Nazareth em exposição do MAM-SP: um vestido de miçangas e … giletes. Belo, intrigante, encantadoramente perturbador.
Curiosa, achei este blog e…. surpresa com o ‘aproveitamento do sangue’ [da idéia ] que redunda de ferimentos na consecução da obra.
vou procurar uma pitada destas fotos sanquíneas.
alerib // 25/03/2009 às 1:01 am |
Diva, acredito que você deve encontrar essas obras mais recentes da Nazareth, senão na internet, na Galeria Triângulo que a representa. Dê uma olhada no site deles.