Breathe, inhale, exhale…

Chelsea galleries…

07/05/2009 · 5 Comentários

… are a never ending tour. Sério. A quantidade de galerias apenas em Chelsea deve ser maior do que todas as galerias de arte existentes no Brasil. E, passeando por elas, flanando por Chelsea, vê-se muita coisa boa e, também, uma quantidade assustadora de porcarias. My personal highlights:

Adel Abdessemed na David Zwirner. Para quem viu o vídeo dele em que um gatinho de rua filmado de muito perto estraçalhava e comia um rato, aquilo foi um pequeno petisco perto do que Adel é capaz de fazer em suas obras. Em “Rio”, há um vídeo de predadores postos todos juntos matando-se uns aos outros, há pessoas penduradas por cordas a helicópteros em movimento pintando sobre telas estendidas no chão, há os aviões entrelaçados uns aos outros como cobras gigantes… Todo o arsenal do artista está ali, incomodando, inquietando com seu mal-estar que não cessa de operar, sem que possamos decidir se é ironia ou crueldade.

Pablo Picasso na Gagosian Gallery da rua 21. Sob o título “Mosqueteros” alinham-se quadros de cores róseas e verdes como não conhecia em Picasso, toreros, toros e suas formas tão familiares, que ensinam a ver arte de um outro jeito. Sempre.

Sophie Calle na Paula Cooper Gallery, em que, após ter uma relação amorosa terminada por email, a irônica Sophie pede a mais de uma centena de mulheres das mais diversas áreas que interpretem a carta. Há danças, há música, há interpretação, há análises grafológicas, psiquiátricas, criminológicas, jurídicas, parentais… Cada uma tomada por decifrar a carta de rompimento e reagir a ela. Vingança? Resposta? Sophie transforma sua vida cotidiana em assunto a tal ponto que tudo se confunde. Não importa. Take care of yourself é hilária, mordaz e emocionante.

Huang Yong Ping na Gladstone Gallery com sua “Tower Snake”, uma armação de bambus encimada pelo esqueleto de uma cobra gigante, como se entrássemos dentro de um daqueles animais que se vê em filmes sobre festsa chinesas, todos coloridos e dançantes, articulados e movimentados por pessoas escondidas sob eles. Mas com Huang Yong Ping tudo está à vista e sobe-se pela passarela de bambu até o topo da instalação, sob a cabeça do bicho, o bambu fino estalando sob os pés, impressionando por sua incrível fragilidade. Vertigem.

Nicolas Darrot na Cueto Project com sua “Fuzzy Logic”. Da arte de fazer traquitanas ou de como personagens de Tim Burton podem ganhar vida em objetos animados por fios, falantes como um pássaro com seu cérebro fora da cabeça ligado a ela por eletrodos. Ou seja, insanidade. Tudo se move, tudo se anima. Faz rir e desconcerta.

Off Chelsea… ou vagando pelo Upper East Side… não ao mesmo tempo, nem no mesmo dia:

Zeng Fanzhi na Acquavella Galleries. Os chineses continuam em alta por aqui e Zeng Fanzhi deforma corpos com mãos enormes, sem fundo, flutuando no linho da tela, sem final nem começo, as tintas escorridas na cabeça e nas pernas, fora os mais atuais quadros imensos, repletos de nós de linhas coloridas como uma mata densa, escura e amedrontadora.

E, no Metropolitan, a incrível e temporária “The pictures generation 1974-1984″, com alguns dos pesos pesadíssimos da arte americana dos anos 70 e 80 até os dias de hoje, tais como Cindy Sherman, Richard Prince, Robert Longo, Sherrie Levine, Matt Mullican, Dara Birnbaum, Barbara Kruger, Allan McCollum e a maneira como cada qual se apropriou da fotografia e das possibilidades da mesma na década de 80. Bricando com a arte conceitual e com a pop, fazendo de música a vídeo, todos “filhos” de John Baldessari em seus imperdíveis, ácidos e ousados momentos iniciais.

P.S: Existem deliciosas comidinhas a preços acessíveis no Upper East. Os sushis do Poke Restaurant são delicadíssimos e a variedade de peixes é imensa, bem cuidada e fresca. Um achado.

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Mais dicas de Nova Iorque 2009:

Bares, baladas e arte: aqui.
Galerias de arte e notas gastronômicas no final: aqui.
O tour de galerias em Chelsea e um excelente restaurante japonês ao final: aqui.
Ver Woody Allen cara-a-cara tocando no luxuoso Carlyle: aqui.
As revelações musicais que tocam na noite novaiorquina e as exposições que acontecem nos melhores museus: aqui. De quebra, uma nostálgica visita ao P.J.Clarkes.
As badalações do bairro agora mais interessante da cidade: aqui. Comida, bebida, galerias e museus…

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